| MEDICINA
& BEM ESTAR
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19/11/2003
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| Cardiologia
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Dieta
para o coração
Estudo indica que regimes que
não eliminam completamente
a gordura trazem mais benefício para a saúde cardíaca |
Mônica
Tarantino – Orlando (EUA)
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Um dos assuntos mais discutidos durante o American Heart Association,
importante congresso mundial de cardiologia, realizado na semana
passada em Orlando (EUA), foi a necessidade de prevenir melhor as
doenças cardiovasculares. Vários estudos apresentados
confirmaram o resultado positivo da associação de
dieta, exercícios e controle do colesterol, da pressão
alta e da obesidade na diminuição dos riscos para
o coração. A pesquisa que mais chamou a atenção
comparou quatro dietas populares: Atkins (farta em proteínas
e gorduras), Zone (baixa quantidade de carboidratos, como pães
e massas), Vigilantes do Peso (reeducação alimentar
e moderação no consumo das gorduras) e Ornish (vegetariana
e com baixa ingestão de gordura). A intenção
foi avaliar a capacidade desses regimes de reduzir o peso e os riscos
de doenças cardíacas. Para isso, o pesquisador Michael
Dansinger, do Tufts-New England Medical Center, de Boston, usou
a tabela de Framingham, que esmiúça o estilo de vida
e atribui pontos aos fatores de risco individuais para medir as
chances de um infarto. No início, 160 indivíduos participaram
do trabalho. Mas ao longo de um ano, período no qual foi
feita a análise, 67 desistiram.
A dieta mais bem-sucedida na redução dos riscos
de um infarto foi
a dos Vigilantes do Peso, seguida pelo regime de Atkins e a Zone.
O método do cardiologista Dean Ornish ficou em último
lugar. O interesse gerado pelo estudo foi tamanho que o próprio
Ornish se misturou aos jornalistas para ouvir as explicações
de Dansinger. Sentou-se onde pudesse ser visto pelo autor do estudo,
deixando-o visivelmente constrangido em fornecer mais dados para
justificar por que dietas
ricas em gorduras, como a Atkins, podem ser mais benéficas
para o coração do que outra, farta em verduras, legumes
e frutas.
A explicação de Dansinger é a de que, embora
o método Ornish tenha diminuído mais o colesterol
ruim (LDL), não elevou o colesterol bom, o HDL, como os outros.
A dieta Ornish promoveu uma redução de 10% do colesterol
ruim, contra 5% de diminuição obtidos pelas dietas
Zone e Vigilantes do Peso e 3% da dieta Atkins. Mas não aumentou
o HDL porque reduz drasticamente as gorduras, importantes para que
o organismo fabrique o colesterol – tanto o bom quanto o ruim.
A diferença está aí. Hoje, sabe-se que o ideal
é apresentar baixas taxas de LDL e altas quantidades de colesterol
bom. Isso porque o HDL é capaz, inclusive, de compensar níveis
mais elevados de colesterol ruim. “Entre outras funções,
o colesterol bom faz uma espécie de faxina das gorduras prejudiciais
presentes na circulação”, explicou o cardiologista
Antônio Mansur, do Instituto do Coração, de
São Paulo, presente no encontro. De acordo com o trabalho,
porém, apesar das diferenças nos resultados, as quatro
dietas revelaram-se benéficas para o coração.
“Perder peso reduz o risco de doenças cardíacas.
O estudo deixou claro que obtiveram benefícios aqueles que
seguiram corretamente uma das dietas analisadas”, afirmou
Dansinger. No entanto, não se sabe ainda se, a longo prazo,
a dieta Atkins mantém seus aspectos positivos para o organismo.
Mas, se a opção for mesmo adotar um regime, o indivíduo
deve ser acompanhado por um especialista para avaliar suas reações,
que variam conforme o perfil da saúde de cada um.
| Um
dos caminhos mais estudados para recuperar as funções
do coração depois do infarto é o
uso das células-tronco (com capacidade de se transformar
em vários tecidos do organismo). Em Orlando houve
avanços, como o trabalho que isolou uma das várias
células-tronco da medula que parece ser a mais
eficiente para revitalizar áreas lesadas do coração.
Também se investiga se há células-tronco
no coração adulto e como ativá-las.
Cuidados para evitar um segundo infarto também
tiveram progressos. Um estudo feito com 14,7 mil pessoas
em 24 países, por dois anos, indicou que a droga
valsartan, contra hipertensão, também se
aplica a pacientes que tiveram infarto e precisam se prevenir
de outro ataque. Hoje, o remédio mais usado após
o infarto é o captopril, que age de maneira diferente
do valsartan. Mais antigo e mais barato, o captopril dá
efeitos colaterais difíceis de tolerar em cerca
de 20% dos usuários. Um deles é uma tosse
alérgica constante. Especialmente para esse grupo,
a notícia da indicação segura do
valsartan é um alento. O estudo avaliou apenas
os efeitos do valsartan. Porém, é possível
que pesquisas mostrem outras substâncias da mesma
família com ação semelhante. |
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