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COBERTURA
Chegada do lutador
em Tóquio mobiliza a mídia e é
transmitida ao vivo pela tevê |
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Assim que o apresentador pronuncia o nome Antônio Rodrigo
Nogueira, os japoneses incendeiam as arquibancadas. “Quando
subo no ringue, esqueço os problemas e sei que tenho a responsabilidade
de proporcionar um grande espetáculo para o público
que paga caro para me ver. Não há nada que me faça
desistir de lutar.” Durante as lutas de Nogueira, como é
chamado pelos fãs orientais, o público exibe camisas,
bonés, casacos e tudo que tenha a marca do lutador número
1 do vale-tudo. Ele já virou até personagem em quadrinhos
no Japão. No fim da luta, todos correm até a passarela
por onde sai o brasileiro, na tentativa de tocá-lo, apertar
sua mão ou ganhar algum brinde arremessado na multidão
descontrolada. Camisas suadas, toalhas encharcadas e até
o protetor de boca são negociados a peso de ouro. Um entre
milhares que pegam carona na minotauromania é o japonês
Tsuno Kosei. Além de fotógrafo free-lancer, ele abriu
uma loja de fightwear em Tóquio, só com produtos brasileiros.
“Quanto mais o Rodrigo vence, mais eu faturo. Todos os produtos
com sua marca que ponho
para vender acabam em segundos”, vibra o comerciante visionário.
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SONHO
Takeshi consegue
um autógrafo do ídolo e
repete sem parar:
“Estou realizado em
poder conhecê-lo” |
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Se acompanhar o Minotauro no Japão antes do Pride 24 já
era tarefa para maratonistas com boa dose de paciência, depois
da vitória as coisas realmente se complicaram. As melhores
revistas e jornais japoneses estamparam a celebridade brasileira
na capa. Por onde ele passa, homens, mulheres e crianças
não só pedem autógrafos, mas comentam momentos
das lutas com conhecimento de causa. Café da manhã
com fãs, entrevistas para tevês estrangeiras e jantares
com personalidades também passaram a fazer parte da atribulada
agenda do campeão. Rodrigo mal consegue sair às ruas.
Ele parece encarar tudo com espírito esportivo e tenta não
deixar ninguém sem autógrafo ou foto. As lutas de
vale-tudo – incurável paixão japonesa –
são transmitidas ao vivo em horário nobre e em canais
abertos de tevê. O evento pára
o país.s Quem assiste nas arenas percebe o fanatismo dos
japoneses
e presencia um espetáculo rico em emoção e
organização.
Famílias inteiras vibram com os combates e pagam até
US$ 1,5 mil
pelos melhores lugares. Os ingressos são vendidos com muita
antecedência e se esgotam rapidamente. No Brasil, a história
é bem diferente. O evento é transmitido com 15 dias
de atraso,
em canais a cabo e no restrito sistema pay per view.
Emoção – Takeshi Hattori,
31 anos, é um entre muitos que acompanham de perto a carreira
do lutador brasileiro. Passa o dia atrás do ídolo
em busca de uma foto e de um autógrafo, sempre emoldurados
e exibidos com orgulho. Takeshi não consegue conter a emoção
ao lado de Minotauro e repete várias vezes a frase: “Estou
realizado de poder conhecê-lo. Ele é o melhor do mundo
e está para nascer o lutador que irá derrotá-lo.”
A cena se repete diariamente na porta dos hotéis de Tóquio.
A entrada principal fica completamente tomada. Sempre que sai ou
chega, o atleta passa horas atendendo aos desejos dos fãs
exaltados. A mais fiel admiradora, que chega a acampar nos saguões
dos hotéis, é Eiko Miyauchi, 36 anos. Ela enfrenta
três horas de ônibus diariamente para ir a Tóquio
quando o brasileiro anda por lá. “Acompanho a carreira
dele há quatro anos. Ele faz uma luta artística, rica
em finalizações. Se ele permanecesse seis meses no
Japão, eu o veria todos os dias. Não tenho muitos
amigos, namorados e não me casei, tudo por causa da minha
peregrinação atrás da minha paixão,
o vale-tudo”, explica a torcedora.
Além do talento natural, Rodrigo constrói a superioridade
física com alimentação balanceada e uma rotina
de treinamento em torno de seis horas diárias. O trabalho
é comandado pela equipe Brazilian Top Team, composta pelos
lutadores Zé Mário Sperry, Murilo Bustamante e Luiz
Alves, nomes consagrados para quem entende do assunto. “Rodrigo
prefere vencer os combates no solo, o que exige muita técnica.
Mas trocando golpes em pé ele também é um lutador
muito duro. Sua humildade facilita na preparação física
e psicológica para os grandes duelos”, conta Alves.
Além do carisma, muitos se perguntam o que Minotauro tem
que os outros não têm. Com a palavra, o próprio
Rodrigo. “Não entro para bater, entro para vencer.
Quem gosta de dar sopapos nos outros acaba levando. Por isso sempre
conduzo a luta e nunca permito que ela fique violenta”, explica
o atleta. A técnica refinada
que o baiano bom de briga exibe nos ringues do mundo impressiona.
“São lutas agressivas, técnicas e limpas. O
público japonês gosta
assim”, complementa o companheiro de treino Zé Mário
Sperry.
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HUMILDADE
Rodrigo passou
a tarde assinando mais de mil
fotos e a maratona continua
no hall do hotel: “Faço questão
de retribuir esse carinho” |
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A mais nova sensação do Pride
na categoria peso médio é Antônio Rogério
Nogueira, o Minotouro, irmão gêmeo de Rodrigo, o Minotauro.
Com uma brilhante vitória sobre o americano Gay Mezger, começou
a trilhar seu próprio caminho. “Ele
é o melhor peso pesado do mundo
e pretendo buscar o cinturão dos pesos médios”,
sonha o novo
talento. Rogério tem 95 quilos,
dez quilos a menos do que o irmão.
Itakura Masakazu, 49 anos, se assume como um minotauromaníaco.
Depois de uma investigação exaustiva, descobriu o
local onde Rodrigo treina em Tóquio e fez
uma visita para conhecer e oferecer presentes de Natal ao lutador.
A admiração é tanta que Itakura começou
a lutar jiu-jítsu há quatro anos. Foi a primeira vez
que o fã conseguiu um abraço, alguns minutos
de conversa e muitas fotos. “Acompanho lutas há 11
anos e, sempre
que posso, assisto nas arenas.” Ainda curtindo o momento como
uma criança ao ganhar o melhor dos presentes, Itakura ofereceu
carona
para o ídolo e conseguiu jantar com ele e sua equipe. Por
fim, fez questão de pagar a conta por ter sido “o dia
mais feliz” de sua
vida. Por momentos tão preciosos na vida de um fã,
vale tudo.
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