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  BRASIL 28/05/2003
Rio de Janeiro  

No olho do furacão
Chiquinho da Mangueira, secretário de Esportes, é acusado
por coronel da PM de ajudar o tráfico

Ricardo Miranda

  Marcos Tristão/Ag. O Globo   -   Márcia Foletto/Ag. O Globo
  Chiquinho anda na Mangueira, onde respondeu às acusações do coronel Erir (à esq): convivência não é conivência

Coordenador de projetos sociais na Mangueira, zona norte do Rio de Janeiro, Francisco Manoel de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, 43 anos, montou sua base política no morro e realizou o sonho de todo político: ter um mandato. Recebeu 55 mil votos nas últimas eleições e foi nomeado secretário de Esportes pela governadora Rosinha Matheus. O morro onde Chiquinho pediu apoio, colheu votos e se elegeu é um dos mais queridos do Rio. É o berço da escola de samba mais popular do País, a Estação Primeira de Mangueira, de sambistas imortais, como Cartola e Nelson Cavaquinho, mas também é uma comunidade controlada por traficantes do Comando Vermelho. Como vice-presidente de esportes e desenvolvimento social da Mangueira, Chiquinho foi no dia 14 de fevereiro conversar com o comandante da área, o coronel da PM Erir Ribeiro da Costa Filho. “A autoridade solicitou que se diminuíssem as incursões no complexo pois o sr. secretário estaria sendo pressionado pelo tráfico”, denunciou o coronel Erir em relatório reservado, de 17 de fevereiro, que passou de mão em mão até chegar ao então secretário de Segurança Josias Quintal, que o considerou um relato sem provas. Na terça-feira 20 de maio, ao deixar o cargo, o coronel colocou a boca no trombone. Seu relatório vazou e, num discurso à tropa, disse que sua saída significava que “o bem foi derrotado pelo mal através da política”. Com três meses de atraso, a investigação foi aberta.

Chiquinho confirma o encontro, no qual estava acompanhado por presidentes de associações de moradores. Confirma até o pedido de trégua. Mas explica que estava pensando nas crianças. “É troca de tiro dia e noite no morro. Fiz ver a ele que as incursões da PM precisavam ser mais bem planejadas para que, com a volta às aulas, nenhuma criança inocente fosse atingida”, explicou Chiquinho, que nega ter sido pressionado por traficantes.

Passou a semana posando ao lado de lideranças mangueirenses, que prestaram solidariedade, e desfilou pelo Buraco Quente, uma localidade onde a polícia só entra debaixo de tiroteio. Aproveitou para negar que haja conivência entre as associações de moradores e os traficantes. “Não há conivência, há convivência”, ensinou. O Clube dos Oficiais da PM, por sua vez, apoiou o coronel Erir, que chegou a ser preso e, logo depois, solto. Talvez por isso, o secretário de Segurança, Anthony Garotinho, falou em politização do caso. “O nobre comandante foi presidente do Clube dos Oficiais da PM”, alfinetou Garotinho, para quem o coronel foi ineficiente no posto.

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