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| 1991
Apesar de ser casado com uma Kennedy, o republicano de carteirinha
apoiou George Bush, pai |
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Estranho
no ninho Mas qual será o Schwarzenegger que os
californianos vão eleger? O clima de campanha política
já está a pleno vapor, com vários grupos de
interesses pintando o personagem central com as tintas que mais
lhes convêm. É o esperado. Afinal, quando falou pela
primeira vez em se lançar na aventura política, em
2001, Arnold imediatamente recebeu chumbo grosso dos marketeiros
democratas, ligados ao então candidato Gray Davis. Fizeram
circular pelas redações histórias de infidelidade
conjugal e uso de esteróides pelo campeão dos músculos.
Foram até pouco criativos, visto que no documentário
Pumping iron, estrelado por Schwarzenegger em 1977, quando era apenas
o Mr. Olympia, dono do título de Corpo mais perfeito
do mundo, o mocinho confessou que havia fumado e tragado
maconha. Anos depois, em 1983, o machão aparece no
Rio, como anfitrião do documentário Carnival in
Rio, em que mostra o Carnaval carioca. Rasga
a fantasia em meio à mulherada pelada numa delas tenta
embutir uma cenoura entre as nádegas fartas. O filme ainda
está à venda nas boas casas do ramo e forneceria vasto
material à oposição da chapa do Exterminador.
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| 2001
De volta para o futuro, Schwarzenegger e a mulher, Shriver,
no Sambódromo, ao lado do transexual Roberta Close |
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Nas trincheiras conservadoras também não existe amor
incondicional a este homem que optou pelo Partido Republicano ao
ouvir um discurso de candidatura de Richard Nixon nos anos 70. Eu
fui criado sob o regime socialista da Áustria. Lá,
as decisões eram sempre feitas pelo governo e impostas ao
povo. Gostei de ouvir os republicanos pregando a menor participação
do governo na vida das pessoas. Deixe que o povo decida o que quer,
diz Arnold. Desde que pisou nos EUA, ele vem apoiando presidentes
republicanos, especialmente Ronald Reagan, seu herói, e George
Bush, pai. Acontece que estas não são credenciais
suficientes para a direita do partido. Schwarzenegger abraça
causas que são anátemas da linha-dura: é a
favor do direito constitucional ao aborto, do controle de vendas
de armas (imagine! um cara que já matou 400 pessoas em seus
filmes), e da causa dos imigrantes. Explica-se: 1) Como diretor
de uma fundação dedicada à infância desamparada,
Arnold sabe muito bem o que a proibição ao aborto
iria gerar no país: mais crianças vivendo em condições
subumanas. 2) Com os músculos que ele tem com os quais
já nocauteou um camelo no filme Conan , quem precisa
andar armado? 3) Quem nasceu na Áustria, foi ser pedreiro
na América e se tornou milionário com ingressos de
cinema comprados por minorias étnicas não pode mesmo
ser contra os imigrantes. O problema dos reaças californianos
é que eles vêm tomando surra dos democratas há
anos. Sua maior esperança em exterminar com a máquina
eleitoral democrata é o cyborg Arnold.
A Casa Branca, num de seus típicos lances individualistas,
quis desencorajar o movimento para o recall do governador Davis.
Os
gurus de Washington queriam que o circo pegasse fogo ainda sob o
comando democrata. Desejavam uma revolta popular californiana que
fosse enfrentada por Davis, culminando com uma enxurrada de votos
para George W. Bush nas eleições presidenciais de
2004, disse a
ISTOÉ Monica Getz, a porta-voz do deputado Darrell Issa.
Além disso,
a Conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, havia
manifestado interesse em concorrer ao cargo nas eleições
de 2006
ela é de Birmingham, no Alabama, mas fez a Universidade de
Stanford,
na Califórnia. O problema com tudo isso é que
o recall vai tornar vago
o posto, e se Arnold não sair candidato esta será
uma oportunidade perdida. Tanto para o Partido Republicano, principalmente
se forem enfrentar a senadora democrata Dianne Feinstein, uma campeã
de
votos, quanto para Arnold, que não sabe o que pode acontecer
no futuro, diz o consultor de comunicações do
Partido Republicano na Califórnia, Rob Stutzman.
Emenda a calhar O cenário parece montado de
modo espetacular para a premier de Schwarzenneger em Sacramento.
E quem sabe, no futuro, a Presidência do país também
lhe caia de bandeja. Atualmente, a Constituição americana
só permite a candidatura ao Executivo àqueles americanos
nascidos no país. Mas ISTOÉ descobriu que há
uma semana, o senador Orrin Hatch, republicano de Utah, está
trabalhando na moita para apresentar uma emenda constitucional que
permitiria a candidatura à Presidência aos que obtiveram
a cidadania americana há pelo menos 20 anos. Arnold Schwarzenegger
se naturalizou em 1983. Outra coincidência: Orrin Hatch, apesar
de conservador ferrenho, é o melhor amigo do ultraliberal
Ted Kennedy, irmão de Eunice Kennedy Shriver. Esta vem a
ser mãe de Maria Shriver, a esposa de Arnold. Ou seja: está
tudo em família. A jornalista Maria Shriver, sobrinha de
John e Bob, pode ganhar novamente a Casa Branca para a família,
usando como arrombador da porta o republicano Arnold.
Impossível? Era o que diziam quando um ator bem menos carismático
seu filme mais lembrado é Bedtime for Bonzo,
em que a estrela principal é um macaco também
rumou à Presidência. Ronald Reagan, a quem Arnold está
sendo comparado, deixou o cinema em 1964 para chegar ao governo
da Califórnia em 1966 e, após duas tentativas, ganhar
a indicação de seu partido à Presidência
e só sair do Salão Oval depois de dois mandatos. Schwarzenegger,
pondere-se, pelo menos fez filmes mais divertidos. E tem peitorais,
bíceps e nádegas muito melhor esculpidos. O austríaco
só tem um músculo que não funciona direito.
Não é o que se poderia pensar: aquilo não é
músculo. Arnold é cardíaco.
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