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 ARTES & ESPETÁCULOS 28/05/2003
Cinema

Visão fiel
Desmundo impressiona pelo rigor histórico

Luiz Chagas

  Divulgação
  Simone e Ciocler: vértices de um triângulo amoroso de fim trágico

Há cerca de três anos, enquanto cuidava do lançamento de Castelo Rá-tim-bum – o filme, que havia co-produzido com Cao Hamburger, o diretor Alan Fresnot já falava com orgulho de seu próximo trabalho, a essa altura já adiantado. Segundo ele, o longa-metragem, o quarto de sua carreira, baseado em livro homônimo de Ana Miranda, serviria para matar a curiosidade sobre como seria o País logo após o descobrimento. O resultado, que conservou o nome Desmundo (Brasil, 2003), em cartaz a partir da sexta-feira 30 no Rio, Brasília, São Paulo
e interior paulista, se passa em 1570 e mostra a chegada de um grupo
de órfãs enviadas pela rainha de Portugal – uma forma de evitar a
mistura entre colonizadores e nativas. Recém-saída de um convento, Oribela (Simone Spoladore) é a prometida do rude senhor de engenho Francisco de Albuquerque (Osmar Prado). Com o tempo os dois acabarão formando um triângulo amoroso com o cristão-novo Ximeno (Caco Ciocler), de consequências trágicas.

O grande mérito de Fresnot, um pioneiro da geração de cineastas da folclórica Vila Madalena paulistana, está no trabalho de reconstituição de época, com destaque para a direção de arte de Adrian Cooper e os figurinos de Marjorie Gueller. Vale ressaltar também as participações de Beatriz Segall, Cacá Rosset, Berta Zemel, José Rubens Chachá e Arrigo Barnabé. Preciosismo dos preciosismos, o diretor se deu ao luxo de fazer um filme falado em português arcaico, dotado de legendas. Tal esmero, poucas vezes visto em nosso cinema, acaba colocando a nu a fragilidade do argumento, tornando o drama histórico um pouco longo demais.

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