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  BRASIL 28/05/2003
São Paulo  

A ordem rachada
Eleição da nova diretoria da OAB divide advogados

Ines Garçoni

 
  Clodoaldo Pacce acusa Mariz de querer controlar a Ordem dos Advogados

Um verdadeiro bafafá corre solto nos bastidores da Ordem dos Advogados do Brasil, em São Paulo. Na última semana, Carlos Miguel Aidar, presidente da seccional, lançou a candidatura de Vitorino Antunes Neto, tesoureiro recém-licenciado, para a sua sucessão. Ninguém entendeu nada. O problema é que, até então, o vice-presidente Orlando Maluf Haddad acreditava ser o escolhido de Aidar. “Ele dizia para todo mundo que ia me apoiar. Não o fez e eu só soube da decisão por terceiros”, reclama. Vitorino, que até o final do segundo tempo não cogitava disputar, diz que sua candidatura é uma tentativa de aglutinar os outros três postulantes da situação. “Tentamos de todas as formas buscar a unidade. Sem resultado, algumas lideranças entenderam que um nome alternativo, no caso o meu, seria capaz de aglutinar”, explica. Por “algumas lideranças” entenda-se, principalmente, o criminalista Antônio Cláudio
Mariz de Oliveira, mais importante quadro do grupo que está no
poder há duas gestões.

 
  Mariz articulou o lançamento de um candidato que surpreendeu até
seus aliados

Com a confusão instaurada, os partidários de Orlando resolveram comprar a briga. É o caso de Clodoaldo Pacce Filho, que enviou, na quarta-feira 21, uma carta a Mariz cobrando os motivos pela escolha de Vitorino. “A oposição (...) certamente fará uma ‘lambança’ em cima do amigo Vitorino. Sendo o atual tesoureiro da entidade, com um índice de inadimplentes jamais visto na história, terá que se justificar permanentemente perante todos os advogados”, escreveu. Clodoaldo acredita que a derrota do candidato oficial é certa: “Será como bater em bêbado. Respeito o Mariz, mas nesta ele tem que ceder.” Já Vitorino diz que é tudo intriga da oposição. Segundo ele, a inadimplência caiu: “Chamei os inadimplentes para negociar. Consegui que 22 mil acertassem a dívida. Isso fez com que a anuidade não fosse reajustada”, afirma. Vitorino diz que tem conversado com os outros pré-candidatos na tentativa de compor, mas, se depender de Orlando, nada será feito. “Não há hipótese, apesar de ele ser um grande amigo. A forma como foi lançado dificulta o entendimento. O Aidar me apoiava, mas acolheu a opinião do Mariz, que sempre rejeitou minha candidatura.” Clodoaldo é mais incisivo ao jogar a responsabilidade nos ombros de Mariz: “Ele está rasgando sua tradição democrática impondo seu estilo coronelista. É preciso consultar as bases, coisa que não fez.” A reportagem tentou ouvir Mariz, mas o advogado não retornou às ligações.

O presidente nacional da OAB, Rubens Approbato Machado, também não entende o porquê da falta de entendimento. “Isso me causou estranheza. Acho que faltou liderança, porque na minha sucessão consegui aglutinar todos em torno do Aidar”, diz. Seu voto já tem dono. É de Luiz Flávio Borges D’Urso, também da atual diretoria. “Minha candidatura é independente. Ela emerge de um grupo da situação e de parte da oposição”, diz D’Urso. Uma das maiores eleições do País, a escolha do presidente paulista da OAB conta com 164.555 inscritos. É natural que a briga seja grande. “Gosto de ver muitos candidatos. O advogado terá mais opções”, conclui Approbato.

 
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