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Brasil,
país dos Silvas
O popular sobrenome está em alta.
Tem até uma
exposição em sua homenagem |
Chico
Silva*
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Chefe
Caricatura de Lula, feita por Carlinhos, exposta em São Paulo |
Ser Silva está na moda. Prova maior disso é o próprio
presidente. Lula carrega o sobrenome que é a cara do Brasil.
Ele anda tão badalado que chegou às galerias de arte.
Em São Paulo, a exposição Identidade brasileira:
Brasil da Silva faz sucesso no hall do Sesc Vila Mariana, zona
sul da cidade. A mostra é uma homenagem aos ilustres Silvas
que ajudaram ou ajudam a fazer a história do País.
Com a chegada de Lula ao Planalto, eles se assumiram. “Quem
tinha vergonha está adotando o sobrenome. Sente orgulho de
ostentar o Silva presidencial. A exposição faz reconhecimento
ao sobrenome do brasileiro humilde”, diz Ana Maria Cardachevski,
coordenadora executiva da exposição. No total, a Brasil
da Silva homenageia 28 famosos. As personalidades são
divididas em diversas categorias, desde políticos até
cantores.
Não há no Brasil quem não conheça
ou ao menos ouviu falar de algum Silva. É impossível
saber ao certo quantos são. O Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) não dispõe de tal dado.
Tampouco a Receita Federal, a senhora dos CPFs e do Leão
do Imposto de Renda. As listas telefônicas dos grandes centros
estão coalhadas deles. Pelas suas páginas, seria até
possível fazer uma projeção de quantos seriam.
Mas o número exato...impossível saber. Há controvérsia
quanto à origem do sobrenome. Para alguns historiadores,
ele teria nascido no Império Romano. Denominava aqueles que
habitavam as regiões distantes dos núcleos urbanos.
“Em latim, Silva vem de selva. Era o nome dado às pessoas
que viviam em áreas afastadas das cidades. Tratava-se de
gente corajosa, dotada de grande sabedoria. Enfrentavam animais
selvagens e condições climáticas adversas”,
diz o linguista Flávio di Giorgio, autor do Dicionário
onomástico, obra que busca as origens dos nomes e sobrenomes
dos brasileiros.
As invasões romanas levaram os Silvas à Portugal
e à Espanha. No início, foi adotado pela nobreza.
Reis, duques, dons o incorporaram. Muitos eram naturais da cidade
de Silves, onde nasceu o navegador Vasco da Gama. Há outra
versão para o crescimento dos Silvas. No século XVI,
época da evangelização católica, os
judeus portugueses forçados a aderir ao catolicismo foram
obrigados a adotar nomes cristãos. Eles buscaram inspiração
na natureza. Por isso há tantos Oliveiras, Nogueiras, Carvalhos.
Os Silvas teriam ficado com o nome daquela planta rasteira e cheia
de espinhos que teima em enroscar na roupa.
A aventura marítima lusitana levou os Silvas às
terras de além-mar. Registros históricos mostram que
o primeiro a aportar por aqui foi o navegador Ayres Gomes da Silva,
comandante de uma das caravelas da frota de Cabral. A informação
está na página 24 do livro A viagem do descobrimento
(Objetiva), do historiador e jornalista gaúcho Eduardo Bueno,
o Peninha. Mas o piloto da nau esteve apenas de passagem. O Silva
que deu origem à série foi o alfaiate Pedro, que desembarcou
em 1612. A informação consta no Dicionário
das famílias brasileiras, co-autoria do deputado federal
Cunha Bueno e do pesquisador Carlos Eduardo Barata. O boom dos Silvas
aconteceu ao final do período de escravidão. Quando
vinham da África, os escravos recebiam um nome dado pelos
padres que os acompanhavam nos navios negreiros. Quando libertados
pela princesa Isabel, tiveram a necessidade de adotar um segundo
nome. Sem instrução e opção, acabavam
ficando com o sobrenome dos antigos donos. A miscigenação
se encarregou pela difusão do Silva pelos quatro cantos do
País.
* Silva por parte de pai, Israel Ferreira da Silva,
conterrâneo de Lula. A família tem parentesco com Lampião
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