Veja também outros sites:
Clique para vê-la ampliada
EDIÇÃO Nº 1737
 Capa
 Índice
 ISTOÉ São Paulo
 Exclusivo Online
 EDITORIAS
 Artes & Espetáculos
 Brasil
 Ciência & Tecnologia
 Comportamento
 Economia & Negócios
 Esporte
 Internacional
 Medicina & Bem-Estar
 SEÇÕES
 A Semana
 Avenida Brasil
 Cartas
 Editorial
 Em Cartaz
 Entrevista
 Fax Brasília
 Gente
 Século 21
 Viva Bem
 SERVIÇOS
 Edições Anteriores
 Biblioteca
 Fale Conosco
 Newsletter
 Assinaturas
 Publicidade
 Expediente
 
 Busca
 Procure outras matérias
 
 CIÊNCIA, TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE 15/01/2003
Aventura

Rumo à Antártida
Brasileiro inicia travessia inédita para atingir
o Pólo Sul em um veleiro diminuto

Marcelo Ferroni

Confira o percurso: velejadores vão cruzar o estreito de Drake
Saiba o que a dupla Betão
e Duncan leva na bagabem

  Hélcio Nagamine
  Montagem: Pandiani
(à esq.) e Ross, com um
dos cascos do veleiro, durante os últimos
acertos para a viagem
 
Nos próximos dias, uma dupla de
velejadores pretende realizar uma façanha
que, à primeira vista, parece loucura: atravessar os 900 km que separam a ponta
da América do Sul e a Antártida, enfrentando ventos fortes, mares bravios e muito frio,
a bordo de um pequeno veleiro sem cabine,
de não mais que seis metros e meio.

A jornada, que deve levar de três a quatro dias, faz parte da terceira expedição pelas Américas realizada pelo brasileiro Roberto Pandiani, 44 anos, com um veleiro conhecido como hobie cat — uma embarcação de 21
pés, com dois cascos paralelos e compartimentos apenas para os equipamentos de primeira necessidade. Se bem-sucedido, Pandiani será a primeira pessoa a atravessar
o chamado estreito de Drake e atingir a Antártida a bordo de um barco sem cabine.

Parece difícil de acreditar. As duas camas em que os velejadores se revezarão durante a travessia não passam de uma pequena esteira montada nas laterais do casco, em que eles deverão se amarrar e se cobrir com uma barraca improvisada. Nos compartimentos, além de água e mantimentos, eles levam equipamentos de vídeo, foto e comunicação. Pandiani, no entanto, mostra que está preparado. “Podem até nos chamar de loucos”, diz ele. “Mas, depois de ver todo o planejamento que fizemos, acho difícil que alguém continue a duvidar do nosso projeto.”

As preparações se iniciaram em outubro de 2001. Na época, Pandiani conversou com o sul-africano Duncan Ross, 39 anos, que já havia participado de outras expedições ao lado do brasileiro. De lá até
janeiro deste ano, ambos trabalharam duro para obter patrocínios, estudar a travessia e montar um hobie cat especial para a região.

Ross, que acompanhou toda a construção no estaleiro Barracuda,
no Rio de Janeiro, mostra o Satellite, como o barco foi batizado. Seu casco, em comparação com o de um hobie cat comum, é muito mais resistente. No lugar da tradicional fibra de vidro, os velejadores
optaram por uma combinação de espuma compacta e kevlar, o mesmo material usado em coletes à prova de bala. Seu mastro também
é mais alto e mais espesso, o que garante maior estabilidade.

Para combater o frio, que pode cair abaixo dos dez graus negativos durante a noite, os velejadores também estão preparados. Na bagagem, eles levam uma vestimenta especial, chamada dry suit (roupa seca). Composta por três camadas de tecido, ela retira o suor do corpo, mantendo-o aquecido, e impede a entrada de água. Para garantir a segurança, o Satellite não vai sozinho à Antártida. Pela mesma trilha, segue, à distância, o Kotic 2, um veleiro de aço de 63 pés, ou cerca
de 19 metros, equipado para enfrentar condições adversas de clima.

A aventura começou na terça-feira dia 7. Pandiani e Ross desmontaram seu hobie cat em São Paulo e partiram, de carro, em direção a Ushuaia, no extremo sul da Argentina. A chegada está prevista para quarta
-feira 15. Lá, depois de montar o Satellite, os velejadores começam
o processo de adaptação, já que, em Ushuaia, eles devem
enfrentar ventos cortantes e temperaturas próximas a zero.

Júlio Fiadi  
No gelo: Pandiani durante a travessia do cabo Horn, em 2001, com um hobie cat semelhante ao que usará agora   

De Ushuaia, a equipe vai para Puerto Williams, no Chile, para aguardar o melhor momento da partida. Será preciso cerca de quatro dias de tempo bom para
que não haja imprevistos durante
o caminho. “Não poderemos
perder tempo”, diz o brasileiro. “Vamos dormir pouco durante
o trajeto e alcançar a Antártida
o mais rápido possível.”

Os velejadores relutam em dizer o nome do local que devem alcançar no continente gelado: Deception Island (ilha da decepção). “Chegando lá, vamos mudar seu nome”, brinca Ross. A ilha, uma pequena formação vulcânica, será seu abrigo durante quatro dias, enquanto aguardam o encontro com o Kotic 2. A partir daí, os velejadores pretendem passar 25 dias explorando a Antártida,
para em seguida voltar à América do Sul, a bordo do veleiro de aço.

Essa é a aventura mais ambiciosa de Pandiani. Em 1994, o brasileiro passou 289 dias viajando de hobie cat entre o Brasil e os EUA. Entre novembro de 2000 e abril de 2001, ele partiu da costa chilena e atravessou o cabo Horn, na ponta da América do Sul, chegando
ao Rio de Janeiro. No estreito de Drake, será a primeira vez que
Pandiani enfrentará mar aberto a bordo de um veleiro de 21 pés.

Sua façanha será equivalente à de outros velejadores solitários
em busca da quebra de limites. Em 1984, Amyr Klink passou 100
dias em alto-mar, em um pequeno barco a remos, para atravessar
cerca de 6.500 km entre a África e o Brasil se aproveitando de
correntes oceânicas. Outro caso que ficou famoso foi o do norueguês Thor Heyerdahl, que atravessou o oceano Pacífico a bordo de uma
balsa rústica em 1947 para provar sua teoria de que povos antigos
eram capazes de fazer longas travessias. “É o que sempre
quis fazer”, comenta Pandiani. Agora é torcer pelo velejador.

 
Kama Sutra
Altar virtual
Jardim Perfumado
Tarô
Realejo
FÓRUM
Dez adolescentes americanos que, juntos, pesam uma tonelada alegam que a rede McDonald´s é responsável por seus problemas de saúde. Você acha que, a exemplo desse grupo de jovens, companhias de cigarros e bebidas alcoólicas também poderiam ser acusadas de provocar doenças? Por quê?
ENQUETE
A CBF acertou ao escolher Parreira técnico da Seleção e Zagallo, coordenador técnico?
DESELEGANTE
A ex-coelhinha da Playboy, Anna Nicole Smith, foi eleita a mais mal vestida de 2002. Saiba quem faz parte do ranking.
Clique e diga
quem é o
brasileiro mais
mal vestido
ÚLTIMAS
Câmara: Por que todos querem a presidência?
Gerra: Gushiken barrou Duda na Publicidade

Revés: Sarney
não consegue maioria do PMDB

Fidel: Charutos
para todo o
mandato de Lula
Espaço: Descoberto novo planeta
Amazônia: Estragos são maiores
 
| ISTOÉ DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE | AVISO LEGAL |
© Copyright 2002 Editora Três