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15/01/2003
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Passado arquivado
O roqueiro Rod Stewart imprime emoção
exata
em CD só com standards americanos
Luiz Chagas
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Stewart:
fã de Sam Cooke, Ella Fitzgerald e Coldplay |
Desde a segunda metade dos anos 60, quando saracoteava à
frente do prestigiado Jeff Beck Group ou se fingia de bêbado
com seus colegas da banda The Faces, o inglês Rod Stewart
não escondia sua predileção por músicas
mais românticas, que em seu vocabulário roqueiro classificava
de lentas. Perto de se tornar um sessentão – completou
58 anos na sexta-feira 10 –, o cantor de voz rouca, cabelos
espetados e olhos esbugalhados finalmente realizou seu sonho em
It had to be you..., the great american songbook, uma coleção
de clássicos americanos dos anos 20 e 30, interpretados do
fundo do coração. Em entrevista a ISTOÉ, Roderick
David Stewart, um londrino de pais escoceses, declarou que até
então não tinha conseguido encontrar o momento certo
para lançar o disco que vinha formatando há sete anos.
O empurrão final surgiu do empresário e amigo Clive
Davis, que o convidou para integrar seu selo, o recém-inaugurado
J Records. Assim, Stewart criou coragem e, contando com a produção
de Davis, Richard Perry e do premiado Phil Ramone, começou
a gravar em fevereiro de 2002.
No repertório, pipocam vários clássicos.
Ouvem-se These foolish things, The way you look tonight,
Moonglow, The nearness of you, You got to my head,
That old feeling e, é claro, o Cole Porter de Every
time we say goodbye e os irmãos George e Ira Gershwin
de They can’t take that away from me. Rod Stewart,
que cortejou a discoteca com sucessos do tipo Do ya think I’m
sexy – na verdade um plágio de Taj Mahal,
de Jorge Ben Jor –, orgulha-se de até hoje só
ter contado com músicos nas suas turnês e de nunca
ter dublado ou usado máquinas. Neste álbum, ele está
cercado de instrumentistas de estúdio e de cordas. Ou seja,
um crooner à moda antiga, mesmo sem ligar para o passado,
principalmente o seu. “Se continuasse cantando com Jeff Beck
eu nunca teria discos de sucesso”, justifica ele àqueles
que sentem saudades dos velhos tempos.
Assim que deixou o Jeff Beck Group, o vocalista conseguiu manter
duas carreiras simultâneas no papel de solista, emplacando
um sucesso atrás do outro, como Maggie May, ou à
frente do grupo The Faces. Também alternava hits esporádicos
com álbuns medianos, seguidos de dezenas de excursões,
inclusive ao Brasil, já como figura do jet set. No momento,
ele ainda não sabe se It had to be you... renderá
uma turnê – em novembro passado, ele terminou um giro
mundial de 15 meses divulgando o CD Human. “Confesso
que o sucesso deste álbum de clássicos me pegou de
surpresa.” Já há quem pense num segundo volume.
Seria bem-vindo, pois, para espanto de muitos, a voz de “lixa
sendo passada em veludo negro”, segundo descrição
do próprio, trouxe singularidade ao repertório de
standards. Em casa, Rod Stewart continua fiel aos discos de Sam
Cooke e de Ella Fitzgerald. “Também ouço grupos
novos, como o Coldplay. Afinal, tenho cinco filhos cujas idades
variam de nove a 22 anos e do quarto de cada um vem um som diferente.”
Ainda bem.
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