| EDUCAÇÃO
& CIDADANIA
|
28/05/2003
|
| ISTOÉ
São Paulo - Especial |
Cada cabeça, uma sentença
Saiba o que deve ser considerado
na hora de escolher
a escola de seu filho e confira as melhores opções
 |
Vera
Cruz: recreio na praça, depois
de uma pesquisa entre as famílias dos alunos |
Gustavo Fioratti e Marina Caruso
Ba-be-bi-bo-bu. Lembra? Pois é, hoje está tudo mudado.
Desde a alfabetização – que não é
mais silábica e sim por uma associação de palavras
– até a preparação para a faculdade.
O ensino brasileiro amadureceu nas duas últimas décadas
e, com isso, escolher a escola para seu filho passou a exigir uma
reflexão mais afinada e abrangente. Não basta pensar
na localização, no preço ou no índice
de aprovação no vestibular. Hoje, é fundamental
que a família estabeleça um vínculo mais estreito
com a instituição de ensino. A escolha da escola ideal
deve ser pautada pelos valores dos pais e pelas características
da criança. O primeiro passo – como aconselham os profissionais
da educação – é não se deixar
levar pelo tradicional ranking de escolas. Quem dá ouvidos
àqueles que afirmam que determinado colégio é
o melhor corre riscos. Se as crianças têm personalidades
e históricos familiares diferentes, jamais poderiam ser todas
adequadas àquela suposta “primeira escola”. Crianças
com aptidões artísticas podem não se dar bem
em escolas preocupadas com o vestibular. Como saber qual é
a melhor escola para o seu filho, entre as mais de 800 do ensino
particular paulistano?
A psicopedagoga e supervisora educacional Clélia Pastorello,
juntamente com a ISTOÉ SÃO PAULO, pinçou 36
sugestões de escolas particulares do ensino fundamental e
médio, apesar de suas diferentes linhas pedagógicas,
são competentes na arte de ensinar. Há na rede particular
do município de São Paulo, segundo a Secretaria Estadual
de Educação, um total de 277 escolas de ensino fundamental,
41 de ensino médio e 498 “escolonas”, que possuem
ensino médio e fundamental. Cada uma com suas particularidades.
“As crianças são mais flexíveis. O grande
desafio na escolha das escolas está na capacidade de adaptação
dos pais”, alerta Cláudia Arantangy, especialista em
formação de professores na rede pública. “Famílias
que sabem quais os valores que querem para seu filho têm melhores
condições de escolher”, completa a especialista,
formada em educação física pela USP, mãe
de quatro filhos e uma das cabeças da equipe do Ministério
da Educação (MEC) que elaborou os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs). Iniciativa do governo FHC, os PCNs
estipulam as disciplinas e o conteúdo ideal a ser ensinado.
“A principal inovação dos PCNs é o uso
do que se chama ‘temas transversais’”, explica
Cláudia. Ou seja, assuntos relativos à ética,
saúde, orientação sexual, meio-ambiente...
Outro fator é a preocupação da escola na reciclagem
do corpo docente. A Escola da Vila, no bairro do Butantã,
é famosa por atrair mestres de todo o País interessados
em formação curricular e não cobra os cursos
de seus professores. Mas o cuidado na escolha da melhor escola para
o seu filho não pára por aí. Atualmente, as
instituições de ensino têm discursos muito parecidos.
“Dizer que valoriza a cidadania, explora o conhecimento ou
que adota os PCNs não basta”, alerta Clélia.
A empatia com a escola é fundamental. Visitá-la, conversar
com outros pais e checar a aplicação do que se prega
são práticas que ajudam. A psicanalista de crianças
e adolescentes Ana Olmos aconselha a família a não
se restringir a procurar escolas que reproduzam uma postura ou ideologia
tradicional dentro de casa. “Não podemos esquecer de
que a escola deve complementar os valores da família.”
O diálogo com os pais é um dos pontos fortes da Escola
Vera Cruz, no bairro de Alto de Pinheiros.
|