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ELO
Adauto e Sérgio, da CPA, que foi afastado do cargo de assessor
especial do Ministério após as denúncias, figuram na sociedade
da Embrapesca, que operava, conforme atesta a Receita, junto
com a CPA no mesmo endereço |
Nas três
conversas com o presidente Lula sobre o escândalo de Iturama,
Adauto reafirmou que tudo não passou de uma infeliz coincidência:
a sucessão no aluguel de lojas, no centro de Uberaba, das empresas
envolvidas no desvio de verba da prefeitura mineira. Distribuiu cópias
do pedido do Ministério Público de Minas sugerindo a
exclusão de seu nome das investigações e a decisão
de um desembargador conterrâneo acolhendo a opinião do
MP. De lá para cá pipocaram indícios de que os
sócios da CPA são, na verdade, fiéis colaboradores
de Adauto, mas o governo ainda considerava as evidências contra
o ministro insuficientes para tirá-lo
do cargo. “O ministro continua ministro e vai combater a corrupção”,
anunciou o porta-voz, André Singer, após uma reunião
de 40 minutos
no Palácio do Planalto, na noite da terça-feira 21,
da qual participaram
o presidente Lula, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, o próprio
Adauto e o vice, José Alencar (PL), que o indicou para compor
o Ministério na cota do PL.
No dia seguinte à tarde, Dirceu convocou Adauto ao Palácio
pela segunda vez na mesma semana para uma conversa dura. Já
haviam chegado ao Planalto os primeiros rumores de que ISTOÉ
mostraria a sociedade entre Adauto e seus amigos da CPA na Embrapesca.
O novo encontro foi considerado por assessores como uma despedida
do cargo. Como deputado eleito, ele será exonerado para assumir
o mandato na próxima semana. Para Adauto não há
passagem de volta para a Esplanada. “A única coisa
que posso garantir é a ida. A volta depende do presidente
da República e não posso dizer que volto”, admitiu
ele.
A 577 quilômetros de Belo Horizonte, na rua José Andraus
Gassani, 4555, em Uberlândia – vizinha de Uberaba –,
está instalado o arquivo de listas telefônicas da Companhia
de Telefones do Brasil Central (CTBC), a operadora na região
do Triângulo Mineiro. Lá está apenas um dos
vários exemplares da lista de assinantes de 1994. Em sua
defesa, o ministro Anderson Adauto anexou uma declaração
da imobiliária Admil, de Uberaba. Por essa declaração,
o ministro só teria ocupado as salas das empreiteiras envolvidas
no escândalo de Iturama a partir de junho de 1995. Essa declaração
serviu de base para o Ministério Público sugerir a
exclusão de Adauto das investigações. Mas uma
breve consulta aos catálogos telefônicos anteriores
a 1995 mostra que os telefones em nome de Anderson Adauto já
estavam na rua São Benedito, nº 52, sala 104 desde,
pelo menos, 1994. Era lá que Anderson Adauto teria cedido
seu escritório para as empresas acusadas no Dossiê
Iturama. O número (034) 3123838, que foi acrescido de mais
um 3 no prefixo recentemente, ainda hoje está no nome do
ministro Anderson Adauto, serve como número-chave de busca
automática e está instalado, conforme a lista telefônica
do biênio 2002-2003, na avenida Presidente Vargas, 89, onde
funciona atualmente o escritório político do ministro
no centro de Uberaba.
Na quinta-feira 16, numa entrevista gravada por ISTOÉ, o
ministro afirmou que nunca foi sócio de nenhuma empresa e
que vivia apenas da política. Uma semana depois, na quinta
23, Anderson Adauto disse a ISTOÉ que é “absolutamente
normal” o fato de ele ter uma sociedade com os donos da CPA
e também qualificou de “normal” a coincidência
dos endereços. O ministro disse que a Embrapesca fechou e
não chegou a operar: “Montei efetivamente a empresa
de pesca com dois sócios da CPA. Não tenho impedimento
ético ou moral para montar uma empresa. Qual o problema de
um deputado montar uma empresa para vender peixe?” Ao ser
perguntado se a sociedade não seria uma ligação
concreta entre ele e os sócios da empresa envolvida nos desvios
de verba da Prefeitura de Iturama, ressaltou: “Vocês
têm todo o direito de achar que é uma ligação
concreta. Eu não acho que seja.” Em relação
ao seu telefone na sala 104 da rua São Benedito, em 1994,
ele admitiu, também ao contrário do que disse antes,
que estava lá antes de 1995. “Eu tinha uma salinha
só no início do corredor”, afirmou.
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