| CIÊNCIA,
TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE |
02/04/2003
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Pérolas aos porcos
O mercado de produtos reciclados
movimenta US$ 4 bilhões
ao ano, traz benefícios ao meio ambiente, mais economia
para a indústria e inspiração aos artistas plásticos
Juliana Vilas
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Exemplo:
Greice Costa e Huan Gomes usam três lixeiras para separar os
resíduos sólidos em casa |
Para poupar os aterros sanitários já saturados e
implantar a coleta seletiva, a Prefeitura de São Paulo distribuiu
os primeiros carnês para a cobrança do lixo. Foi a
única no País a taxar sua população.
Por mais polêmica que seja, a medida é urgente. O lixo
produzido diariamente na cidade encheria seis estádios do
Pacaembu. Apenas 0,03% dessa montanha é reciclado e uma parcela
ínfima dos paulistanos separa o lixo em casa, o que coloca
a capital entre as cidades que menos recicla no Brasil, proporcionalmente.
A coleta seletiva começou e parou na gestão da hoje
deputada federal Luiza Erundina (1988-1992). Nos oito anos seguintes,
a prefeitura não investiu um centavo e as poucas iniciativas
partiram de empresas privadas.
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| Babel:
criada pelo designer Júlio Sannazzaro, a luminária é feita com
garrafas de vidro e discos de material plástico poliestireno
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Os lixões da cidade mostram sinais de esgotamento e o paulistano
vai sentir no bolso o quanto é importante reduzir a produção
de lixo e aderir à reciclagem. Pela nova medida da prefeita
Marta Suplicy, quem produz mais lixo paga mais. Ganha quem limitar
o acúmulo de resíduos em casa. O designer gráfico
Huan Gomes e a jornalista Greice Costa fazem parte desse pequeno
grupo. Há dois anos, eles colocaram três lixeiras na
cozinha do apartamento onde moram, no bairro de Pinheiros. “Elas
medem o nosso consumo. Sabemos pelas embalagens o que comemos e
o que devemos mudar”, explica Huan. Mais do que separar materiais
em lixeiras diferentes, o casal evita comprar produtos com mais
de uma embalagem. “Escolhemos marcas que não tenham
bandejas de isopor e plástico, por exemplo. A idéia
é produzir cada vez menos lixo.”
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Cacos:
o casal de artistas
Beth e Eduardo Prado
compra vidro de catadores
de lixo para triturar, colar
e fazer seus pratos |
Se em São Paulo o sistema só entra em funcionamento
agora, em algumas cidades, como Porto Alegre e Curitiba, selecionar
o lixo em casa é um serviço disponível para
100% da população. Apenas 192 cidades têm programas
implantados – em 1994, eram só 81. O Brasil é
campeão mundial em reaproveitamento de latas de alumínio
não por consciência ambiental, mas porque a atividade
virou fonte de renda. Com o apoio de prefeituras, empresas
e ONGs, os catadores formam cooperativas para recolher e separar
os resíduos. Algumas iniciativas, como a do Centro Ambiental
da Vila Pinto, em Porto Alegre, dão o exemplo. A reciclagem
movimenta cerca
de R$ 4 bilhões ao ano, gera 500 mil empregos diretos e exige
o mínimo de investimentos. No Brasil, é um mercado
que cresce, em média,
25% ao ano, ainda bem longe do que poderia avançar. Apenas
6%
do lixo sólido produzido no País retorna à
indústria na forma de matéria-prima. O entrave está
na deficiente coleta seletiva, que depende
da população e das prefeituras.
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