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ISTOÉ – Quais os outros problemas causados
pela doença?
Ramacciotti – Outro risco da TVP é a síndrome
pós-trombótica. O doente que tem uma trombose, mesmo
tratando de forma adequada, raramente consegue desobstruir 100%
da veia acometida. O paciente fica com uma sequela, que é
uma hipertensão venosa profunda. Ela pode causar varizes,
dermatites e úlceras de pernas, entre outros problemas. Esse
tipo de hipertensão acomete de 0,5% a 2% da população
brasileira. O que é um problema de saúde pública
grave.
ISTOÉ – Não cuidar dessa síndrome
acaba saindo caro?
Ramacciotti – Um recente estudo nosso mostra que,
aqui no Brasil, cuidar da síndrome pós-trombótica
grave durante um ano custa de R$ 3 mil até R$ 8 mil por ano
por paciente, levando em conta as cirurgias para tratar úlceras,
medicamentos e afastamento do trabalho. É muito mais barato
prevenir e cuidar corretamente para evitar as complicações.
ISTOÉ – Quais os objetivos da campanha realizada
pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular?
Ramacciotti – Ela visa conscientizar a população
e os médicos. Estão sendo distribuídos 140
mil folhetos sobre a doença para o público em ações
que acontecem em aeroportos e shoppings, além de anúncios
em veículos de comunicação e outdoors espalhados
nas principais capitais, entre outras coisas. O aumento do fluxo
nos consultórios está mostrando que a iniciativa tem
surtido efeito. As pessoas têm nos procurado. A campanha conta
também com um site (www.riscotvp.com.br),
que informa a população a respeito da doença.
E temos desenvolvido um programa de treinamento para os médicos.
ISTOÉ – Por quê? Eles não estão
preparados para identificar os casos e tratar os pacientes?
Ramacciotti – Teriam de estar. Temos dados que mostram
que apenas 38% dos médicos brasileiros estão preparados
para diagnosticar a enfermidade. Por isso, temos dado palestras
sobre como prevenir, diagnosticar e tratar. Todo cirurgião
e todos os que internam doentes, independentemente da especialidade,
devem estar habilitados para detectar e tratar a TVP.
ISTOÉ – Quem são as pessoas mais suscetíveis
à TVP?
Ramacciotti – Existe uma explicação
da medicina que determina três fatores que levam à
trombose. Para o sangue virar uma espécie de gelatina dentro
da veia, é preciso a ocorrência de alterações
de coagulação, ficar por um período muito longo
parado ou ter lesão das células que recobrem o interior
dos vasos. Esses três fatores explicam a trombose. E permitem
imaginar quais as pessoas mais suscetíveis. Indivíduos
que ficam imobilizados por períodos prolongados, que passaram
por grandes cirurgias, fazem uso de terapia de reposição
hormonal e de contraceptivo oral, são portadores de doenças
clínicas graves, como insuficiência cardíaca,
e que se submetem à radioterapia e quimioterapia são
alguns dos mais expostos à TVP. Nós sabemos que há
fatores genéticos que tornam algumas mais suscetíveis.
ISTOÉ – Quais são eles?
Ramacciotti – Sabemos que pessoas com história
familiar de trombose têm maior propensão à doença.
Isso porque já identificamos alguns fatores genéticos
que deixam as pessoas em situações que chamamos de
pró-coagulantes. Esses indivíduos, quando expostos
aos riscos da TVP, têm mais chance de desenvolver a enfermidade.
É importante que, antes de procurar o médico, as pessoas
saibam se há na família parentes com TVP. O fato de
ter um familiar que teve ou tem trombose é importante na
hora em que o indivíduo vai fazer uma cirurgia, por exemplo,
já que essa é uma situação de risco.
ISTOÉ – Qual o processo orgânico que
leva à TVP?
Ramacciotti – A trombose é um processo fisiológico.
Toda manhã, me corto quando me barbeio. Meu organismo forma
um coágulo para estancar o sangue, só que o corpo
tem um sistema anti-trombótico natural que impede que essa
trombose progrida e me cause algum mal. Quando esse processo de
autoproteção do corpo é quebrado por um longo
período de cama, por um câncer ou por uma cirurgia,
entre outras situações, a pessoa fica exposta à
TVP. Obesidade e varizes também são fatores de risco.
O que não significa que quem tem varizes vai ter trombose,
mas, sim, que corre mais risco do que as que não têm.
A mesma coisa ocorre com a obesidade.
ISTOÉ – Quais os principais sintomas da TVP?
Ramacciotti – Dor forte na extremidade acometida,
que vem acompanhada de um inchaço característico que
chamamos de empastamento, por deixar a região dura. Isso
pode vir associado
de aumento de temperatura e dor quando há movimento ou quando
se palpa a área afetada.
ISTOÉ – Qual o exame para detecção
do problema?
Ramacciotti – O mais eficiente é uma ultra-sonografia
especial que mapeia o sistema circulatório. O aparelho mede
a velocidade do fluxo sanguíneo. No ponto onde há
trombose, não tem fluxo.
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