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 ARTES & ESPETÁCULOS 19/11/2003
Livros

Pena mágica
No quinto livro da série, o bruxo Harry Potter enfrenta o
exército do maligno Lord das Trevas

Assista ao trailler do novo filme

Lena Castellón

 

Harry Potter é agora um rapazote
de 15 anos, com características típicas
da idade: impaciência, incertezas e
algum grau de rebeldia. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix (Rocco, 704 págs.,
R$ 59,50) – quinto livro da aclamada série escrita pela escocesa J. K. Rowling, que chega às livrarias brasileiras no sábado 29 –, o encanto pueril dos primeiros anos vividos na Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts se esvai pouco a pouco. Agora, o adolescente sente raiva de colegas e professores, briga com os amigos inseparáveis Rony Weasley e Hermione Granger e até dá seus shows. “Eu já tive o suficiente, já vi o suficiente. Não me importo mais”, grita ele, num dos vários acessos de fúria que tem ao longo da história. Mas o garoto também cede ao coração, troca o primeiro beijo e conquista uma bela namorada. Ou seja, Harry Potter está com as emoções à flor da pele.

Uma das razões para explicar tanta sensibilidade é o fato de que poucos acreditam no retorno do bruxo mais terrível do mundo, aquele que matou os pais de Potter e lhe deixou uma cicatriz em forma de raio na testa. Lord Voldemort, Lord das Trevas ou, para os íntimos da série, Você-Sabe-Quem, volta à ativa após anos vivendo como um parasita. Aos que não acompanham a ficção, vale o esclarecimento. O vilão, uma espécie de Darth Vader, é o pior inimigo de Potter. Assim como o anti-herói de Guerra nas estrelas, o bruxo se dedica ao lado negro da magia. Teria dominado seus pares se não tivesse virado pó ao ser atingido por um contrafeitiço que protegia o garoto quando este ainda era um bebê. É assim que se inicia a saga do aprendiz de feiticeiro.

 
Cena do novo filme Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban: previsto para estrear em junho de 2004  

Rowling prossegue mostrando, livro após livro – Harry Potter e a pedra filosofal, Harry Potter e a câmara secreta, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban e Harry Potter e o cálice de fogo –, os esforços de Voldemort em ressurgir com plenos poderes. Neste ponto, o do renascimento, se encerra o quarto livro.

A quinta aventura do jovem bruxo começa com muita ação. O mundo dos trouxas, como são chamados os comuns mortais, é invadido por alguns dos seres fantásticos inventados por Rowling. A passagem é breve, mas causa transtornos bastante desagradáveis a Potter. Na escola, as complicações se sucedem. O comando de Hogwarts sai das mãos do compreensivo diretor Alvo Dumbledore e fica a cargo de uma inquisidora. É uma mulher impiedosa, com incrível disposição para editar atos institucionais que infernizam a vida dos estudantes. A ditadura instaurada, no entanto, propicia um dos momentos mais fascinantes da história. Quem nunca pensou em escapar da escola um dia? Os divertidos gêmeos Fred e Jorge Weasley realizam este desejo de modo espetacular. Impossível não se deliciar com a fuga.

 

Mistérios – Doses de humor funcionam como aperitivo, mas o melhor mesmo está no drama. Nas páginas de A Ordem da Fênix se estabelece a guerra que apenas se desenha em O cálice de fogo.
Nesta fase, os bruxos do bem se confrontam com os do mal. Seguidores de Voldemort formam um pequeno exército batizado de Comensais da Morte, algo como uma Ku Klux Klan de varinhas mágicas. E os do bem se organizam numa sociedade secreta, a tal Ordem da
Fênix. Impossibilitados de entrar no grupo, os adolescentes formam
seu próprio clube da luta. Com direito a muitas maldições, o combate
faz a adrenalina atingir seu ápice. Todo harrypottermaníaco sabe que Rowling adora uma boa batalha, seja contra uma cobra gigantesca, um dragão enfurecido, seja qualquer criatura do mundo da magia. Outro ponto alto do enredo é o capítulo subsequente ao confronto, quando, numa conversa, Potter e Dumbledore esclarecem mistérios estabelecidos desde o primeiro livro. Entre a contenda e as revelações, acontece o momento que custou lágrimas à escritora: a morte de um personagem importante. “Quando se escreve para crianças, é preciso ser um assassino cruel”, disse ela, depois de passar por uma crise achando que não conseguiria terminar a história.

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