Veja também outros sites:
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO Nº 1781
 Capa
 Índice
 ISTOÉ São Paulo
 Exclusivo Online
 EDITORIAS
 Artes & Espetáculos
 Brasil
 Ciência & Tecnologia
 Comportamento
 Economia & Negócios
 Educação & Cidadania
 Internacional
 Medicina & Bem-Estar
 SEÇÕES
 A Semana
 Avenida Brasil
 Cartas
 Editorial
 Em Cartaz
 Entrevista
 Fax Brasília
 Gente
 Século 21
 Viva Bem
 SERVIÇOS
 Edições Anteriores
 Biblioteca
 Fale Conosco
 Newsletter
 Assinaturas
 Publicidade
 Expediente
 
 Busca
 Procure outras matérias
  COMPORTAMENTO 19/11/2003
Capa
 
Juventude trucidada
Bárbaro assassinato de casal de estudantes mostra os riscos
de ser adolescente e reanima debate sobre maioridade penal

Leia os trechos das cartas de Liana para Felipe
Local onde foram encontrados os corpos

Chico Silva, Mário Simas Filho e Rita Moraes
Colaboraram: Carla Gullo e Laura Ancona Lopez

 
  Paixão: As cartas de Liana para Felipe mostram o envolvimento dos dois adolescentes

É impossível definir exatamente com quantos anos uma criança se torna adolescente e com qual idade o adolescente passa a ser adulto. Muito mais do que uma etapa cronológica, a adolescência se caracteriza como o período em que o jovem busca sua auto-afirmação, procura romper limites, questiona regras e se sente imune a qualquer coisa. Segundo especialistas, trata-se de uma saudável fase de mudanças de comportamento. Na última semana, porém, o bárbaro assassinato dos estudantes Felipe Silva Caffé, 19 anos, e Liana Friedenbach, 16, revelou, em cores cruéis, que, numa sociedade marcada por desigualdades profundas na qual a vida se tornou banal, a adolescência está sendo roubada. “Viver perigosamente deixou de ser uma expressão charmosa que apontava alguns comportamentos típicos de adolescentes para tornar-se uma frase com sentido bem concreto e ameaçador”, diz a psicóloga Rosely Sayão, autora de Como educar meu filho? Entre os frios assassinos de Liana e Felipe está também um adolescente que confessou ter matado apenas porque sentiu vontade de matar. O caso chocou o País e reanimou o debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil.

Liana, a filha mais velha de uma família de classe média alta, cursava,
no período noturno, o segundo ano do ensino médio no Colégio São Luiz, um dos mais tradicionais de São Paulo. Na quinta-feira 29 de outubro,
ela disse aos pais – o advogado Ari e a pedagoga Márcia – que passaria o final de semana com amigas do Shazit, um grupo de jovens ligados à Congregação Israelita Paulista (CIP), em Ilhabela, no litoral norte de
São Paulo. Felipe, o caçula dos quatro filhos do economista Reinaldo
e da enfermeira Lenice, de classe média baixa, estava desempregado
e cursava o terceiro ano do ensino médio, também no São Luiz,
como bolsista. Ele namorava Liana havia um mês e meio e disse
aos pais que no final de semana iria acampar com amigos em um sítio
de Embu-Guaçu, na região metropolitana de São Paulo. Felipe e Liana mentiram para seus pais.

Na sexta-feira 30 de outubro, os dois saíram do colégio por volta das
23h e passaram o resto da noite perambulando pela avenida Paulista.
No sábado pela manhã, tomaram um ônibus para Embu-Guaçu e depois caminharam cerca de oito quilômetros até chegarem, perto do meio-dia, ao sítio do Lê, uma área abandonada pelo proprietário, quase na divisa com o município de Juquitiba. No caminho, compraram água, miojo, biscoitos e leite em pó. Montaram a barraca e foram passear em um lago próximo dali. Quando estavam perto do lago, o sonho romântico dos adolescentes que buscavam um final de semana a dois no bucólico cenário da Mata Atlântica começou a virar pesadelo.

Eugênio Goulart/Diário de S.Paulo/Ag. O Globo  
Ari Friedenbach, pai da estudante Liana: “É importante que os adolescentes falem com os pais e ouçam o que eles têm a dizer”  

Medo – Quando caminhavam para o
lago, Felipe e Liana foram vistos pelo também adolescente R.A.A.C., 16 anos, conhecido como Champinha. Pobre, filho de pai alcoólatra, ele estudou apenas até a terceira série do ensino básico. Entre os dez e os 14 anos, Champinha ajudou a mãe no trabalho da roça, mas, no lugar de uma adolescência sadia,
ele sofre com a falta de medicamentos para as convulsões que começou a
ter a partir dos 14 anos, quando
passou a viver largado pelas ruas prestando serviços a quadrilhas que atuam nos desmanches de carros roubados. Apesar de não registrar nenhuma passagem pela Febem, ele é acusado de já ter matado pelo menos uma pessoa. Sempre com um facão na cintura, Champinha se impunha na região pelo medo que transmitia aos vizinhos, conhecedores de seus crimes. Quando avistou o casal, planejou assaltá-los. Chamou o comparsa Aguinaldo Pires, 41 anos, seu companheiro em pequenos furtos e caseiro da Chácara Fazenda Boa Esperança, a quatro quilômetros do sítio do Lê. Aguinaldo, com uma espingarda usada para caçar, e Champinha, com o facão, renderam o casal sem dificuldade. Foram até a barraca e pegaram cerca de R$ 45 na carteira de Liana. Frustrados com a falta de maiores valores, decidiram que o assalto iria se transformar em sequestro. Levaram o casal até a Chácara Boa Esperança. Lá, um outro comparsa, Paulo César Marques, conhecido como Pernambuco, se juntou ao grupo. Em um casebre bagunçado, sujo e sem luz elétrica, os cinco passaram a noite no
mesmo quarto.

No domingo pela manhã, Felipe argumentou que sua família não era
rica e que tinha um irmão policial. Foi o suficiente para selar seu
destino. Os cinco deixaram a casa e caminharam cerca de três quilômetros pela mata. Próximo a um desfiladeiro, Pernambuco
pegou a espingarda de Aguinaldo, mirou a nuca de Felipe e disparou. Segundo legistas do IML paulista, o estudante morreu em poucos segundos. Liana, de acordo com o depoimento de Champinha, não
viu o namorado ser morto, mas ouviu o tiro e entrou em estado de choque. “Ela ficou tremendo o tempo todo e não falava nada. Só chorava”, disse Aguinaldo na delegacia de Embu-Guaçu.

Próxima
 
O QUE VESTIR?

Teste as opções do guia da Moda de ISTOÉ e confira como é fácil se vestir sem
medo de errar

HOMEM MULHER
ENQUETE

A maioridade deve ser estendida aos jovens de 16?

RAIO-X

Você consegue decifrar olhares e expressões faciais?

VITÓRIA
Aos 75, ela é uma das estrelas do tênis mundial
MAGIA

As novas do bruxo chegam às livrarias

• Clique e assista
ao trailler do filme
BOLA DIVIDIDA

Teste revela se você tem mais habilidades masculinas ou femininas

INTERATIVOS
Kama Sutra
Altar virtual
Jardim Perfumado
Tarô
Realejo
 
| ISTOÉ DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL |
© Copyright 2003 Editora Três