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Te
cuida, Guga!
Brasileira de 75 anos conquista
o vice-campeonato
no Mundial de Tênis para a terceira idade |
Chico
Silva
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AMÉLIA
CURY: “Enquanto eu tiver pernas, saúde e bons olhos,
não paro” |
O tricampeão mundial de Fórmula 1 Nélson Piquet
já dizia que “o vice-campeão é o primeiro
dos últimos”. No Brasil, nada mais verdadeiro. Por
aqui ser segundo, apesar do suor e do empenho necessários
para chegar a tal colocação, tem a mesma utilidade
que um carro sem gasolina. Mas esse pensamento não faz sentido
para a senhora Amélia Cury. Aos 74 anos, ela conseguiu uma
façanha que deixará muito aspirante a Guga a ver bolinhas.
A vovó elétrica foi vice-campeã na categoria
75-79 anos no 23º Vets World Championships, o campeonato mundial
de tênis para a terceira idade, disputado em Antalya, na Turquia.
No caminho, Amélia deixou para trás concorrentes
de peso, como a americana Olga Mahaney e a húngara Erzsebet
Szentirmay, respectivamente primeira e quinta colocadas no ranking
mundial dessa faixa etária. A alegria só não
foi maior porque a americana Elaine Mason resolveu atrapalhar a
festa. Com uma vitória por dois sets a zero, parciais 6/4
e 6/1, derrotou Amélia e ficou com o troféu. Motivo
para frustração? Nada disso. “O torneio foi
muito difícil e emocionante. A semifinal com a Erzsebet foi
de arrebentar. Tinha o jogo na mão, não fechei e acabei
vencendo só no tie-break. Mas, mesmo perdendo a final, valeu.
Ano que vem eu volto”, promete. Além de Amélia,
outro brasileiro fez bonito. O gaúcho Edmundo Giffoni também
foi vice na categoria 85 anos.
E engana-se quem pensa que este é o primeiro grande resultado
de Amélia em Mundiais da terceira idade. Em 1981, aos 53
anos, conquistou a versão inaugural do campeonato. O esporte
corre nas veias desta senhora que o pratica desde os 14 anos. “Enquanto
eu tiver pernas, saúde e bons olhos, eu não paro.
O tênis é o único esporte que dá para
jogar até morrer.” Bater na bola com força e
precisão é fácil. Difícil mesmo é
enfrentar os gigantescos congestionamentos de São Paulo.
Dona Amélia, acreditem!, é taxista. “Eu e uma
amiga resolvemos fazer o cursinho de taxista de brincadeira. Depois
eu percebi que poderia ser uma boa fonte de renda. Antes o pessoal
estranhava. Agora todo mundo adora andar comigo.” Mas não
adianta ir para o ponto procurar dona Amélia. Há dois
meses ela deixou o carro com um funcionário. Fora o trânsito,
a vovó tenista tem um outro poderoso adversário, que
insiste em encaixar golpes certeiros e poderosos no esporte brasileiro:
a falta de patrocínio. “Fui para a Turquia com dinheiro
do meu bolso. Não tive apoio de ninguém. Enviei uma
carta para a Federação Paulista de Tênis e eles
nem sequer responderam. Assim fica difícil.” Dona Amélia
está nervosa. E só as adversárias sabem o que
isso significa.
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