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  BRASIL 22/01/2003
 

  Reprodução
  Elos Picanço é sócio do ex-secretário de Obras de Niterói MocaRzel e amigo de Jorge Andrade, tesoureiro de sua campanha e hoje superintendente da fiscalização estadual

O Ministério Público tem mais chance de desvendar toda essa trama agora que conseguiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos oito envolvidos. Negado em dezembro, o pedido foi finalmente atendido pelo juiz federal Lafredo Lisboa na última terça-feira 14, depois da publicação do caso por ISTOÉ. Antes de ouvir os envolvidos, a Polícia Federal do Rio de Janeiro vai perseguir outras pistas. Até o momento, a única peça documental anexada aos autos é o relatório do Ministério Público da Suíça. O dossiê informa que os oito envolvidos, ainda não comunicados oficialmente do inquérito, alegam ter conseguido os recursos em trabalhos de consultoria. Com exceção de um dos auditores federais, os demais negaram ter as contas. “Nem sabia que havia conta em meu nome nem autorizei ninguém a abrir uma”, declarou Silveirinha a ISTOÉ. O governo do Rio também não foi comunicado oficialmente das acusações contra os funcionários do Fisco estadual. Em entrevista à CBN e ao programa Passando a Limpo, da Rede Record, a governadora Rosinha Garotinho disse que resolveu demitir Silverinha ao tomar conhecimento do teor da reportagem da revista. “Achei as denúncias de ISTOÉ contundentes”, disse.

No Banco Central, funcionários checam a informação de que os oito envolvidos conseguiram movimentar seu dinheiro nas últimas semanas. É certo que, dos US$ 3,4 milhões somados pelos quatro auditores federais no fim de outubro, pelo menos US$ 400 mil foram sacados. A Receita, que vasculha o patrimônio dos envolvidos, já concluiu que cinco deles omitiram bens em suas declarações de renda. A trilha do dinheiro também está sendo rastreada pelo MP. Um contrato registrado em cartório do Rio mostra que Herry Rosemberg, representante do Discount Bank no Brasil – banco comprado pelo UBP que originalmente acolheu as contas dos fiscais – também tinha conexões em um outro paraíso fiscal. Rosemberg e sua consultoria, a Coplac, foram contratados para representar o Scontinvest Equity Fund no Brasil, um fundo de capital estrangeiro com sede no condado de Luxemburgo. Especialistas do mercado financeiro que analisaram a documentação acreditam que esse fundo pode ter sido utilizado para trazer dinheiro dos fiscais da Suíça de volta ao País ou remeter recursos desviados para outros paraísos. A Interpol já investiga a informação dada por um empresário brasileiro que relata ter visto Silveirinha passeando pelas ruas de Luxemburgo no ano passado. Esses fatos levantam uma nova suspeita. “Não duvido que apareçam outras contas explosivas. Em nome destes e de novos envolvidos”, diz o deputado estadual Carlos Minc (PT), que vem recebendo denúncias de fiscais e empresários extorquidos. Minc é autor do requerimento que desencadeou a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que vai apurar o esquema. A CPI deverá ser instalada no início de fevereiro.

Silveirinha já é assunto conhecido na Assembléia do Rio. Em junho de 2000, o então deputado Eider Dantas (PFL) denunciou um caso suspeitíssimo envolvendo Silveirinha e seu grupo. Um rosário de irregularidades foi identificado na fiscalização dos supermercados do Rio, entre elas um estranho acerto de tributos pendentes que permitiu ao Carrefour comprar três pequenas cadeias concorrentes sem nenhum passivo tributário. O episódio gerou um requerimento de informação que citava Silveirinha nominalmente. O imbróglio acabou abafado, assim como a denúncia de tentativa de extorsão à Light, que teria sido praticada por fiscais do grupo. Quem conhece a estrutura montada pelos fiscais aposta que histórias muito mais escabrosas surgirão das entranhas da Inspetoria de Grande Porte. Se não for pela ação dos deputados fluminenses – que no passado preferiram se omitir – certamente será pelo MP.

Uma semana após estourar o escândalo, a governadora do Rio
ainda sofria com uma espécie de maldição de Silveirinha: indicado
por Rosinha para chefiar a Inspetoria de Contribuintes de Grande
Porte, o fiscal Francisco Roberto da Cunha Gomes é responsável
por uma empresa falida que deve mais de R$ 100 mil de FGTS
e é sócio de outra empresa, o que contraria o Estatuto do
Funcionalismo Público. Na sexta-feira 17, três dias depois de
nomeá-lo, a governadora foi obrigada a destituí-lo do cargo.

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