| BRASIL |
26/03/2003
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| Capa
- Guerra no Iraque |
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A
aposta de Lula
Brasil critica ataque americano
ao Iraque e acredita na
“neutralidade” e no fortalecimento da ONU |
Confira
também:
Eduardo
Hollanda e Sônia Filgueiras
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Lula criticou a Casa Branca e defendeu a ONU como fórum
privilegiado para resolver conflitos internacionais |
A posição do Brasil a favor de uma solução
pacífica para a crise do Iraque, contra uma ação
militar sem autorização expressa do Conselho de Segurança
das Nações Unidas, e em defesa do Conselho e da própria
ONU como os organismos adequados para a solução de
crises mundiais colocou o País em lado oposto aos Estados
Unidos. Mas este antagonismo, ao que tudo indica, deve ficar restrito
a questões específicas de política internacional,
não interferindo na extensa pauta, especialmente econômica,
que os dois países têm pela frente nos próximos
anos. No auge da crise na semana passada, por exemplo, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva adotou, em um primeiro momento,
um tom agressivo, como na terça-feira 18, quando criticou
o ultimato dado na véspera por George W. Bush ao Iraque.
“O pronunciamento do presidente Bush foi muito forte porque,
na minha opinião, desrespeita a ONU, não leva em conta
o Conselho de Segurança e o que pensa o restante do mundo”,
afirmou. Lula disse também que ninguém é a
favor do Iraque ter armas de destruição em massa e
que o desejo do mundo é viver em paz. “Agora, isso
não dá
o direito aos EUA de decidir o que é bom e o que é
ruim para o mundo. Isso é grave para o futuro da ONU, que
é uma referência de comportamento para as nações”,
criticou.
Essa posição de Lula já tinha recebido apoio
unânime do Congresso Nacional. Tanto Câmara quanto Senado
tinham aprovado moções de repúdio à
guerra e em defesa do papel mediador do Conselho de Segurança.
“Lula falou nesse tom naquele momento porque sabia que o País
o apoiava. É um líder que trabalhou todo o tempo pela
solução pacífica, dando respaldo integral à
ONU”, afirmou a ISTOÉ uma alta fonte diplomática.
Dado o recado, coube ao próprio Itamaraty acalmar as coisas.
O chanceler Celso Amorim lembrou que o Brasil não tinha se
tornado um inimigo de Washington, citando as amplas relações
comerciais entre os dois países (os EUA são o maior
mercado externo para produtos brasileiros) e também a agenda
de negociações entre os dois países para os
próximos anos, que inclui a Alca.
Guerra iniciada, o discurso de Lula na quinta-feira 20 centrou-se
nas ações efetuadas a favor da paz. Este engajamento
de Lula e do Brasil na defesa da ONU e de seus organismos como o
Conselho de Segurança é justificado por diplomatas
de forma simples: trata-se da única forma de defesa contra
um poder hegemônico e unilateral, os EUA. “Não
se pode prescindir do sistema de concertação política
internacional que as Nações Unidas representam. No
momento em que o Conselho de Segurança, o órgão
mais poderoso da ONU, se vê privado de decidir sobre uma guerra
por causa de uma decisão unilateral, cria-se uma situação
internacional de muita instabilidade”, afirma um diplomata.
O Itamaraty considera que é perfeitamente possível
ocorrer um movimento internacional de apoio à ONU. Nessa
“reconstrução” da ONU, a tese da ampliação
do número de integrantes do Conselho de Segurança,
com a inclusão de membros permanentes escolhidos entre os
países em desenvolvimento, como o Brasil, volta a ser cogitada.
Anseio brasileiro à parte, muitos consideram que o mundo
está diante de um problema a ser solucionado. Bush não
pode ser rotulado simplesmente como isolacionista. “Os EUA
foram isolacionistas nas décadas de 20 e 30 do século
passado. Hoje eles não podem se isolar, pois estão
multipresentes em todo o mundo”, comenta um assessor.
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