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Luxo
com sotaque
O designer francês Philippe Starck
irá instalar hotel no Rio |
Liana
Melo
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Starck e uma maquete do hotel: “O Rio é cheio
de energia, é o lugar perfeito para criar o vínculo
afetivo entre o objeto e o homem” |
Tudo nele é superlativo. Da fama que persegue o designer
parisiense Philippe Starck ao mistério que envolve o lançamento
de qualquer um dos seus novos projetos. Depois de virar ídolo
internacional como inventor prolífico, arquiteto de interiores
e exteriores com especial apreço pelo colorido, a grife Starck
aporta no Rio de Janeiro. Precisamente à beira da praia do
charmoso bairro de Ipanema, na zona sul, onde irá instalar
um hotel. Será um projeto turístico, a exemplo dos
sete outros hotéis-butique espalhados por Nova York, Londres,
Tóquio, Paris, Milão, Los Angeles e Buenos Aires.
A inauguração está prevista para meados de
2004 e o projeto vai consumir investimentos de US$ 20 milhões.
“Será um local para pessoas que buscam mais que um
hotel”,
explica Starck. Ele mantém segredo sobre o nome que escolheu
para o empreendimento e as linhas do projeto da fachada ainda poderão
sofrer modificações. Sabe-se que terá nível
cinco estrelas, com 100 quartos
e diárias entre US$ 200 e US$ 250. Desde que começou
a criar moda
e conceito para a indústria hoteleira, ele não parou
mais de aprimorar essa idéia de casa-longe-de-casa ou hotéis-butique.
Com sua criatividade inexaurível, o novo hotel pretende unir
o clássico ao moderno. Com isso, o designer do renomado grupo
Alessi – fabricante
de produtos e móveis com design futurista – avança
ainda mais no seu conceito: “Será um projeto arrojado,
com hotelaria dos anos 40”, diz ele. Esta é a sua definição
para o estilo de atendimento personalizado, em que garçons
e atendentes tratam os hóspedes pelos nomes e guardam suas
principais preferências.
Até conquistar o título de gênio do designer
do final do século XX, Starck reformou os aposentos do ex-presidente
François Mitterrand, no Palácio do Elysée,
e transformou eletrodomésticos em objetos de arte. Seus vôos
criativos, no entanto, nunca foram altos o suficiente para tirar-lhe
os pés do chão. O hotel de Starck no Brasil nasceu
de uma engenhosa operação financeira. Ele foi buscar
parceiros experientes no mercado financeiro – dois ex-executivos
do J.P. Morgan e do Citibank – para criar a subsidiária
da Cosmic Carrot. A negociação durou oito meses.
Acostumado ao sucesso, acredita-se que o novo hotel seguirá
o caminho dos demais. A fórmula é bombástica:
transformar hóteis em pontos de encontro das mais diferentes
tribos, de executivos engravatados a moderninhos descolados. Engenhoso,
inventivo e um ás da comunicação, Starck está
convencido de que a arquitetura e o design exercem uma influência
real sobre as pessoas. Daí o motivo de ter escolhido o Rio:
“Esta cidade é cheia de energia, é o lugar perfeito
para criar o vínculo afetivo entre o objeto e o homem.”
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