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  COMPORTAMENTO 19/11/2003
Perfil
 
Te cuida, Guga!
Brasileira de 75 anos conquista o vice-campeonato
no Mundial de Tênis para a terceira idade

Chico Silva

  João Primo
  AMÉLIA CURY: “Enquanto eu tiver pernas, saúde e bons olhos, não paro”

O tricampeão mundial de Fórmula 1 Nélson Piquet já dizia que “o vice-campeão é o primeiro dos últimos”. No Brasil, nada mais verdadeiro. Por aqui ser segundo, apesar do suor e do empenho necessários para chegar a tal colocação, tem a mesma utilidade que um carro sem gasolina. Mas esse pensamento não faz sentido para a senhora Amélia Cury. Aos 74 anos, ela conseguiu uma façanha que deixará muito aspirante a Guga a ver bolinhas. A vovó elétrica foi vice-campeã na categoria 75-79 anos no 23º Vets World Championships, o campeonato mundial de tênis para a terceira idade, disputado em Antalya, na Turquia.

No caminho, Amélia deixou para trás concorrentes de peso, como a americana Olga Mahaney e a húngara Erzsebet Szentirmay, respectivamente primeira e quinta colocadas no ranking mundial dessa faixa etária. A alegria só não foi maior porque a americana Elaine Mason resolveu atrapalhar a festa. Com uma vitória por dois sets a zero, parciais 6/4 e 6/1, derrotou Amélia e ficou com o troféu. Motivo para frustração? Nada disso. “O torneio foi muito difícil e emocionante. A semifinal com a Erzsebet foi de arrebentar. Tinha o jogo na mão, não fechei e acabei vencendo só no tie-break. Mas, mesmo perdendo a final, valeu. Ano que vem eu volto”, promete. Além de Amélia, outro brasileiro fez bonito. O gaúcho Edmundo Giffoni também foi vice na categoria 85 anos.
E engana-se quem pensa que este é o primeiro grande resultado de Amélia em Mundiais da terceira idade. Em 1981, aos 53 anos, conquistou a versão inaugural do campeonato. O esporte corre nas veias desta senhora que o pratica desde os 14 anos. “Enquanto eu tiver pernas, saúde e bons olhos, eu não paro. O tênis é o único esporte que dá para jogar até morrer.” Bater na bola com força e precisão é fácil. Difícil mesmo é enfrentar os gigantescos congestionamentos de São Paulo.

Dona Amélia, acreditem!, é taxista. “Eu e uma amiga resolvemos fazer o cursinho de taxista de brincadeira. Depois eu percebi que poderia ser uma boa fonte de renda. Antes o pessoal estranhava. Agora todo mundo adora andar comigo.” Mas não adianta ir para o ponto procurar dona Amélia. Há dois meses ela deixou o carro com um funcionário. Fora o trânsito, a vovó tenista tem um outro poderoso adversário, que insiste em encaixar golpes certeiros e poderosos no esporte brasileiro: a falta de patrocínio. “Fui para a Turquia com dinheiro do meu bolso. Não tive apoio de ninguém. Enviei uma carta para a Federação Paulista de Tênis e eles nem sequer responderam. Assim fica difícil.” Dona Amélia está nervosa. E só as adversárias sabem o que isso significa.

 
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