| BRASIL |
15/01/2003
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| Aeronáutica |
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Decisão
acatada
Adiamento de compra de caças
da FAB recebe
apoio da Aeronáutica |
Hélio Contreiras
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NOVA
ORDEM O ministro da Defesa,
José Viegas, dá posse aos novos
comandantes militares |
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
de adiar, por um ano no máximo, a aquisição
de aviões para a Força Aérea Brasileira (FAB)
não causou protestos dentro da Aeronáutica nem manifestações
veladas contra o novo governo, como poderia se esperar. Mas este
não foi um início de ano de festa entre os aviadores.
Até oficiais-generais da Marinha, como o almirante Armando
Vidigal, e do Exército, reconhecem que a Força Aérea
foi a instituição militar mais atingida pelas restrições
orçamentárias dos últimos anos. Um oficial
lembrou que, nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso,
as desculpas para cortes de verbas foram variadas. Certas vezes
os cortes de verbas eram justificados pelo Palácio do Planalto
como decorrência das crises cambiais externas, como as que
ocorreram no México, em 1996, na Ásia, em 1998, no
Brasil 1999, e, finalmente, com a da Argentina, no final de 2001.
Os fatores externos deixaram os projetos de modernização
militar mais vulneráveis do que a economia do País.
Mesmo assim, tudo indica que os militares estão sensíveis
às prioridades sociais estabelecidas pelo novo governo. Um
exemplo dessa compreensão é a declaração
do ministro do Superior Tribunal Militar e oficial da Associação
Brasileira de Pilotos de Caça, brigadeiro Cherubim Rosa Filho:
“O problema da fome e a falta de distribuição
de renda criam uma insegurança coletiva, afetam
a Nação, e a culpa é das elites indiferentes
à situação do povo.”
A declaração se torna mais expressiva quando se leva
em conta que seu autor é o mesmo militar que, em 1988, fez
uma advertência contra o sucateamento da Aeronáutica,
em discurso na Base Aérea de Brasília, quando fazia
parte do Alto Comando da FAB. A advertência foi também
feita por outros oficiais, como o ex-assessor militar na delegação
brasileira na ONU, brigadeiro Murillo Santos. O primeiro a alertar
contra
a decadência foi o brigadeiro Deoclécio Lima de Siqueira,
em 1987.
Ele tem sido o principal estrategista da Aeronáutica nos
últimos 30 anos. Antes da decisão do governo de adiar
a aquisição dos aviões de defesa aérea,
o ministro Rosa Filho já afirmava que, diante do lento processo
de decisão do governo Fernando Henrique Cardoso, tudo indicava
que a substituição dos velhos Mirage III não
ocorreria em menos de quatro anos. Se há ressentimento entre
militares, portanto, é com o pouco
caso com que alguns projetos foram tratados no governo FHC, e não
com Lula. Em 1989, quando se candidatou pela primeira vez, Lula
expôs um projeto de apoio aos projetos estratégicos
das Forças Armadas.
Para o brigadeiro Rosa Filho, o governo só adiou a compra
das
aeronaves porque não há qualquer ameaça ao
Brasil no cenário internacional. Ele deixa claro que a Aeronáutica
pretende apenas
exercer a soberania brasileira no espaço aéreo, através
da dissuasão, voltada para o cenário prioritário
da América do Sul, sem megalomania,
ou seja, sem gastos exagerados e capazes de comprometer a
campanha contra a fome, a recuperação dos hospitais
e universidades públicas e os investimentos para o crescimento
da economia. Ele reconhece que a posição do Brasil
é confortável porque o País não
tem ambições extra-territoriais ou hegemônicas,
além de ter
um compromisso com a sua estabilidade e com a paz mundial.
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