O
enigma da Al-Qaeda
Americanos aumentam nível de
alerta depois de supostos ataques e ameaças da rede, que estaria
se reorganizando |
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Dupla
dinâmica: Al-Zawahiri (à esq.) e Bin Laden
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Foi apenas um dia depois que o governo americano, alarmado com
a onda de ataques terroristas ocorridos no Oriente Médio,
tinha elevado o nível de alerta de “amarelo”
(elevado) para “laranja” (alto), o segundo maior na
escala de cinco cores criada para indicar a possibilidade de ataques
em território americano. Na quarta-feira 21, a rede de tevê
árabe Al-Jazira levou ao ar uma gravação de
áudio de três minutos e meio atribuída ao médico
egípcio Ayman al-Zawahiri, o número dois da organização
terrorista al-Qaeda – liderada por Osama Bin-Laden –,
na qual ele conclama os muçulmanos a retomarem os ataques
contra americanos e judeus. “Considerem seus 19 irmãos
que atacaram a América em Washington e Nova York com seus
aviões como um exemplo”, disse Zawahiri, referindo-se
aos sequestradores que promoveram os atentados de 11 de setembro
de 2001. “Os cruzados e os judeus só compreendem a
linguagem do assassinato, do derramamento de sangue... e das torres
queimando”, trombeteia o líder terrorista. “Ataquem
as missões dos EUA, do Reino Unido, da Austrália,
da Noruega, assim como seus interesses, empresas e empregados”,
conclui o chamado.
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Policiais
montam guarda em frente a Wall Street, certamente um dos mais
atrativos alvos
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O toque insólito foi a referência à Noruega,
já que este país nórdico não apoiou
o ataque anglo-americano ao Iraque, preferindo uma solução
pacífica da ONU, e sua capital, Oslo, foi há dez anos
a sede das negociações para o acordo de paz entre
palestinos e Israel e o estabelecimento da Autoridade Nacional Palestina.
Alguns analistas arriscaram a hipótese de al-Zawahiri, ou
quem quer que seja o dono da voz, ter confundido a Noruega com a
vizinha Dinamarca, que deu apoio decisivo aos EUA e ao Reino Unido
na guerra contra o Iraque. Na dúvida, o governo de Oslo preferiu
não especular e proteger suas embaixadas. O nível
de paranóia com uma nova onda de ataques já havia
levado os governos dos EUA, do Reino Unido, da Alemanha, do Canadá
e da Itália a fecharem, na terça-feira 20, suas representações
diplomáticas na Arábia Saudita, por temor de novos
ataques terroristas, supostamente da al-Qaeda. Na semana passada,
atentados terroristas atribuídos à organização
provocaram a morte de 34 pessoas em Riad (Arábia Saudita)
e 41 em Casablanca (Marrocos).
Pego de surpresa no momento em que a Casa Branca anunciava o lançamento
do presidente George W. Bush à reeleição, o
governo americano reagiu erraticamente. Bush procurou tranquilizar
os americanos dizendo que “quase a metade da cúpula
dessa organização está presa ou morta”.
Bem ao seu estilo texano, o presidente disse que os EUA “perseguirão
os terroristas em todo rincão da terra”. Já
seu secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, voltou a apontar
as baterias contra o regime dos aiatolás do Irã. “Não
há dúvida de que existem membros da al-Qaeda no Irã.
Países que acolhem organizações terroristas
comportam-se como terroristas”, completou o belicoso secretário.
A surpreendente “ressurreição” da al-Qaeda
neste momento – muitos esperavam que a rede lançasse
ataques durante a guerra do Iraque – voltou a colocar dúvidas
sobre a eficácia da estratégia da Casa Branca de combate
ao terrorismo. Segundo o jornal The New York Times, líderes
da al-Qaeda reorganizaram bases de operações em pelo
menos meia dúzia de países, entre eles Quênia,
Sudão, Paquistão e Chechênia. A rede estaria
empregando unidades menores e mais disciplinadas sob o controle
de uma nova geração de líderes. No início
do ano, depois de várias prisões, parecia que a al-Qaeda
tinha sido atingida de morte. Mas desde o ataque americano ao Iraque,
a al-Qaeda tem experimentado um aumento no recrutamento. A rede
terrorista teria hoje três mil membros, contra cerca de 20
mil nos anos 90. “A capacidade deles foi minada. Mas eles
ainda são uma ameaça, ainda estão lutando e
tentando atacar os EUA”, disse um funcionário. De qualquer
forma, permanece um mistério envolto num enigma o paradeiro
de Bin Laden e do próprio Zawahiri, que se refugiaram nas
montanhas do Afeganistão quando os americanos atacaram suas
bases nas montanhas de Tora Bora.
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Terror:
cinco atentados em quatro dias
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Poucas horas antes do primeiro encontro entre o primeiro-ministro
israelense, Ariel Sharon, e seu colega palestino Mahmoud
Abbas, na noite de sábado 17, um homem-bomba explodiu-se
em Hebron, na Cisjordânia, matando dois colonos
israelenses. Era o prenúncio de que os dias que
se seguiriam à primeira reunião entre líderes
de Israel e da Autoridade Palestina desde o início
da Segunda Intifada palestina, em setembro de 2000, seriam
de muita violência. Nos três dias subsequentes,
mais quatro ataques suicidas palestinos mataram 17 pessoas.
Sharon cancelou sua ida a Washington para discutir o plano
de paz chamado “road map”, elaborado pelos
EUA, União Européia, ONU e Rússia,
que prevê a criação do Estado palestino
em 2005. Mas, na sexta-feira 23, o premiê israelense
acabou aceitando o roteiro de paz, anunciando que irá
apresentá-lo a seu gabinete para aprovação.
O pronunciamento de Sharon aconteceu depois de o premiê
Abbas ter concordado com o plano e de o presidente George
W. Bush ter garantido a Israel que irá levar em
conta as possíveis alterações sugeridas
pelo governo israelense.
Fernando F. Kadaoka |
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