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28/05/2003
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| Saúde |
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Duro
golpe
A Organização Mundial da Saúde
aprova tratado para restringir o cigarro. Em Nova York, não
se pode fumar em bares e no Brasil as autoridades criam campanha
contra o tabaco |
Juliane
Zaché e Osmar Freitas Jr.
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Cerca
de cinco milhões de pessoas morrem por ano devido a doenças
causadas pelo fumo |
Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) deu mais um golpe duríssimo contra o cigarro. Os 192
países integrantes da entidade aprovaram um tratado mundial
antitabaco cujo objetivo é reduzir o número de mortes
relacionadas ao produto, estimado hoje em cerca de cinco milhões
de vidas perdidas por ano no mundo – entre as doenças
associadas ao cigarro, estão o câncer e enfermidades
cardiovasculares. As medidas previstas no tratado são amplas.
O acordo prevê a restrição da propaganda e venda
de cigarro dentro de cinco anos. Além disso, os países
que assinam o tratado – o Brasil é um deles –
deverão fazer esforços para impedir a comercialização
de cigarro a menores de idade e implantar políticas de impostos
e de preços que diminuam o consumo. Pelo menos 30% do tamanho
das embalagens deverá conter alertas sobre os malefícios
do fumo e os governos se comprometeram a endurecer o combate ao
contrabando de cigarro, entre outras ações. “Agimos
para salvar milhões de vidas e para proteger a saúde
das gerações futuras. A aprovação do
tratado foi um momento histórico”, disse Gro Brundtland,
diretora da OMS.
A ratificação do acordo ocorre em um momento de
pressão mundial contra o tabaco. Em Nova York, o prefeito
Mike Bloomberg, por exemplo, conseguiu em seus domínios aquilo
que nem Adolf Hitler foi capaz de fazer nos dele: proibir o fumo
nos bares. Desde março, ninguém acende impunemente
um cigarrinho na cidade. Aqueles que o fizerem arriscam-se a pagar
multas de US$ 100, obrigando o dono do estabelecimento a também
arcar com taxas que vão de US$ 600 aos US$ 6 mil. O ditador
alemão nunca impôs sua vontade de modo tão abrangente.
Em 1941, por exemplo, o Partido Nazista baniu o cigarro em 60 cidades
alemãs. Também não se fumava em bondes, repartições
públicas, aviões, teatros e nos salões de festas
oficiais. Menores de 18 anos poderiam pegar cadeia – ou ir
para o front oeste, na temível União Soviética
–, caso fossem pegos em público com uma guimba na boca.
Mas nos bares a fúria do Terceiro Reich foi contida: fumou-se
como nunca.
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Enquanto os cigarros se apagam em Nova York, ardem as páginas
da Constituição dos Estados Unidos, na qual a Bill
of Rigths – as emendas que dão as garantias individuais
dos cidadãos – vale como letra morta. Que ninguém
se engane: o fumo mata três milhões de pessoas por
ano nos EUA. “Mas isso não justifica a implantação
do autoritarismo paternalista e a abolição dos direitos
individuais, começando pela Primeira Emenda da Constituição
que garante o direito de livre expressão”, diz o professor
de direito constitucional Laurence Tribe, da Universidade de Harvard
– considerado por muitos como a maior autoridade mundial no
assunto. O professor, diga-se, não fuma. Ele poderia acrescentar
também que a lei antifumo já fez pelo menos uma vítima
fatal. Dana “Shazam” Blake, 32 anos, leão-de-chácara
de um bar de Manhattan, foi esfaqueado e morto há dois meses,
depois de mandar um freguês apagar o cigarro.
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