Uma
dúvida real
Inglaterra tenta impedir veiculação
de suspeitas de caso
entre o príncipe Charles e seu assessor |
Fernando F. Kadaoka
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Charles
Philip Arthur George, príncipe de Gales: “Eu só quero
deixar claro que (os rumores) são totalmente falsos e não têm
um mínimo de evidência” |
Com quase 55 anos e esperando há tempos para assumir o trono
do Reino Unido, o príncipe Charles enfrenta mais um escândalo.
Desta vez, com conotações sexuais e toques de censura.
Há tempos, um certo rumor de que “um integrante da
família real” fora flagrado em uma “situação
comprometedora” reverberava nos ouvidos dos súditos
ingleses. Entretanto, graças a medidas judiciais, os meios
de comunicação ingleses estavam proibidos de publicar
qualquer detalhe sobre essas suposições. Mas, fora
do Reino Unido, o caso ganhou as primeiras páginas dos principais
jornais europeus. O imbróglio atingiu seu ápice na
segunda-feira 10, quando 16 jornais europeus deixaram de circular
na Inglaterra e no País de Gales por conterem informações
sobre o caso. Entre os jornais censurados estavam os principais
do continente europeu, como os franceses Le Monde e Le
Figaro, o italiano Corriere della Sera e o espanhol El
País. Foram os próprios distribuidores locais
que decidiram não vender os jornais estrangeiros, com medo
de possíveis represálias.
Há cerca de duas semanas, o tablóide inglês
Mail on Sunday anunciou uma bombástica entrevista
com George Smith, 43 anos, ex-valete do príncipe Charles,
em que ele descreveria com detalhes a “situação
comprometedora envolvendo um integrante da família real”
da qual ele tinha sido supostamente testemunha. Só que essa
entrevista nunca chegou às bancas por conta de uma ação
judicial da Suprema Corte inglesa, baseada na severa lei de difamação
de 1996, que impediu a publicação do relato de Smith.
Dias depois, o diário britânico The Guardian
ganhou na Justiça o direito de revelar o nome de quem estava
impedindo a entrevista de ser publicada: Michael Fawcett, 40 anos,
ex-empregado do príncipe Charles. Nada foi dito pelo Guardian,
mas ficou a insinuação de que Michael Fawcett teria
motivos pessoais para não querer que o relato de Smith viesse
a público.
Na obviedade de que os personagens envolvidos eram o príncipe
de Gales e o ex-empregado Fawcett, a assessoria do príncipe
adiantou-se em uma decisão arriscada. Negou o episódio
sem ele ter sido, de fato, noticiado. Michael Peat, secretário
particular de Charles veio a público, na quinta-feira 6,
para ler a nota: “Eu concordo que não é usual
fazer uma declaração sobre suposições
não especificadas, mas os rumores estavam se tornando objeto
de muita especulação. Eu só quero deixar claro,
embora não possa me referir aos detalhes da alegação,
que elas são totalmente falsas e sem um mínimo de
evidência.”
Nem mesmo o mais infame dos súditos acredita na versão
do
ex-valete do Palácio de Kensington, que sofre de alcoolismo
e tem distúrbios psicológicos. Smith já havia
sido capa dos tablóides quando acusou o mesmo Michael Fawcett
de tê-lo violentado, mas suas acusações são
consideradas da profundidade de um pires. Desde a trágica
morte da princesa Diana, em agosto de 1997, as autoridades inglesas
decidiram refrear a fúria sensacionalista. Mas essas medidas
judiciais penduram-se na corda bamba entre a censura e a liberdade
de imprensa e nem sempre conseguem o devido equilíbrio. Mesmo
impedidos de divulgar detalhes sobre o “caso Charles”,
os tablóides londrinos insinuaram um escândalo sexual
que, somado à negação prévia do príncipe,
só trouxe mais publicidade e curiosidade a respeito da sexualidade
do herdeiro britânico. Em vez de fazer o “caso Charles”
silenciar, a censura só o deixou em maior evidência.
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