| ARTES
& ESPETÁCULOS |
28/05/2003
|
 |
| Cinema |
Calafrios
O olho que tudo vê exibe terror
caseiro
Luiz Chagas
| |
 |
| |
A
turma entre quatro paredes: Big brother somado
a Bruxa de Blair |
Premiado no festival de Edinburgh, Escócia, e ainda inédito
nos Estados Unidos, O olho que tudo vê (My little eye,
Inglaterra/Estados Unidos/França, 2002), em cartaz nacional
a partir da sexta-feira 30, parece ser a surpresa da temporada.
A começar pela ótima idéia do diretor galês
Marc Evans em misturar a estética caseira de A bruxa de
Blair com o estilo dos reality shows. Contando com um elenco
de novatos, americanos e canadenses, o filme mostra o cotidiano
de cinco jovens que aceitaram viver durante seis meses em um casarão
perdido nos Estados Unidos – a locação, na verdade,
foi realizada na Nova Escócia, Canadá. Nesse lugar,
cercado pela neve, eles são filmados ininterruptamente e
suas imagens passam a ser veiculadas via internet. Lutam pelo prêmio
de US$ 1 milhão, desde que ninguém desista, exigência
que colabora para tornar o clima insuportável.
Como em Bruxa de Blair, parte do suspense se deve às
imagens precárias, captadas por webcams e câmeras digitais.
Cada movimento do misterioso Matt (Sean Cw Johnson), da volúvel
Charlie (Jennifer Sky), do punk Rex (Kris Lemche), do inseguro Danny
(Stephen O’Reilly) e da apavorada Emma (Laura Regan, um xerox
de Mia Farrow em O bebê de Rosemary), evidencia que alguém
mais os observa além das câmeras. Aos amantes do gênero,
a propaganda do filme alardeia que medo é quando não
se sabe algo. Terror é quando se descobre.
|