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  EDUCAÇÃO & CIDADANIA 28/05/2003
ISTOÉ São Paulo - Especial

Cada cabeça, uma sentença
Saiba o que deve ser considerado na hora de escolher
a escola de seu filho e confira as melhores opções

 

Felipe Leal
Vera Cruz: recreio na praça, depois
de uma pesquisa entre as famílias dos alunos

Saiba mais sobre as melhores escolas de São Paulo
Dicas para a hora da escolha

Gustavo Fioratti e Marina Caruso

Ba-be-bi-bo-bu. Lembra? Pois é, hoje está tudo mudado. Desde a alfabetização – que não é mais silábica e sim por uma associação de palavras – até a preparação para a faculdade. O ensino brasileiro amadureceu nas duas últimas décadas e, com isso, escolher a escola para seu filho passou a exigir uma reflexão mais afinada e abrangente. Não basta pensar na localização, no preço ou no índice de aprovação no vestibular. Hoje, é fundamental que a família estabeleça um vínculo mais estreito com a instituição de ensino. A escolha da escola ideal deve ser pautada pelos valores dos pais e pelas características da criança. O primeiro passo – como aconselham os profissionais da educação – é não se deixar levar pelo tradicional ranking de escolas. Quem dá ouvidos àqueles que afirmam que determinado colégio é o melhor corre riscos. Se as crianças têm personalidades e históricos familiares diferentes, jamais poderiam ser todas adequadas àquela suposta “primeira escola”. Crianças com aptidões artísticas podem não se dar bem em escolas preocupadas com o vestibular. Como saber qual é a melhor escola para o seu filho, entre as mais de 800 do ensino particular paulistano?

A psicopedagoga e supervisora educacional Clélia Pastorello, juntamente com a ISTOÉ SÃO PAULO, pinçou 36 sugestões de escolas particulares do ensino fundamental e médio, apesar de suas diferentes linhas pedagógicas, são competentes na arte de ensinar. Há na rede particular do município de São Paulo, segundo a Secretaria Estadual de Educação, um total de 277 escolas de ensino fundamental, 41 de ensino médio e 498 “escolonas”, que possuem ensino médio e fundamental. Cada uma com suas particularidades. “As crianças são mais flexíveis. O grande desafio na escolha das escolas está na capacidade de adaptação dos pais”, alerta Cláudia Arantangy, especialista em formação de professores na rede pública. “Famílias que sabem quais os valores que querem para seu filho têm melhores condições de escolher”, completa a especialista, formada em educação física pela USP, mãe de quatro filhos e uma das cabeças da equipe do Ministério da Educação (MEC) que elaborou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Iniciativa do governo FHC, os PCNs estipulam as disciplinas e o conteúdo ideal a ser ensinado. “A principal inovação dos PCNs é o uso do que se chama ‘temas transversais’”, explica Cláudia. Ou seja, assuntos relativos à ética, saúde, orientação sexual, meio-ambiente...

Outro fator é a preocupação da escola na reciclagem do corpo docente. A Escola da Vila, no bairro do Butantã, é famosa por atrair mestres de todo o País interessados em formação curricular e não cobra os cursos de seus professores. Mas o cuidado na escolha da melhor escola para o seu filho não pára por aí. Atualmente, as instituições de ensino têm discursos muito parecidos. “Dizer que valoriza a cidadania, explora o conhecimento ou que adota os PCNs não basta”, alerta Clélia. A empatia com a escola é fundamental. Visitá-la, conversar com outros pais e checar a aplicação do que se prega são práticas que ajudam. A psicanalista de crianças e adolescentes Ana Olmos aconselha a família a não se restringir a procurar escolas que reproduzam uma postura ou ideologia tradicional dentro de casa. “Não podemos esquecer de que a escola deve complementar os valores da família.” O diálogo com os pais é um dos pontos fortes da Escola Vera Cruz, no bairro de Alto de Pinheiros.

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