| MEDICINA
& BEM ESTAR
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28/05/2003
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Além
do corpo
A medicina espiritual desperta
cada vez mais interesse.
Dois eventos científicos serão realizados para discutir
o tema, enquanto centros espíritas que oferecem
tratamento estão lotados |
Celina
Côrtes, Juliane Zaché e Lena Castellón
Colaborou Lia Bock
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Procura:
No centro do médium Waldemar são atendidas 300 pessoas por semana.
A fila de espera é de um mês |
Nesta semana, a Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo – uma das mais importantes da América Latina
– será sede de um encontro que, anos atrás,
dificilmente ocorreria em suas instalações. No sábado
31, médicos, estudantes e outros profissionais da saúde
estarão reunidos em um dos auditórios da instituição
para participar do 1º Simpósio de Medicina e Espiritualidade,
organizado pela Associação Médico-Espírita
de São Paulo. O objetivo do encontro é fazer uma revisão
da literatura científica sobre o tema e confeccionar uma
proposta de inclusão da disciplina “medicina e espiritualidade”
no currículo das escolas médicas. A realização
do evento dentro da USP é sintomática. Mostra que
a comunidade científica começa a se abrir para o estudo
dos fenômenos que envolvem a crença em um mundo espiritual
e suas repercussões na saúde.
Outra evidência da crescente importância do tema será
a realização, também na capital paulista, em
junho, do IV Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita
do Brasil. O encontro reunirá 2,5 mil profissionais brasileiros
e do Exterior. O evento trará cientistas de instituições
estrangeiras respeitadas, como o médico Harold Koenig, diretor
do Centro para o Estudo da Religião/Espiritualidade e Saúde
da Universidade de Duke (EUA). Boa parte dos especialistas estrangeiros
não segue o espiritismo, doutrina que conta com mais de dois
milhões de adeptos no Brasil. Ela é baseada na crença
da existência e imortalidade de espíritos, na sua capacidade
de influenciar a vida e a saúde dos habitantes na Terra e
na possibilidade de comunicação com eles.
Mágoas – A realização
dos eventos é apenas uma mostra do crescimento da medicina
espírita no Brasil. Outra prova da sua força é
o aumento do número de associações médico-espíritas.
Em 1995, existiam nove entidades. Hoje, são 30. Essas entidades
reúnem profissionais que praticam a medicina convencional,
mas usam sua crença para tentar melhorar a saúde do
paciente que quiser receber esse atendimento. De acordo com eles,
o organismo pode ser influenciado por espíritos que partiram
da Terra – chamados de desencarnados – ou por pensamentos
das próprias pessoas. “Indivíduos que guardam
mágoas, por exemplo, sofrem alterações químicas
que podem levar ao aparecimento de doenças ou ao seu agravamento”,
diz Kátia Marabuco, oncologista da Universidade Federal do
Piauí. “Nós, espíritas, também
acreditamos que as pessoas negativas podem atrair espíritos
desencarnados que contribuem para o surgimento de desequilíbrios
físicos e mentais”, explica. A tática dos profissionais
que seguem a doutrina é adotar medidas preconizadas pelo
espiritismo para reverter esses quadros. Uma delas é fazer
a aplicação de passes (imposição de
mãos para energização e transferência
de bons fluidos). Foi dessa forma que a paisagista paulistana Celeste
Nardi, 62 anos, se tratou de depressão e outros problemas.
Há quatro anos, frequenta uma clínica onde recebe
atendimento psicológico e espiritual. Hoje, Celeste está
bem. Para ajudar outros pacientes, ela aprendeu a aplicar o passe.
“Quem passou por uma situação semelhante transmite
uma energia de cura para quem necessita”, diz.
Essas práticas também fazem parte do tratamento aplicado
nos hospitais espíritas existentes no País. Hoje,
há 100 instituições do gênero. São
entidades que oferecem atendimento espiritual gratuito. A maioria
delas é destinada à assistência psiquiátrica.
Nesses locais, o doente é submetido ao tratamento tradicional
– o que inclui remédios e terapia psicológica
– e, se desejar, cuida do espírito. Uma dessas instituições
é a Fundação Centro Espírita Nosso Lar
Casas André Luiz, em Guarulhos (SP). Na instituição
moram cerca de 700 portadores de deficiências mentais e outros
500 são atendidos no ambulatório. A maior parte nasceu
com paralisia cerebral.
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| MIX:
Lúcio tem paralisia cerebral e controlou crises de inquietação
com a associação das terapias convencional e espiritual
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Tese – O psiquiatra Frederico Leão
é um dos médicos da fundação. Surpreso
diante da evolução de doentes que combinavam o atendimento
espiritual e o convencional, ele está fazendo uma tese de
mestrado sobre o assunto, que será defendida na USP. “Vi
casos em que, quando os doentes se submetiam ao tratamento médico
e espiritual, tinham uma evolução boa”, conta.
Um dos casos é o do paciente Lúcio (nome fictício),
30 anos, que nasceu com paralisia cerebral. Ele não se expressa
direito e se locomove numa cadeira de rodas. Há cinco anos,
passou a ficar inquieto e manchas escuras apareceram em sua pele.
“Os médicos fizeram de tudo e nada adiantou”,
lembra-se Márcia Lopes, psicóloga da instituição.
Continuaram com os remédios, mas também aplicaram
o passe. Os sintomas desapareceram.
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