| CIÊNCIA,
TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE |
14/05/2003
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Prisioneiros do medo
Portas blindadas, fortalezas
subterrâneas de concreto
e implantes de chip guiados por satélite são as novas
armas a serviço da segurança
Julio Wiziack
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Rastreador:
dois mil brasileiros
esperam para implantar o chip
menor que um grão de arroz |
Escapar das estatísticas da criminalidade está cada
vez mais difícil. O número de assaltos, sequestros
e homicídios há muito ultrapassou a barreira do aceitável.
Se é que se pode aceitar conviver com barbaridades. Menos
de 10% dos criminosos suspeitos vão parar na cadeia. O pânico
espalhou-se pelas ruas e está cada vez mais próximo
de casa. Diante da incapacidade do Estado em conter o avanço
da barbárie, são os equipamentos de alta tecnologia
que surgem como aliados na queda-de-braço contra o crime.
O mais novo desses aliados é o PLD, sigla para Personal Location
Device, ou dispositivo de localização pessoal, em
português. Menor do que um grão de arroz, o chip pode
ser implantado no corpo humano e se comunica com um satélite,
que dá as coordenadas precisas de sua localização.
A traquitana projetada pela empresa americana Applied Digital
Solutions ainda nem recebeu a aprovação das autoridades
dos EUA e já provoca furor. O dispositivo deve chegar ao
País no próximo ano e há uma lista de espera
de pelo menos dois mil brasileiros interessados em implantar o circuito
eletrônico na própria pele. A grande vantagem do chip
é que ele pode tornar quase instantânea a localização
do cativeiro em caso de sequestro. O chip sai de fábrica
com um software programado para alertar uma central de vigilância
sempre que algo fora do normal for detectado pelo satélite.
Esse sistema funciona como a central de um cartão de crédito.
Cada cliente tem um perfil de compras e, toda vez que um pagamento
foge ao comportamento usual, a central tenta descobrir o que houve
de atípico. O PLD vai custar algo em torno de US$ 10 mil,
um pouco mais que o chip da concorrente Gen-Etics, o Sky-Eye, que
já está implantado na pele de 45 milionários
ao redor do mundo.
Guerra – A paranóia é tanta
que um seleto grupo de empresários brasileiros desembolsou
cerca de US$ 100 mil para construir sua
própria fortaleza, os famosos bunkers. Essas construções
subterrâneas são comuns em cenários de guerra.
Recentemente, as tropas anglo-americanas arrombaram um dos refúgios
blindados que pertenciam
ao ditador iraquiano Saddam Hussein. Nem em cidades ameaçadas
por ciclones há construções tão resistentes.
Ainda assim, estima-se
que existam duas centenas de bunkers no Brasil. Para escavá-los,
é preciso ter autorização da prefeitura, mostrar
a planta, e isso
significa expor a muitos um esquema de segurança que só
faz sentido
se for mantido em segredo.
Há pelo menos quatro grandes empresas especializadas nesse
tipo de empreendimento e elas não abrem a identidade de seus
clientes sob pena de pagarem indenizações estratosféricas.
Por isso, nem mesmo os pedreiros levam a obra até o final.
Eles passam, no máximo, duas semanas com a mão na
massa e depois são substituídos por nova turma de
construtores. A neurose pelo sigilo é tanta que, para despistar
sua real intenção, um empresário do setor comercial
mandou erguer em madeira um estande de 60 metros quadrados no jardim
de sua casa. Contratou um decorador renomado que o equipou e mobiliou
para uma suposta festa que aconteceria ali, dentro do caixote. O
estande, na verdade, reproduzia as dimensões do bunker escavado
no subsolo. O que o dono da casa não queria era revelar seu
esconderijo ao decorador.
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