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Elos
Picanço é sócio do ex-secretário
de Obras de Niterói MocaRzel e amigo de Jorge Andrade,
tesoureiro de sua campanha e hoje superintendente da fiscalização
estadual
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O Ministério
Público tem mais chance de desvendar toda essa trama agora
que conseguiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos
oito envolvidos. Negado em dezembro, o pedido foi finalmente atendido
pelo juiz federal Lafredo Lisboa na última terça-feira
14, depois da publicação do caso por ISTOÉ.
Antes de ouvir os envolvidos, a Polícia Federal do Rio de
Janeiro vai perseguir outras pistas. Até o momento, a única
peça documental anexada aos autos é o
relatório do Ministério Público da Suíça.
O dossiê informa que os oito envolvidos, ainda não
comunicados oficialmente do inquérito, alegam ter conseguido
os recursos em trabalhos de consultoria. Com exceção
de um dos auditores federais, os demais negaram ter as contas. Nem
sabia que havia conta em meu nome nem autorizei ninguém a
abrir uma, declarou Silveirinha a ISTOÉ. O governo
do Rio também não foi comunicado oficialmente das
acusações contra os funcionários do Fisco estadual.
Em entrevista à CBN e ao programa Passando a Limpo,
da Rede Record, a governadora Rosinha Garotinho disse que resolveu
demitir Silverinha ao tomar conhecimento do teor da reportagem da
revista. Achei as denúncias de ISTOÉ contundentes,
disse.
No
Banco Central, funcionários checam a informação
de que os oito envolvidos conseguiram movimentar seu dinheiro nas
últimas semanas. É certo que, dos US$ 3,4 milhões
somados pelos quatro auditores federais no fim de outubro, pelo
menos US$ 400 mil foram sacados. A Receita, que vasculha o patrimônio
dos envolvidos, já concluiu que cinco deles omitiram bens
em suas declarações de renda. A trilha do dinheiro
também está sendo rastreada pelo MP. Um contrato registrado
em cartório do Rio mostra que Herry Rosemberg, representante
do Discount Bank no Brasil banco comprado pelo UBP que originalmente
acolheu as contas dos fiscais também tinha conexões
em um outro paraíso fiscal. Rosemberg e sua consultoria,
a Coplac, foram contratados para representar o Scontinvest Equity
Fund no Brasil, um fundo de capital estrangeiro com sede no condado
de Luxemburgo. Especialistas do mercado financeiro que analisaram
a documentação acreditam que esse fundo pode ter sido
utilizado para trazer dinheiro dos fiscais da Suíça
de volta ao País ou remeter recursos desviados para outros
paraísos. A Interpol já investiga a informação
dada por um empresário brasileiro que relata ter visto Silveirinha
passeando pelas ruas de Luxemburgo no ano passado. Esses fatos levantam
uma nova suspeita. Não duvido que apareçam outras
contas explosivas. Em nome destes e de novos envolvidos, diz
o deputado estadual Carlos Minc (PT), que vem recebendo denúncias
de fiscais e empresários extorquidos. Minc é autor
do requerimento que desencadeou a formação de uma
Comissão Parlamentar de Inquérito que vai apurar o
esquema. A CPI deverá ser instalada no início de fevereiro.
Silveirinha
já é assunto conhecido na Assembléia do Rio.
Em junho de 2000, o então deputado Eider Dantas (PFL) denunciou
um caso suspeitíssimo envolvendo Silveirinha e seu grupo.
Um rosário de irregularidades foi identificado na fiscalização
dos supermercados do Rio, entre elas um estranho acerto de tributos
pendentes que permitiu ao Carrefour comprar três pequenas
cadeias concorrentes sem nenhum passivo tributário. O episódio
gerou um requerimento de informação que citava Silveirinha
nominalmente. O imbróglio acabou abafado, assim como a denúncia
de tentativa de extorsão à Light, que teria sido praticada
por fiscais do grupo. Quem conhece a estrutura montada pelos fiscais
aposta que histórias muito mais escabrosas surgirão
das entranhas da Inspetoria de Grande Porte. Se não for pela
ação dos deputados fluminenses que no passado
preferiram se omitir certamente será pelo MP.
Uma
semana após estourar o escândalo, a governadora do
Rio
ainda sofria com uma espécie de maldição de
Silveirinha: indicado
por Rosinha para chefiar a Inspetoria de Contribuintes de Grande
Porte, o fiscal Francisco Roberto da Cunha Gomes é responsável
por uma empresa falida que deve mais de R$ 100 mil de FGTS
e é sócio de outra empresa, o que contraria o Estatuto
do
Funcionalismo Público. Na sexta-feira 17, três dias
depois de
nomeá-lo, a governadora foi obrigada a destituí-lo
do cargo.
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