| ECONOMIA
& NEGÓCIOS |
15/01/2003
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O
dólar companheiro
A moeda americana desce ao patamar
dos R$ 3,30 e facilita
a missão de manter a inflação sob rígido controle |
Lino
Rodrigues e João Paulo Nucci
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ADEUS
Meirelles despede-se de Fraga sob a bênção do ministro Palocci |
Em junho do ano passado, quando o dólar vivia seus últimos
dias em torno dos R$ 2,50, as apostas de muita gente do mercado
financeiro apontavam para uma cotação de
R$ 3,30 na eventualidade de Lula vencer as eleições
e tomar posse como presidente da República. O terrorismo
financeiro-eleitoral campeava livre. Até um “lulômetro”
chegou a ser criado para “calcular” o valor da moeda
americana de acordo com a posição do então
candidato do PT nas pesquisas. Bingo.
O mergulho histórico do dólar nos primeiros dias do
novo governo
confirma as apostas, mas pela via inversa. Em vez de salto, houve
um recuo do movimento especulativo do último semestre do
ano
passado que levou o dólar a esbarrar em R$ 4. O primeiro
dia útil
do ano nasceu com a moeda americana cotada a R$ 3,53. Na quinta
-feira 9, a cotação já havia se estabilizado
em R$ 3,31. Dos seis
pregões que aconteceram desde a posse de Lula até
então, cinco terminaram com o real valorizado frente à
moeda americana.
Quem colocou de vez o dólar em seu novo patamar foi
o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Durante sua
posse, na terça-feira 7, que lotou dois auditórios
com a presença
de mais de 1.500 pessoas, a cotação só fez
cair. Os agentes
do mercado financeiro estão adorando a postura austera de
Meirelles e de seu chefe, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
“O papel do Banco Central é adotar a taxa de juros
necessária
e suficiente para atingir a meta de inflação. E o
faremos”,
afirmou o substituto de Armínio Fraga no comando monetário.
O recuo da moeda americana contribui para a tarefa, já que
o surto inflacionário do ano passado foi quase todo creditado
à escalada cambial. Com o dólar estável –
um objetivo que virou
uma obsessão de Palocci –, controlar o dragão
fica mais fácil.
Um dia antes de Meirelles tomar seu assento, a cotação
já
havia recuado para R$ 3,35, com as notícias de que grandes
captações de bancos brasileiros estavam acontecendo
no Exterior
com relativa facilidade. O risco-país também acompanhou
o rápido movimento de recuperação do dólar.
Os 2,4 mil pontos verificados
em setembro viraram 1,2 mil pontos na primeira semana de janeiro.
O principal título da dívida externa brasileira, o
C-Bond, pegou
carona e se valorizou quase 3% só na segunda-feira 6.
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