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A
festa da aventura
A maior feira de esporte de ação
do Hemisfério Sul vira palco para lançamentos de equipamentos,
veículos e até destinos turísticos |
Willian
Novaes
Colaborou Greice Rodrigues
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Vertigem:
os mais destemidos podem instalar paredes de escalada em casa |
Indiana
Jones não apareceu. Mas, se tivesse visitado o Pavilhão
da Bienal de São Paulo na última semana, talvez nem
fosse notado. As rampas e galerias projetadas por Oscar Niemeyer
para receber exposições de arte pareciam cenários
de filmes de ação. Cordas cruzavam o espaço
entre uma coluna e outra e, de tempos em tempos, algum visitante
destemido deslizava de um lado a outro preso por uma roldana. O
local foi sede da quinta edição da Adventure Fair,
a maior feira de ecoturismo e esportes de aventura do Hemisfério
Sul, que teve apoio de ISTOÉ. Da quarta-feira 12 ao domingo
16, mais de 250 expositores, especializados em aparelhos e roupas
esportivas, veículos e viagens, disputaram a atenção
do público e exibiram suas novidades. “Esta é
uma das raras feiras no mundo que unem em uma mesma ocasião
equipamentos e destinos turísticos. O visitante pode comprar
o tênis, a asa-delta e o pacote para as férias e sair
daqui com tudo pronto”, resume o diretor da feira, Sérgio
Bernardi. “No ano passado, o evento movimentou R$ 50 milhões.
Este ano, apesar da estagnação econômica, as
empresas de equipamentos esportivos tiveram um crescimento médio
de 30%, justificado pela qualidade dos produtos lançados
em substituição aos similares importados”, diz
ele.
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Máquina:
Niclevicz apresentou o caminhão que irá percorrer a Cordilheira
dos Andes |
Um
dos principais lançamentos deste ano foi a parede para escalada
desenhada especialmente para ambientes pequenos. Comercializada
pela Casa de Pedra, pode ser montada em condomínios e até
na sala do apartamento. “Muita gente nos procurava com o interesse
de ter em casa as paredes que viam em academias ou bufês infantis”,
conta Eduardo Carceroni, um dos proprietários da empresa.
O kit básico para paredes de até seis metros, confeccionado
em resina texturizada, não sai por menos de R$ 10 mil com
os equipamentos de segurança. Desmontável, é
composto por módulos de 1,5 metro cada e pode ser instalado
em qualquer lugar. Circuitos de arvorismo, modalidade que une trilhas
suspensas e deslizamento em cordas entre copas de árvores,
também foram comercializados na feira pela Alaya Expedições,
especializada no segmento. A cada ano, cresce o interesse de hotéis
e parques pelo aparato, sempre acompanhado por uma rede de proteção
semelhante às de circo. Na feira, crianças e adultos
puderam brincar de Tarzan e bancar o Homem Aranha nos cabos e redes
de dois circuitos instalados pela Alaya, o Veticália e o
Verticalinha, restrito a menores de quatro anos.
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Brincadeira:
crianças e adultos curtiram circuitos de arvorismo |
Outra novidade
foi o lançamento da Hidro Power, engenhoca desenvolvida pela
empresa UOSS que permite ao usuário “caminhar sobre as
águas”. Trata-se de uma estrutura circular com 2,2 metros
de diâmetro fabricada em PVC inflável – mesmo material
dos botes de rafting – com uma esteira interna inspirada nas
gaiolas de ramsters. É só embarcar na bóia gigante
e se aventurar em rios, lagos e corredeiras. Para quem prefere acompanhar
de longe as aventuras alheias, a sensação foi o lançamento
do projeto Mundo Andino, liderado pelo alpinista Waldemar Niclevicz,
primeiro brasileiro a alcançar o topo do Everest ao lado de
Mozart Catão, já falecido. A partir de janeiro, ele
e sua equipe rodarão durante três anos pela Cordilheira
dos Andes com o objetivo de estudar a geologia, o clima, a fauna e
a flora. Em 22 expedições de pelo menos um mês
cada uma, serão escaladas mais de 100 montanhas e percorridos
100 mil quilômetros a bordo de um supercaminhão construído
pela Volkswagem.
Avaliada em R$ 500 mil, a máquina pesa 14 toneladas, mede
mais de quatro metros de altura e nove de comprimento, e foi equipada
para suportar temperaturas de até 20 graus negativos. Com
um motor de 210 cavalos, o caminhão promete vencer qualquer
barreira. No Rally dos Sertões, em agosto, rodou quatro mil
quilômetros e passou no teste. “O Andino venceu uma
rampa com 50 graus de inclinação e encarou pisos acidentados
sem nenhum problema”, conta Niclevicz. O destaque no veículo
é o baú desenhado por Thierry Stump, o mesmo projetista
dos barcos de Amyr Klink, que servirá de escritório
e quarto para os viajantes. A Bienal, além de telas e esculturas,
recebe agora até caminhões.
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