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& ESPETÁCULOS |
28/05/2003
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| Livros |
Falso guru
Ser feliz esculhamba com a
auto-ajuda
Luiz Chagas
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Ferguson:
diversão inteligente
ao criticar as saídas fáceis |
Edwin De Valu trabalhava no departamento de não-ficção
da editora Panderic Inc. Sua mulher, Jenni, era uma linda e elegante
consultora on-line de uma remota corretora de valores. Ou seja,
trabalhava em casa, que era decorada com post-its do tipo “parece
que alguém tem bebido muito” afixados nas latinhas
de cerveja do marido. Sentindo-se tolhido, Ed, em vez de voltar
para o aconchego do lar, preferia alimentar um romance platônico
com a colega May Weatherhill, editora-chefe adjunta de não-ficção,
excluindo biografias, mas incluindo anjos e abduções
por alienígenas. Partindo desses dados, o escritor canadense
Will Ferguson construiu Ser feliz (Companhia das Letras,
400 págs., R$ 41) onde esculhamba os livros de auto-ajuda.
No seu texto a loucura começa, ou aumenta, quando Ed se
vê obrigado
a publicar o calhamaço O que aprendi na montanha,
assinado por um suspeito Rajee Tupak Soiree. Sem querer, o que tinha
em mãos era um livro de auto-ajuda que funcionava. Ele logo
percebe que se as pessoas fossem realmente felizes e satisfeitas
o mundo tal como o conhecemos pararia. As primeiras vítimas
seriam a indústria do tabaco e do álcool,
mas o editor, estranhamente imune ao livro, só se sente mortalmente
atingido quando May – e Jenni, claro – sucumbe aos encantos
de Soiree. Sua luta a partir desse momento é encontrar e
destruir esse guru de
meia tigela. E é do confronto entre os dois que surge uma
terceira verdade ainda mais banal. Ou mais terrível. Justamente
por ser real.
A história toda é garantia de diversão inteligente
e apenas isso – o
que não é pouco hoje em dia.
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