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  BRASIL 06/08/2003
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Receita para crescer
Governo anuncia uma série de medidas para reaquecer
a economia: crédito, obras públicas e menos juros

Entrevista: 2005 será uma festa

Panela de pressão

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Leonel Rocha e Luiz Cláudio Cunha
Colaborou Célia Chaim (SP)

  André Dusek
  Mantega prepara o Orçamento da União para 2004: investimentos e custeio de R$ 409 bi

O governo Lula já sabe que ingredientes usar para tentar tirar o País da recessão e fazer a economia voltar a crescer ainda em 2003. O objetivo é religar os motores do transatlântico de bandeira verde-e-amarela que passou os últimos seis meses navegando lentamente nas águas turvas da recessão, da baixa arrecadação de impostos, do desemprego, da tensão social e da desaceleração industrial provocada pela queda nas vendas do comércio. São medidas de curto, médio e longo prazos a serem anunciadas ainda este mês pelos ministros da área econômica na esperança de retomar o crescimento. O sinal positivo para que as medidas sejam adotadas e reaqueçam a economia será dado pelo Congresso nas votações das reformas previdenciária e tributária previstas para as próximas semanas.

A aposta do governo é na aprovação das emendas que mudam as aposentadorias do setor público e o sistema de arrecadação de impostos – o que dará uma folga fiscal ao Tesouro. Se vencer no Parlamento, o Planalto vai aguardar outra boa notícia do Conselho de Política Monetária (Copom), que na quinta-feira 31 divulgou a ata da última reunião quando reduziu os juros em 1,5%. No documento, o Copom garante que o corte na taxa Selic não irá comprometer as conquistas do combate à inflação e indica que a queda dos juros é irreversível. Na ata, o BC faz uma rara aposta no futuro: “O Copom permanece atento à evolução do nível de atividade e avalia que o quadro de desaceleração recente tende a ser revertido a partir do segundo semestre deste ano.” Do Conselho Monetário Nacional (CMN) o governo espera a redução nos depósitos compulsórios dos bancos, na esperança de crescimento do crédito. Outro ingrediente para fazer o navio Brasil zarpar é a retomada dos financiamentos engavetados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O primeiro da fila será a encomenda de quatro petroleiros para a Petrobras, no valor de US$ 228 milhões, com recursos do Fundo de Marinha Mercante. A construção dos navios vai gerar ainda este ano dois mil empregos diretos e outros dez mil indiretos.

Projetos como este fazem parte do Plano Plurianual (PPA), o pacote de grandes obras de infra-estrutura e transportes já definido pelo governo para os próximos cinco anos, e que servirá de norte para o planejamento de investimentos de longo prazo das empresas. Um deles é a construção, por estaleiros nacionais, de outros 20 navios petroleiros, além da duplicação da BR-101 no Nordeste, da recuperação e ampliação de portos e da implantação de ferrovias e hidrelétricas. “Com isto daremos início ao projeto de desenvolvimento”, anunciou na semana passada o ministro do Planejamento, Guido Mantega. Junto com o PPA, o Palácio do Planalto vai enviar nos próximos dias ao Parlamento a proposta de Orçamento da União que prevê custeio e investimentos de R$ 409 bilhões, 4,5% maior que a deste ano.

A receita básica de curto prazo definida pelo governo – reduzir juros, cortar compulsório e liberar os financiamentos engavetados pelo BNDES – é a mesma recomendada pelos empresários e até pelo Fundo Monetário Internacional, cujos representantes estiveram em Brasília na semana passada elogiando a capacidade do governo Lula de cortar despesas. Só o fato de o governo ter definido esta estratégia de curto prazo para a política monetária está levando os bancos a reduzir as taxas reais de juros cobradas no cheque especial e no financiamento às compras do consumidor, além de encher de esperanças os dirigentes de entidades empresariais. É o que está acontecendo entre os comerciantes.

O arrocho dos juros provocou uma queda de 9,89% no faturamento real de bens de consumo duráveis (eletroeletrônicos, eletrodomésticos e automóveis, por exemplo ) entre janeiro e maio deste ano. Mesmo assim, com a provável redução da taxa de juros na próxima reunião do Copom, o último trimestre pode mostrar a retomada das vendas do comércio. “A recuperação econômica geral vai demorar um pouco mais e ocorrerá de forma mais sustentável em 2004. Mas no varejo o reaquecimento ocorrerá ainda este ano”, prevê o economista Carlos Thadeu de Freitas, diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Ichiro Guerra / André Dusek

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