| BRASIL |
15/01/2003
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A
parada de albano
Tucano deixa Sergipe com índices
sociais de fazer inveja aos vizinhos nordestinos e quer descansar
da política |
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ALBANO
O número de matrículas no ensino médio aumentou 200%. |
Eis os
planos de Albano Franco (PSDB) para o ano que começa: abrir
uma fábrica de cerveja, passar longos quatro meses na Europa
e descansar, descansar, descansar. Na seara política, por enquanto,
o ex-governador de Sergipe quer apenas torcer para que o governo de
Lula e do amigo José Alencar dê certo. No dia 1º
de janeiro, o tucano deixou o cargo que exerceu por dois mandatos
consecutivos e empossou o pefelista João Alves Filho. Foram
oito anos de trabalho árduo. Suas gestões alavancaram
o progresso do Estado e melhoraram sensivelmente a qualidade de vida
dos sergipanos, fatos que nem seus adversários políticos
contestam. Sergipe é hoje o melhor colocado no Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU na região nordestina.
“Saio
feliz, mas não fiz tudo o que queria”, diz ele. Na quinta-feira
9, o ex-governador desembarcou em Paris. Ele está se despedindo,
não se
sabe por quanto tempo, de sua vida pública, que já completou
25
anos. Que fique claro: Albano Franco, um dos principais líderes
tucanos no Nordeste, não vai deixar o PSDB. “Quando voltar
serei apenas empresário, mas sempre lutando pelo meu país”,
garante.
Contando moedas – Ao longo de seus mandatos
de deputado estadual, senador e governador, Albano diz ter sofrido
algumas decepções, mas não entra em detalhes.
“As alegrias são maiores”, explica. Certamente.
Ele deixa a sede do governo, em Aracaju, orgulhoso. O principal
motivo de tanta felicidade é o saneamento das dívidas.
O ex-governador fez uma administração sempre alinhada
à política de austeridade fiscal determinada pelo
governo Fernando Henrique Cardoso, seu correligionário, através
da Lei de Responsabilidade Fiscal. Em Sergipe, como em poucos Estados
do Brasil, os gastos com o funcionalismo atingem 58% da receita
líquida – a LRF determina que esta porcentagem não
pode ultrapassar os 60%. Ainda assim, contando moedas, Albano operou
milagres. O salário dos servidores está em dia e foram
nomeados mais de 6,4 mil concursados no governo tucano. Os investimentos
em obras e serviços também não estagnaram por
causa da economia: chegaram à casa do
R$ 1,4 bilhão. “Meu maior orgulho é ter deixado
o Estado enxuto. Quando assumi, em 1995, 84% da receita era para
a folha de pagamento”, diz.
Os indicadores sociais do Estado hoje são muito diferentes
de há oito anos. Neste período, o número de
matrículas no ensino médio aumentou 200%. Segundo
o ex-governador, de cada três sergipanos, um está
numa das 442 escolas da rede estadual. Por estas e outras, a taxa
de analfabetismo caiu de 36% para 23,5%, de 1995 para cá.
Os índices de evasão escolar no ensino fundamental
diminuíram: de 28,4%, em 1995, passou para 18,7% em 2002.
Albano também tem do que se orgulhar
na área da saúde. Durante a campanha presidencial
deste ano, ele costumava dizer que seu companheiro tucano José
Serra tinha em Sergipe um palanque seguro. Os índices do
Estado são modelo para os vizinhos nordestinos. A política
de saúde seguiu os moldes da que foi implementada por Serra
no Ministério: municipalizar as funções. Deu
certo. O Programa de Agentes Comunitários de Saúde,
menina dos olhos de Albano, cobre 94% da população
sergipana. A mortalidade infantil
caiu de 58,4, em 1995, para 23 crianças por mil nascidas
vivas, queda beneficiada também pelos R$ 280 milhões
investidos em abastecimento
de água e esgoto sanitário. Outra de suas grandes
obras na saúde foi
a ampliação do Hospital João Alves, em Aracaju,
o maior do Estado.
O resultado destas ações levou a outro índice
invejável: Sergipe
detém o melhor IDI (Índice de Desenvolvimento Infantil)
do Nordeste.
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| HOSPITAL
JOÃO ALVES: reforma e ampliação |
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Mas quando quer resumir a importância de sua administração,
Albano cita, de pronto, duas realizações: “Levei
120 indústrias e gerei milhares de empregos.” A facilidade
para atrair tantas fábricas veio do envolvimento natural
que o ex-governador tem com o empresariado brasileiro, adquirido
nos 14 anos em que presidiu a Confederação Nacional
da Indústria (CNI). A vida de empresário sindicalista
cansou Albano. Ele gosta de dizer que recebeu uma dádiva:
“Deus me ajudou a saber desencarnar. Quando saí da
CNI, foi definitivo. Nunca
mais me envolvi.” Mesmo sabendo “desencarnar”,
Albano confessa que, em relação à política,
nada é definitivo. “Tudo é possível”,
avisa. Depois de entregar o cargo, já reclamando do cansaço,
ele ainda fez questão de circular entre os colegas na posse
do senador José Eduardo Dutra (PT-SE) na presidência
da Petrobras, no Rio de Janeiro. “Tenho boa convivência
com o PT de Sergipe e muito respeito pelo Zé Eduardo”,
afirma. Dutra concorreu ao governo sergipano na última eleição
e derrotou o candidato apoiado por Albano, Francisco Rollemberg
(PTN), mas perdeu no segundo turno.
“Ele na Petrobras é algo muito importante para Sergipe”,
diz, lembrando que o Estado não consome nem a metade do petróleo
que produz. “Sempre digo que, se Sergipe fosse um país,
seria da Opep, porque produzimos 50 mil barris e só consumimos
23 mil”, brinca, bem-humorado.
Bom humor, aliás, não tem faltado ao ex-governador,
mesmo com saudades da terra natal. Em Paris, está descansando
enquanto espera para participar de um curso, orientado pelo prestigiado
professor Ignacy Sachs, que dirige o Centro de Pesquisas sobre o
Brasil Contemporâneo, da Escola de Altos Estudos em Ciências
Sociais. “Quero treinar o meu francês e aprender inglês,
que sei muito pouco”, diz, animado. Na
volta, vai se engajar na fundação Augusto Franco,
que leva o nome
de seu pai e, entre outras coisas, ajuda menores carentes através
de programas de capacitação profissional. “Vou
profissionalizar e dinamizar a Fundação e agitar o
meio cultural. É uma forma de imortalizar meu pai e ajudar
a sociedade sergipana”, diz. Mas, pelos próximos
quatro meses, nada de grandes preocupações. Depois
de uma longa passagem no governo, Albano Franco merece o descanso.
Sergipe
é o menor Estado do Brasil, mas deve ter dado muito trabalho.
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