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  COMPORTAMENTO 28/05/2003
Sociedade
 
Brasil, país dos Silvas
O popular sobrenome está em alta. Tem até uma
exposição em sua homenagem

Chico Silva*

  Ilustração: Carlinhos
  Chefe Caricatura de Lula, feita por Carlinhos, exposta em São Paulo

Ser Silva está na moda. Prova maior disso é o próprio presidente. Lula carrega o sobrenome que é a cara do Brasil. Ele anda tão badalado que chegou às galerias de arte. Em São Paulo, a exposição Identidade brasileira: Brasil da Silva faz sucesso no hall do Sesc Vila Mariana, zona sul da cidade. A mostra é uma homenagem aos ilustres Silvas que ajudaram ou ajudam a fazer a história do País. Com a chegada de Lula ao Planalto, eles se assumiram. “Quem tinha vergonha está adotando o sobrenome. Sente orgulho de ostentar o Silva presidencial. A exposição faz reconhecimento ao sobrenome do brasileiro humilde”, diz Ana Maria Cardachevski, coordenadora executiva da exposição. No total, a Brasil da Silva homenageia 28 famosos. As personalidades são divididas em diversas categorias, desde políticos até cantores.

Não há no Brasil quem não conheça ou ao menos ouviu falar de algum Silva. É impossível saber ao certo quantos são. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não dispõe de tal dado. Tampouco a Receita Federal, a senhora dos CPFs e do Leão do Imposto de Renda. As listas telefônicas dos grandes centros estão coalhadas deles. Pelas suas páginas, seria até possível fazer uma projeção de quantos seriam. Mas o número exato...impossível saber. Há controvérsia quanto à origem do sobrenome. Para alguns historiadores, ele teria nascido no Império Romano. Denominava aqueles que habitavam as regiões distantes dos núcleos urbanos. “Em latim, Silva vem de selva. Era o nome dado às pessoas que viviam em áreas afastadas das cidades. Tratava-se de gente corajosa, dotada de grande sabedoria. Enfrentavam animais selvagens e condições climáticas adversas”, diz o linguista Flávio di Giorgio, autor do Dicionário onomástico, obra que busca as origens dos nomes e sobrenomes dos brasileiros.

As invasões romanas levaram os Silvas à Portugal e à Espanha. No início, foi adotado pela nobreza. Reis, duques, dons o incorporaram. Muitos eram naturais da cidade de Silves, onde nasceu o navegador Vasco da Gama. Há outra versão para o crescimento dos Silvas. No século XVI, época da evangelização católica, os judeus portugueses forçados a aderir ao catolicismo foram obrigados a adotar nomes cristãos. Eles buscaram inspiração na natureza. Por isso há tantos Oliveiras, Nogueiras, Carvalhos. Os Silvas teriam ficado com o nome daquela planta rasteira e cheia de espinhos que teima em enroscar na roupa.

A aventura marítima lusitana levou os Silvas às terras de além-mar. Registros históricos mostram que o primeiro a aportar por aqui foi o navegador Ayres Gomes da Silva, comandante de uma das caravelas da frota de Cabral. A informação está na página 24 do livro A viagem do descobrimento (Objetiva), do historiador e jornalista gaúcho Eduardo Bueno, o Peninha. Mas o piloto da nau esteve apenas de passagem. O Silva que deu origem à série foi o alfaiate Pedro, que desembarcou em 1612. A informação consta no Dicionário das famílias brasileiras, co-autoria do deputado federal Cunha Bueno e do pesquisador Carlos Eduardo Barata. O boom dos Silvas aconteceu ao final do período de escravidão. Quando vinham da África, os escravos recebiam um nome dado pelos padres que os acompanhavam nos navios negreiros. Quando libertados pela princesa Isabel, tiveram a necessidade de adotar um segundo nome. Sem instrução e opção, acabavam ficando com o sobrenome dos antigos donos. A miscigenação se encarregou pela difusão do Silva pelos quatro cantos do País.

* Silva por parte de pai, Israel Ferreira da Silva, conterrâneo de Lula. A família tem parentesco com Lampião

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