| ARTES
& ESPETÁCULOS |
19/11/2003
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| Livros |
Justamente
por estes ingredientes, os livros de J.K. Rowling têm atraído
uma numerosíssima legião de leitores por todo o planeta,
entre crianças e adultos. Estima-se
que a série traduzida para 55 idiomas já vendeu cerca
de 200 milhões de exemplares em 200 países. Só
no Brasil foram 1,5 milhão. Um sucesso absoluto de público.
E de faturamento. Somada às bilheterias dos filmes Harry
Potter e a pedra filosofal e Harry Potter e a câmara
secreta, em torno de US$ 1,8 bilhão, mais o merchandising
deste mundo de ouro, a renda obtida pela escritora a transformou numa
das mulheres mais ricas do Reino Unido. O jornal britânico The
Sunday Times avalia em US$ 442 milhões a fortuna de J.K.
Rowling, 11 vezes maior do que a da rainha Elizabeth II.
Harry Potter e a Ordem da Fênix é mais um toque
desta versão escocesa de Midas. Para seu lançamento,
em junho passado, foi desenvolvida uma ação de marketing
como nunca se viu nas artes literárias. Programaram-se festas,
concursos de fantasias e sessões de leitura. Ansiosos pela
sequência – afinal, a espera durou três anos –,
os fãs entupiram de pedidos o site da livraria virtual Amazon.
Na pré-venda, a empresa registrou 1,3 milhão de solicitações,
quase três vezes mais do que ocorreu com Harry Potter e
o cálice de fogo. Mesmo protegidos por forte esquema
de segurança, às vésperas de chegar às
prateleiras mais de sete mil exemplares tinham sido roubados de
um caminhão na Inglaterra. A carga não foi encontrada.
Antes, um funcionário de uma gráfica tentara vender
páginas avulsas do livro para um diário inglês
sensacionalista. Foi pego e condenado a prestar serviços
comunitários por seis meses. Nos Estados Unidos, algumas
edições e trechos surrupiados foram publicados, e
toda sorte de boatos, principalmente envolvendo a morte de um dos
personagens, rodou pela internet enquanto o tão aguardado
título não desembarcava nas livrarias.
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| Carolina
e Rowling: “J.K. foi má. Matou meu personagem favorito” |
No Brasil, a legião de fãs do menino bruxo não
aguentou esperar a chegada da edição nacional e mergulhou
direto nos originais em inglês. O estudante Allan Mascarin,
15 anos, morador de Campinas esteve entre aqueles que tentaram ler
The Order of Phoenix. Mas logo se rendeu ao cansaço.
Como usava um daqueles absurdos programas de tradução
da internet, desistiu logo no terceiro capítulo. “Só
o primeiro capítulo já é melhor que os livros
anteriores inteiros”, afirma. Mais bem-sucedida foi a adolescente
gaúcha Carolina Moraes, que adquiriu seu exemplar em inglês
um dia depois do lançamento mundial. Devorou-o em duas semanas
e meia, com a ajuda de sua professora de inglês, que traduzia
para ela as expressões mais difíceis. “A J.K.
foi má. Matou meu personagem favorito”, reclama. Episódios
como esses prometem se repetir nos próximos anos. A escritora,
ou J.K. para íntimos como Carolina, está preparando
o sexto volume e – muito aflita – já deve estar
pensando num novo calvário que enfrentará para encerrar
sua saga com o sétimo livro da série. A autora certamente
vai estar desgastada. Mas, se quiser, pode literalmente se deitar
pelo resto da vida numa cama de dólares.
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O
novo episódio da saga milionária |
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Cuarón
com o elenco e a filmagem em Hogwarts: corrida
contra o tempo |
Não são apenas os livros da série
Harry Potter que criam expectativa entre seus fãs.
Os filmes também. Depois de dois sucessos de bilheteria
dirigidos por Chris Columbus, o mexicano Alfonso Cuarón
– de E sua mãe também –
assumiu o risco de dirigir a terceira fita, Harry Potter
e o prisioneiro de Azkaban, cuja estréia mundial
está prevista para junho de 2004. O longa-metragem
conta as aventuras do menino bruxo em seu terceiro ano
na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Traz de volta
a trinca de atores adolescentes Daniel Radcliffe (Potter),
Emma Watson (Hermione Granger) e Rupert Grint (Rony Weasley).
Também retornam a excepcional Maggie Smith e Alan
Rickman, respectivamente nos papéis dos professores
Minerva McGonagall e Severo Snape. Dos personagens já
conhecidos do público, Alvo Dumbledore é
agora interpretado pelo inglês Michael Gambon. Ele
substitui Richard Harris, falecido no ano passado.
Cuarón
está correndo contra o tempo para poder cumprir
os
prazos. Comenta-se que em O prisioneiro de Azkaban
os efeitos especiais serão ainda mais mirabolantes
do que os do filme
anterior, visto por 4,5 milhões de brasileiros,
número semelhante
ao de A pedra filosofal. Há uma grande
curiosidade em torno dos dementadores, seres sem rosto
e de aspecto fúnebre que guardam
a fortaleza de Azkaban, um presídio de segurança
máxima. Ou quase. É de lá que foge
o temido Sirius Black. O papel do proscrito coube a
Gary Oldman, que declarou ser este o melhor da série
nas telas até o momento. Enquanto as filmagens
seguem a toda, os produtores já preparam o caminho
para a produção de Harry Potter e o
cálice de fogo. Desta vez, a direção
caberá ao inglês Mike Newell, de Quatro
casamentos e um funeral. Newell foi convidado a
comandar o quarto longa porque as filmagens começam
em abril, quando Cuarón ainda estará concentrado
em Azkaban.
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