O
governador do futuro?
Arnold Schwarzenegger quer repetir,
na Califórnia,
a façanha de outro ator, Ronald Reagan |
Osmar Freitas Jr. – Nova York
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Califórnia é um Estado de fenômenos impossíveis.
Por exemplo: a partir de outubro próximo pode ser empossado
no palácio do governo, em Sacramento, pela primeira vez na
história, um governador com peitos maiores do que os da primeira-dama.
A se acreditar na enxurrada de páginas da imprensa americana
dedicada ao assunto ultimamente, o ator, ex-Mister Universo e ex-Mister
Olympia Arnold Schwarzenegger será o próximo mandatário
estadual. Só mesmo na Califórnia um austríaco
patola, que chegou no pedaço sem falar uma única palavra
em inglês (e continua com um sotaque horroroso), pode se transformar
num campeão de bilheterias, ganhar montanhas e vales de dinheiro,
e
ser eleito, aos 55 anos, para o cargo mais alto do executivo local.
O território ultraliberal, lembram alguns é
domínio do Partido Democrata e Schwarzenegger é republicano
de carteirinha. E daí?
O homem, apesar dessas convicções, casou com uma donzela
do clã Kennedy, o maior bastião democrata americano.
E quem poderia
impedi-lo? Quem vai encarar?
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Altura:
1,88m |Peso: 105 kg
Bíceps: 56 cm | Busto: 144 cm
Cintura: 87 cm| Coxas: 73 cm |
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1977
O filme O homem dos
músculos de aço consolidou
Schwarzenegger, ex-mister
Olympia, como ator-atleta |
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O candidato, se eleito, terá de usar todos seus bíceps,
tríceps, oblíquos, trapézio, panturrilhas,
supino reto e fossa ilíaca na tarefa hercúlea de levantar
o déficit orçamentário local, que já
chega a US$ 36 bilhões. Mesmo assim, Arrrrnold
como é chamado pelos fãs parece querer
mesmo comprar a briga. A ISTOÉ ele disse, na semana passada:
Estou estudando com muito cuidado a situação.
Os políticos parecem ter esgotado seus caminhos. Existem
momentos em que alguém de
fora tem de entrar e assumir o controle. Acho que este momento chegou
para
a Califórnia.
Impeachment A campanha eleitoral deve atrasar ainda
mais os tours de promoção de seu último trabalho.
Mas será um lapso relativamente curto, visto que a corrida
rumo à capital Sacramento deve terminar em outubro, caso
tudo dê certo para o herói. Deve também dar
tudo errado para o atual ocupante do cargo, o governador democrata
Gray Davis, que normalmente ficaria onde está até
2006.
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| 1983
Em Carnival in Rio, o ator, desinibido, rasga a fantasia
em meio ao festival de bumbuns da folia carioca |
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O que acontece atualmente é mais uma fantasia que os californianos,
mestres nesta área, transformaram em realidade. Um deputado
estadual republicano, Darrell Issa, lançou há seis
meses uma campanha para um recall (rechamada
eleitoral, uma espécie de impeachment) do governador. Alega
má-fé, fraude e incompetência administrativa.
Trata-se de uma manobra legalmente possível e que já
foi tentada por 31 vezes em outras épocas, mas com a qual
nenhum incumbente foi retirado do posto. Para a jogada dar certo,
era preciso que a turma do recall conseguisse 900 mil assinaturas
de eleitores do Estado pedindo a efetivação da medida.
Vencida essa etapa, acontecerá um plebiscito em setembro,
no qual se aprova ou não o recall. Por fim, candidatos vários
competem numa nova eleição.
O próprio Issa, que é o único candidato já
declarado, não teria nenhuma chance de conseguir o recall,
não fosse a extrema impopularidade do atual governador, com
apenas 27% de aprovação entre eleitores, e a ajuda
de gente barra-pesada. Arnold andou emprestando seus músculos
para a campanha, enquanto promovia seu Terminator 3.
E pegou gosto pela coisa, tanto que Issa é uma espécie
de azarão nas apostas. O movimento, financiado a princípio
por US$ 500 mil do bolso do deputado, recebeu ajuda bem mais substancial
dos cofres republicanos do Estado e de contribuições
privadas. No dia 15 de julho, já se tinha conseguido 1,6
milhão de jamegões, o que selava a sorte do governador
Gray Davis. Era necessário uma última assinatura:
a do juiz que decidirá a questão. Antes mesmo da retirada
do governador, a imprensa americana já havia eleito
Schwarzenegger governador. Por exemplo, a capa da revista mensal
Esquire titulou: O próximo governador da Califórnia,
realmente. A publicação escalou dois repórteres
para perfilar o ator. O primeiro, uma mulher, revelou um bobalhão
egocêntrico, que se julga artista plástico por pintar
golfinhos em caixas de charuto e projetar relógios que, apesar
de caríssimos, não funcionam. Um pretensioso que ousa
dar conselhos sobre design para os projetistas da General Motors.
Um entrevistado que não fecha a matraca em autopromoção,
impedindo qualquer pergunta. No outro segmento, Esquire publica
a análise de um repórter, homem, na qual Arnold aparece
como estadista. Em reunião do conselho diretor de sua entidade
benemerente na filial de Detroit a National Inner-City Games
Foundation , o astro expõe seus músculos cerebrais,
aconselhando sabiamente, pedindo maior empenho, dando soluções
para os problemas da juventude desamparada. Exige, por exemplo,
que, além dos esportes que formam a engrenagem-mestra
do programa de atividades pós-escola, da fundação
dedicada a crianças dos guetos pobres , também
seja incluído o auxílio educacional aos que estão
atrasados nas aulas normais. O Exterminador, o Bárbaro
Conan quer que seus funcionários sirvam de tutores
para quem tira nota baixa em matemática e contribui, junto
com outros doadores e recursos públicos, para dar mais opções
a crianças que, do contrário, só têm
a rua e seus perigos. É preciso ter uma visão,
uma visão como a que John Kennedy trouxe para os americanos,
diz. Este é um Arnold líder cívico.
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