| ARTES
& ESPETÁCULOS |
28/05/2003
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| Vídeo |
Cores em movimento
Documentários sobre arte crescem
com
a demanda da tevê e de instituições
Ivan Claudio
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Mabe:
tema do trabalho de Van
Steen e Paula, baseado na biografia
Chove no cafezal |
Uma das funções da crítica sempre foi introduzir
o espectador no universo do artista enfocado. Diante da complexidade
da produção contemporânea, cada vez mais afastada
das linguagens tradicionais, o que vem se passando é exatamente
o contrário. Valendo-se de abordagens cifradas, os especialistas
parecem gastar páginas e páginas para exatamente trancar
as portas de acesso ao vocabulário particular dos artistas.
Não deixa de ser sintomática, portanto, a profusão
de vídeos e filmes
sobre pintores e escultores, visando suprir justamente esta lacuna.
Inúmeras iniciativas podem ser citadas, como as do Itaú
Cultural de
São Paulo, que mantém uma política de fomento
a trabalhos do gênero,
e da Rede Sesc-Senac de Televisão-STV, em cuja grade destaca-se
o programa Mundo da arte, com documentários sobre
artistas nacionais. Outra emissora que sempre abriu espaço
para produções similares é
a TV Cultura, envolvida em mais um projeto, Manabu – biografia
documental de Manabu Mabe, de Ricardo van Steen, sobre um dos
mestres da pintura abstrata brasileira.
Orçado em R$ 600 mil, Manabu é uma produção
da Canal Azul e será comercializado pela Dainet Multimídia
e Comunicação. Assina o roteiro a jornalista Paula
Alzugaray, que se baseou na autobiografia de Mabe intitulada Chove
no cafezal, buscando assim ultrapassar os limites das artes
plásticas. “A abordagem vai ser mais focada em cima
do homem do que do pintor”, explica Paula. Nascido no Japão
em 1924, Mabe veio com a família para o Brasil ainda garoto.
Trabalhou na terra, seguindo a atividade do pai, que se tornou agricultor.
Plantava café. Nos dias de chuva, quando não podia
ir para o campo, pintava. “A produção plástica
dele começou pela observação dos cafezais e
da mudança das estações”, conta Paula.
“São momentos muito tocantes que me remetem à
poesia de Akira Kurosawa”, completa Ricardo van Steen, que
vai lançar mão da ficção, usando dois
atores para encarnar o artista, morto em 1997. A parte documental
vai reunir entrevistas, o registro da obra e trechos da sua inédita
produção em super 8, que poderá ser conhecida
em meados do ano que vem, quando Manabu será exibido
na TV Cultura.
Mas não é só a televisão que tem veiculado
obras do tipo. Galerias e instituições culturais têm
produzido ou encomendado trabalhos visando ao melhor entendimento
de suas mostras. Caso do já citado Itaú Cultural,
com a série Encontros, que tem na sua videoteca trabalhos
como Ianelli, do crítico e cineasta Olívio
Tavares de Araújo, cuja filmografia soma cerca de 50 vídeos
e curtas-metragens sobre arte. Segundo Roberto Cruz, gerente do
Núcleo de Cinema e Vídeo, esta é uma preocupação
antiga. “Desde a sua criação, o instituto tem
a intenção clara de formar um acervo para documentar
o artista brasileiro”, diz. Outra instituição
que adotou a prática foi o Instituto Tomie Ohtake, que contrata
os serviços da produtora Documenta Vídeo Brasil, de
José Roberto Cintra e Cacá Vicalvi. A dupla, que assinou
um recente documentário sobre Daniel Senise, é também
responsável pelos programas de meia hora, exibidos quinzenalmente
na STV. “O viés é tentar entender o processo
de criação do artista”, explica Cintra, que
finaliza um documentário sobre Leonilson.
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