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& ESPETÁCULOS |
15/01/2003
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| Livros
II |
Pop consumo
J.R. Duran faz apologia de marcas
em Lisboa
Luiz Chagas
Um homem sem nome ou profissão, nitidamente sofisticado
e bem resolvido financeiramente, entrega seu coração
vagabundo à sanha daqueles que pensava serem suas presas.
Ou seja, às mulheres, à família, ao mundo.
Este é o cerne de Lisboa (Francis, 104 págs.,
R$ 26), uma novela noir, livro de estréia do fotógrafo
catalão radicado no Brasil J.R. Duran, primeiro volume de
uma trilogia. O lançamento integra o pacote de 11 títulos
da primeira fornada da editora W11 – fundada pelo jornalista
e editor Wagner Carelli e pela jornalista e escritora Sonia Nolasco
–, que conta com quatro selos, entre eles o citado Francis,
uma homenagem ao grande jornalista
Paulo Francis, com quem Sonia foi casada por 23 anos.
Com o nome frequentemente associado ao glamour e à elegância
de
belas mulheres, Duran não teve pudor de dotar seu personagem
de acessórios identificados com sua própria imagem.
O “ele” do escritor estreante surfa por um mar de etiquetas,
rótulos e nomes ligados ao que se convencionou chamar estilo.
Assim, desfilam perfumes, carros e canetas. Entre uma marca e outra,
“ele” displicentemente cita Al Pacino, Botero, Wim Wenders,
Fernando Pessoa, James Joyce, Woody Allen ou Jean-Luc Godard enquanto
flana por Lisboa, Roma, Barcelona, Nova York, Jerusalém e
Los Angeles. O leitor quase se sufoca na torrente pop consumista,
mas ao final se vê envolvido com a busca interior desse homem
que enreda lembranças, sentimentos camuflados e desvarios.
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