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  BRASIL 15/01/2003
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Dossiê Iturama
O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, e o senador Aelton José de Freitas são acusados de provocar um rombo de mais de R$ 4 milhões numa pequena prefeitura de Minas, utilizando empresas fantasmas, falsificações e laranjas

Confira cópia do cheque pago à CPA
Prova do pagamento feito à Coem
Documentos mostram que Líder não tem alvará
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Weiller Diniz – Iturama e Uberaba

  Ichiro Guerra
 
Comissão Parlamentar acusa o hoje ministro dos Transportes, Anderson Adauto, de ceder escritório para empresas que participaram das irregularidades
Confira relatório da CPI

A má notícia que ameaça turvar a aurora da estrela vermelha vem de um dossiê-bomba produzido por uma CPI na Câmara Municipal da pequena cidade de Iturama, no pontal do triângulo mineiro, na divisa com Goiás. Um denso relatório revela que mais de R$ 4 milhões da prefeitura foram desviados através de uma intricada
rede de negócios ilegais envolvendo fornecedores do município nos últimos seis meses de 1996, final da gestão
do então prefeito e atual senador
Aelton José de Freitas (PL-MG).

O dossiê é minucioso e está recheado com mais de uma centena de cópias de cheques da prefeitura – que irrigavam o esquema de desvio –, notas
fiscais falsas, pelo menos 32 empresas fantasmas e vários laranjas.
No centro deste calhamaço explosivo, com mais de cinco mil páginas
e 23 robustos volumes, além do senador Aelton José de Freitas,
que herdou a vaga do vice do presidente Lula, José Alencar, está
seu correligionário político, o deputado federal e atual ministro
dos Transportes, Anderson Adauto (PL-MG), alçado ao cargo por indicação do próprio José Alencar com o aval do PL. Anderson Adauto
era deputado estadual na época do escândalo. “As investigações levadas a efeito comprovaram enorme volume de práticas criminosas, desvio
de dinheiro público em benefício próprio e de terceiros, falsificações grosseiras, uso de documentos particulares e públicos falsificados, defraudações com malversação do dinheiro público, bem como
formação de quadrilha”, acusa o relatório final da CPI de Iturama.

As pontas do escândalo começaram a ser puxadas com a abertura de uma CPI na Câmara Municipal em março de 1997, concluída seis meses depois. Os vereadores descobriram e comprovaram na administração Aelton José de Freitas várias operações utilizando notas fiscais frias; recibos de depósitos bancários falsificados; licitações irregulares ou fraudulentas; obras ou serviços não realizados recorrendo a laranjas e a uma rede de empresas fantasmas e adulteração de notas fiscais de firmas existentes. Aelton assinou um punhado de cheques da prefeitura para empresas fictícias, entre elas a Pentágono Química e Farmacêutica, com inscrição municipal desativada em janeiro de 1993, e a JAC Caxias Comercial, que teve suas atividades canceladas em setembro de 1991. De outro lado, utilizou notas fiscais falsas para pagar à empresa Auto Peças JMC um total de R$ 27,3 mil. A empresa não existe e a inscrição, cancelada em 1979, pertencia a um açougue da cidade de Mirassol (SP).

Outra empresa, a Paumar Comércio e Representação, de Araraquara
(SP), nunca teve negócios com a Prefeitura de Iturama. Um dos sócios, Sérgio Camolesi, depôs na CPI e contou que os documentos da empresa foram roubados em Barretos (SP) em 1996, e nunca viu a cor dos
R$ 13,7 mil do cheque emitido pela prefeitura. Mas não foi só isso. Aelton não teve constrangimento em assinar, endossar e sacar para si dois cheques da prefeitura na boca do caixa. O primeiro, do dia 17 de julho
de 1996, no valor de R$ 5.459,58. O cheque, de número 070099, da conta 005178-9 do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), é da administração do município e nominal à própria prefeitura. Versátil, Freitas retira o dinheiro no mesmo dia, depois do endosso dele e da tesoureira da prefeitura, Divina Aparecida Queiroz Malta, no verso do cheque. Cinco dias depois, o ex-prefeito repete o mesmo esquema, dessa vez na conta corrente 4058-4 da agência 0853-2 do Banco do Brasil, na avenida Campina Verde, no centro de Iturama, onde a prefeitura mantinha uma segunda conta bancária. Em 22 de julho ele assina, endossa e saca
um cheque mais polpudo, de R$ 22.508,50, com o número 380083.

 

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