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  BRASIL 29/01/2003
Brasil  

  Divulgação
  ELO Adauto e Sérgio, da CPA, que foi afastado do cargo de assessor especial do Ministério após as denúncias, figuram na sociedade da Embrapesca, que operava, conforme atesta a Receita, junto com a CPA no mesmo endereço
Nas três conversas com o presidente Lula sobre o escândalo de Iturama, Adauto reafirmou que tudo não passou de uma infeliz coincidência: a sucessão no aluguel de lojas, no centro de Uberaba, das empresas envolvidas no desvio de verba da prefeitura mineira. Distribuiu cópias do pedido do Ministério Público de Minas sugerindo a exclusão de seu nome das investigações e a decisão de um desembargador conterrâneo acolhendo a opinião do MP. De lá para cá pipocaram indícios de que os sócios da CPA são, na verdade, fiéis colaboradores de Adauto, mas o governo ainda considerava as evidências contra o ministro insuficientes para tirá-lo
do cargo. “O ministro continua ministro e vai combater a corrupção”, anunciou o porta-voz, André Singer, após uma reunião de 40 minutos
no Palácio do Planalto, na noite da terça-feira 21, da qual participaram
o presidente Lula, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, o próprio
Adauto e o vice, José Alencar (PL), que o indicou para compor
o Ministério na cota do PL.

No dia seguinte à tarde, Dirceu convocou Adauto ao Palácio pela segunda vez na mesma semana para uma conversa dura. Já haviam chegado ao Planalto os primeiros rumores de que ISTOÉ mostraria a sociedade entre Adauto e seus amigos da CPA na Embrapesca. O novo encontro foi considerado por assessores como uma despedida do cargo. Como deputado eleito, ele será exonerado para assumir o mandato na próxima semana. Para Adauto não há passagem de volta para a Esplanada. “A única coisa que posso garantir é a ida. A volta depende do presidente da República e não posso dizer que volto”, admitiu ele.

A 577 quilômetros de Belo Horizonte, na rua José Andraus Gassani, 4555, em Uberlândia – vizinha de Uberaba –, está instalado o arquivo de listas telefônicas da Companhia de Telefones do Brasil Central (CTBC), a operadora na região do Triângulo Mineiro. Lá está apenas um dos vários exemplares da lista de assinantes de 1994. Em sua defesa, o ministro Anderson Adauto anexou uma declaração da imobiliária Admil, de Uberaba. Por essa declaração, o ministro só teria ocupado as salas das empreiteiras envolvidas no escândalo de Iturama a partir de junho de 1995. Essa declaração serviu de base para o Ministério Público sugerir a exclusão de Adauto das investigações. Mas uma breve consulta aos catálogos telefônicos anteriores a 1995 mostra que os telefones em nome de Anderson Adauto já estavam na rua São Benedito, nº 52, sala 104 desde, pelo menos, 1994. Era lá que Anderson Adauto teria cedido seu escritório para as empresas acusadas no Dossiê Iturama. O número (034) 3123838, que foi acrescido de mais um 3 no prefixo recentemente, ainda hoje está no nome do ministro Anderson Adauto, serve como número-chave de busca automática e está instalado, conforme a lista telefônica do biênio 2002-2003, na avenida Presidente Vargas, 89, onde funciona atualmente o escritório político do ministro no centro de Uberaba.

Na quinta-feira 16, numa entrevista gravada por ISTOÉ, o ministro afirmou que nunca foi sócio de nenhuma empresa e que vivia apenas da política. Uma semana depois, na quinta 23, Anderson Adauto disse a ISTOÉ que é “absolutamente normal” o fato de ele ter uma sociedade com os donos da CPA e também qualificou de “normal” a coincidência dos endereços. O ministro disse que a Embrapesca fechou e não chegou a operar: “Montei efetivamente a empresa de pesca com dois sócios da CPA. Não tenho impedimento ético ou moral para montar uma empresa. Qual o problema de um deputado montar uma empresa para vender peixe?” Ao ser perguntado se a sociedade não seria uma ligação concreta entre ele e os sócios da empresa envolvida nos desvios de verba da Prefeitura de Iturama, ressaltou: “Vocês têm todo o direito de achar que é uma ligação concreta. Eu não acho que seja.” Em relação ao seu telefone na sala 104 da rua São Benedito, em 1994, ele admitiu, também ao contrário do que disse antes, que estava lá antes de 1995. “Eu tinha uma salinha só no início do corredor”, afirmou.

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