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29/01/2003
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III |
Fim do inferno
Dorinha Duval se diz renascida em
biografia
Luiza Pastor
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Nos programas de Chico Anísio dos anos 70, Dorinha Duval
encarnava a Nega Brechó. Em Vovô Deville, musical
apresentado pela extinta TV Excelsior na década de 60, ela
era a estrela do quadro Os bonequinhos. Já vinha da
fama como corista, carreira iniciada em 1945, quando tornou-se a
Dorah Morena de pernas esculturais, depois Dorah Maraca. Bem mais
tarde, vestiu a pele da Cuca no Sítio do Picapau Amarelo
até 1980. Depois da noite de 5 de outubro do mesmo ano, no
entanto, a paulistana Dorah Teixeira se transformou numa mulher
marcada nas páginas policiais. Após uma discussão,
descarregou um revólver calibre 32 em seu companheiro Paulo
Alcântara, um
corretor de imóveis e jogador compulsivo, 15 anos mais novo
que ela.
O caso ficou esquecido, mas a atriz não se conformou em sair
daquela maneira da vida artística e agora traz a sua versão
para os fatos na autobiografia Em busca da luz: memórias
de Dorinha Duval (Record,
288 págs. R$ 30), com depoimento ao jornalista Luiz Carlos
Maciel
e à publicitária Maria Luiza Ocampo.
Dorinha, hoje uma escultora, cumpriu seis anos de pena. Considera-se
perdoada porque à época dizia estar transtornada.
Agora, se sente renascida integrando a seita Ordem Mística
da Aspiração Universal ao Mestrado. Para a atriz,
a autobiografia é uma espécie de acerto de contas.
Ao público em geral, a primeira parte deve ser lida como
uma coleção de saborosas histórias de bastidores,
um panorama do teatro de revista e da televisão, dos primórdios
à ascensão da Globo. A segunda pode ser interpretada
como um livro de auto-ajuda, um breviário da fé abraçada
por Dorinha, que na cidade mineira de Poços de Caldas conheceu
o diretor e ator Daniel Filho, com quem mais tarde se casaria e
teria a filha Carla Daniel, também atriz. A curiosidade é
que Daniel passeava com a mãe... num carrinho de bebê!
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