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  EDUCAÇÃO & CIDADANIA 28/05/2003
Oportunidade

Cálculos de mestre
Estudante do ensino médio é convidada a fazer curso de pós-graduação em matemática

Neila Fontenele

  José Leomar de Sousa

Que tal fazer um curso de pós-graduação antes do vestibular? Esse desafio foi aceito pela estudante potiguar Larissa Cavalcante Queiroz Lima, 17 anos, que cursa o 3º ano do ensino médio em uma escola de Fortaleza (CE) e está matriculada desde março como aluna regular de mestrado de matemática da Universidade Federal do Ceará (UFC). O convite para ocupar uma cadeira no curso veio após a garota ganhar medalha de prata em
uma olimpíada de matemática, organizada no ano passado pela International Matematical Union, em Glasgow, na Escócia. “Participo dessas competições desde que cursava a sétima série do ensino fundamental”, conta ela.

Larissa fez primeiro um curso de verão na UFC destinado a alunos graduados que pretendiam cursar o mestrado da área. Tirou 10 em todas as matérias e foi convidada pelos coordenadores do curso a fazer o mestrado. Pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), esse tipo de situação pode ocorrer. No caso de Larissa, ela terá que prestar vestibular para regularizar sua situação e comprovar os conhecimentos nas disciplinas oferecidas pelo curso de graduação. O chefe do Departamento de Matemática da UFC, professor Fábio Bezerra Montenegro, lembra que já ocorreram casos semelhantes no Rio de Janeiro. “Um garoto chegou a receber, no mesmo dia, os diplomas de graduação, mestrado e doutorado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa)”, diz ele.

Boa aluna desde pequena, Larissa sempre gostou de matemática,
história e geografia. As aulas de matemática, entretanto, ganharam um sabor especial depois de a estudante se matricular em turmas especiais que preparam para as olimpíadas sobre a matéria. Ela conta que as aulas eram dadas de forma diferente, instigando o aluno a desenvolver um raciocínio lógico. “No colégio, o conteúdo das aulas é dado focando apenas as fórmulas. Não é apresentado como as coisas funcionam. Isso
é o mesmo que aprender a ler e não entender o conteúdo”, define ela. Engajada como voluntária em projetos de educação, ela acha que todo mundo tem capacidade de aprender: “A escola deve ajudar a descobrir esses potenciais”, ressalta.

Larissa ainda não sabe se fará vestibular para matemática ou economia, mas já se prepara para outro desafio: trata-se da Global Young Liders Conference, uma das mais importantes olimpíadas mundiais de matemática, a ser realizada em agosto, nos Estados Unidos.

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