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 CIÊNCIA, TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE 28/05/2003
Ecologia

Sinal de alerta máximo
Após 13 anos de espera, Brasil divulga a relação de animais ameaçados de extinção

PERIGO: as espécies em risco e quem saiu da lista vermelha

Cláudia Pinho

  Conservation International
  Símbolos: maior primata das Américas, o muriqui (acima) sofre com a destruição da Mata Atlântica

O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) divulgaram na quinta-feira 22 a nova relação de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. A elaboração da lista vermelha reuniu 200 especialistas da Fundação Biodiversitas, da Sociedade Brasileira de Zoologia, das ONGs Conservation International e Terra Brasilis e de várias universidades nacionais, que elegeram as 395 espécies em perigo. Entre elas estão animais símbolo, como o mico-leão-dourado e o muriqui, que some na mesma proporção em que é destruída a Mata Atlântica, seu hábitat natural. A lista anterior, divulgada há 13 anos, continha 219 animais ameaçados de extinção.

A destruição da natureza, a captura e a caça ilegais são fatores importantes para justificar esse acréscimo. Uma nova metodologia de pesquisa também colabora para a inclusão de 79 espécies, algumas antes inéditas, e a saída de outras 67 (leia quadro). “Não dá para comemorar, mas é um sinal de que os trabalhos de conservação podem dar bons resultados”, diz Luis Paulo Pinto, da Conservation International.

O Ministério do Meio Ambiente anunciou a liberação de R$ 6 milhões para a preservação dos animais da lista. A nova relação usa os mesmos critérios da União Mundial para a Natureza (IUCN), considerada uma referência internacional. Um dos novos métodos é o agrupamento de espécies em categorias: os animais extintos, os extintos na natureza (que só existem em cativeiro), os criticamente em perigo, aqueles em perigo, os vulneráveis e os animais quase ameaçados.

  Paulo Robson de Souza
  Símbolos; a ararinha-azul (à dir.) está extinta na natureza e o esforço de preservação salvou do perigo o jacaré-açu (à esq.)

Pela primeira vez, os cientistas incluíram peixes e invertebrados aquáticos na lista vermelha, mas o Ministério decidiu adiar a divulgação desses grupos para agosto. A inclusão de espécies como o guaiamu está em estudo. O caranguejo, uma iguaria consumida no Norte e Nordeste do País, constava da lista, mas alguns especialistas asseguram que ele permanece abundante. “Se for comprovado que o guaiamu está mesmo ameaçado, quem o capturar poderá ser punido”, diz João Paulo Capobianco, secretário de Biodiversidade e Floresta do Ministério. Péssima notícia para os gourmands.

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