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  COMPORTAMENTO 05/03/2003
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Te perdôo por te trair
A tendência entre casais é superar a infidelidade com diálogo e reflexão. Hoje, poucos se separam por causa das escapadelas

Camilo Vannuchi, Chico Silva e Eliane Lobato
Colaboraram: Neila Fontenele e Greice Rodrigues

  Fusão cromática sobre fotos Masterfile e Stock Photos

Trair, chifrar, pular a cerca, manter um relacionamento extraconjugal, ser infiel. Expressões como estas fazem tremer as pernas de qualquer um. Poucas coisas são tão desagradáveis quanto descobrir que existe outro dividindo a cama (e os sentimentos) da pessoa amada. Mas, ao que parece, por solidariedade ou puro sadismo, muita gente gosta de acompanhar as peripécias sexuais dos outros, principalmente quando o caso é público e rico em detalhes. Se não gosta, vai ter de se acostumar. A traição está na boca do povo, nas manchetes dos jornais e no auge do horário nobre. Apenas no mês de fevereiro, o brasileiro visitou a intimidade do prefeito de Ipatinga (MG), Chico Ferramenta, se decepcionou (mais uma vez!) com Antônio Carlos Magalhães, exerceu a arte do voyeurismo diante dos malhos de Sabrina e Dhomini (Big Brother Brasil) e, finalmente, assistiu à impagável sobreposição de casais na nova trama de Manoel Carlos, Mulheres apaixonadas.

  Fotos: Renato Velasco/Renato Rocha Miranda/Rede Globo
  Manuella torce por Dhomini
enquanto o vê nos braços de
Sabrina: “Quando ele sair,
vamos conversar”

Em todos esses casos, chama a atenção a popularidade do perdão. Chico Ferramenta voltou para os braços da mulher – a deputada estadual Cecília Ferramenta – depois de ficar desaparecido por dois dias e se hospedar em um hotel com duas garotas de programa. ACM continua casado com Arlette Maron de Magalhães, sua esposa há mais de 50 anos, apesar das denúncias de que ele teria grampeado o telefone de uma antiga amante. A namorada oficial de Dhomini, Manuella Zamith, ainda torce por ele. Na terça-feira 25, ela compareceu pela terceira vez aos estúdios da Rede Globo e acompanhou mais um paredão do Big Brother. Enquanto Dhomini escapava novamente da eliminação, a consultora comercial de 26 anos, namorada dele há três, acenava confiante da torcida. Desconfortável com a situação, ela admite que está triste, mas não pensa em romper o namoro.
“Quando ele sair, vamos conversar. Estou preparada tanto para
continuar com ele quanto para terminar. Todos merecem perdão”, diz
ela. Sua teoria é a de que os beijos e abraços entre Dhomini e Sabrina não passam de estratégia para cativar o público e conquistar o prêmio
de R$ 500 mil. Mesmo assim, Manuella deve abrir os olhos. Há um ano,
a roqueira Syang participou de outro reality show, o Casa dos artistas 2, e trocou de parceiro. “Namoro a distância é muito difícil. Quando me envolvi com o Gustavo, meu ex-namorado soube na hora. Traição é enganar, esconder e deixar que ele seja o último a saber”, diz. Syang
e Gustavo continuam juntos.

Ainda que não seja uma atitude frequente na maioria dos relacionamentos, superar as escapadelas parece ser uma tendência entre os casais. Não por submissão como acontecia antigamente, mas porque, cada vez mais, os casais descobrem que um flerte ocasional não significa falta de amor ou falência do casamento. “Exclusividade sexual é ficção. Até acredito que alguns casais não traiam, mas são exceções”, afirma a terapeuta sexual carioca Regina Navarro Lins. Autora do best-seller Cama na varanda (Editora Rocco), Regina é conhecida por divulgar idéias nada conservadoras no que se refere a relacionamentos. Uma delas é a de que a fidelidade não tem nada a ver com sexualidade. “Uma mulher casada que já não sente tesão pelo marido e até nutre algum rancor por ele é considerada fiel se nunca transou fora do casamento. Outra, que ama e tem tesão pelo marido, mas teve relações extraconjugais, é chamada de infiel. Isso é patético”, defende a terapeuta. Regina considera a palavra traição inadequada. “Ela vem carregada de juízo de valor e pressupõe que a exclusividade é premissa para todas as relações. Isso não é verdade. As pessoas estão descobrindo novos modelos de parceria. Não se trata de substituir uma moral por outra, mas de se buscar a felicidade, sem pactos como o da fidelidade, que é falido”, explica.

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