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  BRASIL 28/05/2003
Congresso  

Fatura a prazo
PMDB ganha cargos para entrar na base de Lula,
enquanto espera por dois ministérios

Weiller Diniz

  Ichiro Guerra
  Dirceu e Renan Calheiros: apelo
governista vence vontade de
ser de oposição

A nova cúpula do PMDB – o presidente do Senado, José Sarney (AP), e os líderes Eunício Oliveira (CE) e Renan Calheiros (AL) – não terá nenhum empecilho para aprovar na reunião da Executiva do partido, nesta terça-feira 27, a adesão formal à base parlamentar do governo. Depois de experimentar o poder, o PMDB concluiu que não se sente confortável na oposição. Desde o fim do regime militar, o partido já integrou os governos de José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e, agora, arrumou a bagagem para se alojar na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governismo peemedebista só perdia, até agora, para o PFL, que participou de todos os governos, inclusive o de Fernando Collor, do qual o PMDB ficou distante.

A adesão ao governo, no entanto, não sairá de graça. Tem um preço combinado: dois ministérios e centenas de empregos no segundo
escalão do governo. Os cargos menores já começam a ser preenchidos, mas os ministérios só virão depois que o partido pagar algumas faturas nas votações no Congresso. “O maior partido da base não pode ter só
um ministério”, disse Renan, em conversa com um amigo. O PMDB tem
a promessa de ir para o Ministério da Integração Nacional, que seria desocupado até julho com o remanejamento do ministro Ciro Gomes
para outra pasta. O segundo ministério seria o das Minas e Energia
ou o das Comunicações.

Na última reunião do PMDB com Lula, depois de quatro meses de negociações com o chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, o próprio presidente deu a deixa que faltava. “Se vocês quiserem, eu faço a reforma ministerial agora. Só não acho que seja bom para vocês e para mim neste momento. Se for o caso, qualquer companheiro pode entregar a carta”, disse Lula, abrindo as largas portas ministeriais para os sorridentes peemedebistas. Combinaram que o embarque no governo seria feito a prazo, para descaracterizar a fisiologia. O Palácio pediu que o PMDB nomeasse o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual, uma diretoria do Banco do Nordeste do Brasil, o chefe da Agência Nacional de Transportes, a vice presidência de Furnas e uma penca de cargos federais nos Estados. Pelas contas dos caciques, cada um dos 68 deputados do partido já indicou um apadrinhado.

Desde a semana passada o senador Amir Lando (RO) virou líder do governo no Congresso, um cargo honorífico, mas que lhe permite participar das tertúlias palacianas. José Sarney nomeou o presidente e um diretor da Eletronorte, um diretor da Eletrobrás e outro da Caixa Econômica Federal. O ex-senador Sérgio Machado (CE) já foi indicado para presidir a Transpetro e o ex-deputado Aluízio Vasconcellos (MG) já ocupa uma diretoria da CBTU. O cheiro do poder começa a inflar o partido. Dois senadores já se filiaram ao PMDB depois da eleição e o pefelista Leomar Quintanilha (TO) é o próximo a trocar de camisa. Na Câmara, a bancada também irá engordar: “Depois do apoio ao governo, vamos receber pelo menos seis deputados”, comemora Eunício Oliveira.

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