| MEDICINA
& BEM ESTAR
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15/01/2003
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| Articulação |
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Meu
ombro direito
A síndrome do impacto, mal que
incomoda Lula,
é comum e deve ser levada a sério |
Lia
Bock
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| DOR
O presidente quer evitar ao máximo a cirurgia. Por enquanto,
recorre à fisioterapia e à acupuntura |
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O ombro é a articulação com mais amplitude
do corpo. É bastante utilizado para arremessar objetos, colocar
roupas no varal e, claro, acenar para a multidão, entre diversas
atividades. Se não fosse por essa estrutura – que liga
o braço ao tronco por meio de tendões e músculos
(um conjunto chamado de manguito rotador devido ao seu formato,
semelhante à manga da camisa) –, nossas vidas seriam
diferentes. Que o diga o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
famoso pela carinhosa retribuição ao afeto popular.
Mas tamanha mobilidade pode custar caro, já que nem sempre
o ombro é poupado de exageros.
Nos últimos dias, o Brasil inteiro percebeu que o chefe
da nação é uma das vítimas do excesso
na movimentação. Segundo Jamil Natour, reumatologista
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a causa mais
frequente de dor no ombro é a síndrome do impacto.
“Ela é conhecida dessa forma por ser resultado do impacto
do osso acrômio nos tendões
do manguito rotador”, explica. A bolsa (bursa em latim), uma
espécie
de amortecedor entre o osso e os tendões, é uma das
responsáveis
pelos incômodos dolorosos. Caso seja afetada, leva à
bursite, inflamação tão falada ultimamente.
“Se o impacto acontece por causa de um
esforço específico, como carregar uma mala pesada,
a bolsa pode inflamar, mas melhorar com um pouco de repouso”,
afirma Moisés Cohen, chefe do centro de traumatologia do
esporte da Unifesp. A situação
se agrava, no entanto, se a bursite persistir ou se o impacto for
causado por um movimento cotidiano. Isso pode provocar uma tendinite
e se tornar algo crônico. De acordo com a intensidade do problema,
o tratamento consiste em uso de antiinflamatórios, fisioterapia
e
cirurgia. A acupuntura é adotada para reduzir a dor. Imobilizar
o
ombro é pouco usual, já que os movimentos ficam prejudicados.
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A dor no ombro é muito cruel. Algumas pessoas sofrem simplesmente
ao estender o braço. “As dores devem ser levadas a
sério, já que com o tempo podem provocar perda da
movimentação da região”, alerta Natour.
Se o mal não for combatido corretamente, a inflamação
e a falta de movimentos para poupar o ombro podem “grudar”
a articulação, diminuindo a amplitude dos movimentos.
Outro perigo é o rompimento dos tendões, caso o osso
permaneça roçando o local inflamado. Se o rompimento
for parcial, há conserto (fisioterapia
e treino específico de movimentos). Se for total, a cirurgia
de ligamento dos tendões (artroscopia) é aconselhada.
A operação é feita por
meio de pequenas incisões no ombro. Ou seja, a bursite em
si é o
menor problema. “Para se ter uma idéia, na artroscopia
secamos a bolsa
e ela se regenera sozinha. O tendão, não”, esclarece
Sérgio Checchia, chefe do grupo de ombro e cotovelo da Santa
Casa de São Paulo. É
ele quem cuida do ombro do presidente. O porta-voz da Presidência,
André Singer, conta que Lula vai tentar de tudo antes de
optar pela intervenção. “Ele está fazendo
fisioterapia e acupuntura e espera
que isso seja suficiente”, afirma Singer. Todos torcem por
isso.
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