Veja também outros sites:
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO Nº 1771
 Capa
 Índice
 ISTOÉ São Paulo
 Exclusivo Online
 EDITORIAS
 Artes & Espetáculos
 Brasil
 Ciência & Tecnologia
 Comportamento
 Economia & Negócios
 Internacional
 Medicina & Bem-Estar
 SEÇÕES
 A Semana
 Avenida Brasil
 Cartas
 Editorial
 Em Cartaz
 Entrevista
 Fax Brasília
 Gente
 Século 21
 Viva Bem
 SERVIÇOS
 Edições Anteriores
 Biblioteca
 Fale Conosco
 Newsletter
 Assinaturas
 Publicidade
 Expediente
 
 Busca
 Procure outras matérias
 
 ENTREVISTA
10/09/2003
Barbara Heliodora
A senhora terrível
Crítica teatral mais importante e temida do País
completa 80 anos, carregando a mesma certeza
de não ser condescendente com peças ruins

Ricardo Miranda

  Carlos Magno

Se fosse uma personagem, correria o risco de incorporar o arquétipo da velha senhora se equilibrando numa cadeira de balanço, óculos de grau na ponta do nariz, crochê nas mãos e novela na televisão. Mas, na vida real, a carioca Barbara Heliodora, 80 anos comemorados no dia 29 passado, é tudo, exceto um clichê. Em boa forma, a memória afiada desfiando o imenso conhecimento de sua maior paixão, o teatro – junto com o bisneto Pedro, de um ano e cinco meses –, Bárbara é como a obra de Shakespeare, da qual é a maior conhecedora no País. Ou seja, quanto mais o tempo passa, melhor fica. Arriscando-se na juventude em papéis como os de uma árvore numa montagem de Chapeuzinho Vermelho, para depois descobrir sua falta de vocação para o palco, passando pelos estudos de literatura inglesa na Universidade de Connecticut, Estados Unidos, e pela experiência de algumas direções, nos últimos 45 anos Barbara Heliodora desempenha o papel da crítica teatral mais respeitada e temida do País.

Seus textos, publicados nos principais jornais do Rio do Janeiro e nos últimos 11 anos em O Globo, atingem amigos, inimigos involuntários, mas nunca erra o alvo. Entre as cabeças coroadas que acertou com sua sinceridade pesada estão a da atriz Marília Pêra e dos diretores Ulysses Cruz e Gerald Thomas, de quem recebeu uma chuva de impropérios verbais e, logo depois, um pedido de perdão. Três vezes mãe, quatro netos, um bisneto e dezenas de vasos de rosas e margaridas espalhados pela varanda de seu casarão no magnífico Beco do Boticário, no bairro
do Cosme Velho, a Barbara de 80 diz que é “a mesma de 79”. Leia-se:
é capaz de elogiar Reynaldo Gianecchini em seu esforço para ser ator
e desconstruir montagens patrocinadas por queridinhos da mídia, como
Jô Soares e Eduardo Moscovis. Muito diferente de ler Barbara Heliodora – que em média assiste a três peças por semana – é ver Barbara Heliodora. É preciso muita atenção para se convencer de que aquela senhora
afável é a mesma que consagra e crucifica espetáculos, empala e entroniza artistas e gêneros teatrais. Na segunda-feira 1º, entre telefonemas de felicitações e carinhos em seu cachorro bassê Toco –
“a pessoa mais importante da casa” –, Barbara, a terrível, conversou
com ISTOÉ sobre a experiência fascinante, e angustiante, de
conhecer profundamente uma arte.

ISTOÉ – Como é fazer 80 anos?
Barbara Heliodora –
É sobreviver. A coisa mais engraçada, principalmente para uma pessoa como eu, com muita memória, é lembrar o quanto as coisas eram diferentes, o que era o Rio de Janeiro quando eu era menina. A cidade ficou mais caótica do que eu. Perto da minha casa, na rua Clarice Índio do Brasil (Flamengo), havia um estábulo e vendiam leite tirado das vacas. Verdureiras e peixeiros vendiam seus produtos em casa e anotavam tudo em um caderno. Na praia de Botafogo, na esquina da rua Marquês de Abrantes, tinha um teatrinho de bonecos todo domingo de tarde. Uma pena essas coisas terem desaparecido. As crianças eram crianças por mais tempo. Não sou saudosista, mas qualquer um, de qualquer idade, sente que o mundo vive uma crise de passagem. É um pouco angustiante, fico preocupada com o mundo que meus netos e bisnetos herdarão. Minhas filhas dizem que sou uma lista telefônica ambulante, lembro de coisas que aconteceram há 50 anos,
em detalhes. Mas para o teatro desenvolvi memória seletiva. Hoje em
dia anulo automaticamente as coisas muito ruins que vejo.

ISTOÉ – Se sua vida fosse encenada, o que seria?
Barbara –
Uma comédia meio sem graça.

ISTOÉ – Dizem que a sra. escreve tudo o que pensa,
sem freios. É assim mesmo?
Barbara –
É porque eles não sabem o que eu penso. Na maioria das vezes é exatamente o que eu penso, mas muitas coisas eu procuro dizer sem chegar ao delírio, porque a minha vontade era dizer assim: “Mas isso é uma estupidez, uma coisa horrorosa.” Algumas coisas me irritam, aí eu paro e só escrevo no dia seguinte. Não escrevo com raiva. Talvez eu faça um pouco menos de cerimônia. Se uma pessoa faz uma coisa que está toda errada e você, para ser bonzinho, diz que é ótimo, ela vai piorar cada vez mais. O ideal seria se todos tivessem um amigo que dissesse: “Isso está um horror, não está pronto, está uma porcaria.” Há muita auto-indulgência. É preciso que se diga a verdade, mas a minha verdade não é de papa. Há vários críticos, cada um tem a sua opinião.

Próxima
Kama Sutra
Altar virtual
Jardim Perfumado
Tarô
Realejo
O QUE VESTIR?

Teste as opções do guia da Moda de ISTOÉ e confira como é fácil
se vestir sem
medo de errar

HOMEM MULHER
FÓRUM
O governo recebeu críticas na semana passada por ter loteado cargos públicos de acordo com interesses políticos. O que você acha disso?
ENQUETE
De todos os integrantes do governo Lula, quem você acha que deve deixar o cargo na reforma ministerial? Clique e digite o nome
ENTREVISTA

Por que Barbara Heliodora é a crítica teatral mais temida do País

VANGUARDA

Boni fala a ISTOÉ que ainda sonha em comprar o SBT

ANTIDROGA

Teste detecta uso sem permissão

DUAS RODAS

Executivos trocam carro por moto

| ISTOÉ DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL |
© Copyright 2003 Editora Três