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A
armadilha de Bush
A invasão do Iraque começou mal. Após a primeira
semana de guerra já está claro que a arrogância
superou a prudência nas estratégias bélicas
da coalizão liderada por Bush. Pressionado pela opinião
mundial, já furiosa com a invasão, Bush optou por
chegar logo a Bagdá e acabar logo com a brincadeira, reduzindo
Saddam Hussein a pó. Achou que as forças da coalizão
seriam aplaudidas pelos iraquianos, cansados de Saddam. Não
está dando certo. A cidade portuária de Umm Qasr,
de apenas quatro mil habitantes, demorou quase uma semana para ser
tomada. Basra, com 1,3 milhão de habitantes, continua cercada
e oferecendo resistência. Os cerca de 20 mil homens da 3ª
Divisão de Infantaria Mecanizada cumpriram à risca
as ordens e chegaram rapidinho às cercanias de Bagdá.
O que foi fatal. Suas preciosas linhas de suprimento – água,
comida, munição, combustível –, normalmente
mais lentas, ficaram distantes e vulneráveis e vêm
sendo atacadas pelos iraquianos. Estes sim não cumpriram
os planos de Bush. O presidente americano não esperava resistência
de um país destruído e combalido e achava que a facilidade
que seu pai teve, em 1991, para tirar os iraquianos do Kuwait seria
repetida agora. Bush e seus Rumsfelds e Wolfowitz não pensaram
que a grande diferença entre as duas guerras era que, na
primeira, os iraquianos foram tirados de um país que haviam
invadido. Nessa, eles é que estão sendo invadidos.
Por mais que detestem o ditador sanguinário Saddam Hussein,
não é ele quem está jogando Tomahawks em suas
cabeças e ameaçando invadir seus quintais.
A equação de custo e benefício para Bush
não é nada animadora. Se ele entra em Bagdá,
a carnificina será inevitável. E de ambos os lados.
Se resolve manter um cerco, o sofrimento dos quatro milhões
de habitantes da cidade não será suportado pela opinião
pública mundial. O que há de bom nesta tragédia
é que a doutrina Bush – e a pergunta que a acompanha:
o que virá depois do Iraque, a Coréia do Norte, o
Irã? – corre o saudável risco de já nascer
morta, atingida pela arrogância e insensatez de seus mentores.
Hélio Campos Mello, Diretor de Redação
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