| ARTES
& ESPETÁCULOS |
15/01/2003
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| Cinema |
Idade do lobo
Num filme de ação ainda mais espetacular,
007 – um novo dia para morrer comemora 40 anos
do carismático agente britânico nas telas
Luiz Chagas
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HALLE
E BROSSAN: referência a Ursula Andress
e charme com elegância para vestir pela quarta vez o papel de
Bond |
O agente secreto James Bond surgiu antes de os Beatles transformarem
a Inglaterra na Terra do Nunca, mas ainda hoje as pessoas fazem
fila para vê-lo nas telas. Com tanto interesse, 007 –
um novo dia para morrer (Die another day, Inglaterra/Estados
Unidos, 2002), cartaz nacional, antes mesmo de estrear já
cobriu os US$ 142 milhões gastos na produção
com uma avalanche de marketing e merchandising. Tal desempenho deve-se
muito ao carisma do personagem criado pelo escritor inglês
Ian Fleming, em 1953, na novela Casino Royale. Como se vê,
hoje
Bond vale ouro e seu carisma tem sobrevivido à mudança
de cinco
atores desde que o agente invadiu os cinemas do mundo em 1962
com 007 contra o Dr. No, estrelado pelo escocês Sean
Connery, até
hoje o mais cultuado. Oficialmente, há os “reinados”
de Connery, com sete filmes – um não oficial –,
e do inglês Roger Moore, com outros
sete no currículo; uma inexpressiva atuação
de George Lazenby;
e o “mandato-tampão” do galês Timothy Dalton,
que protagonizou
dois episódios até a chegada do irlandês Pierce
Brosnan.
Na sua quarta aventura, Brosnan se mostra um 007 para bond-girl
nenhuma se queixar. Em 007 – um novo dia para morrer,
James Bond
é cortejado por duas delas. A gélida Mirand Frost
(Rosamund Pike)
e a estonteante Jinx (Halle Berry). Sua aparição,
pingando água do
mar e envergando um biquíni da prestigiada grife La Perla,
repete o surgimento de Ursula Andress no pioneiro Dr. No.
Em relação a Brosnan, não é só
no quesito charme que ele impressiona. Além de reavivar as
características básicas do Bond original – amante
insaciável, assassino frio e amoral e bon vivant bem-humorado
–, ele se mostra vulnerável
e falível. Neste episódio dirigido pelo neozelandês
Lee Tamahori, até
a toda-poderosa M (Judy Dench) vira as costas para ele. No clima
de mudanças, o carrão Aston Martin prateado, objeto
de desejo de amantes do automobilismo desde os anos 60, volta às
mãos de Bond. A alemã BMW, que tanto horrorizava os
fãs ingleses, não conseguiu cobrir os US$ 35 milhões
pagos pela fabricante do V12 Vanquish à MGM.
Meios de transporte, aliás, é o que não falta.
De pranchas de surfe
aéreo a hovercrafts. Há uma passagem hilariante em
Cuba, na qual
o agente pede o carro mais veloz e potente que seus colaboradores
barbudos possam conseguir. Depois de ouvir um entusiasmado Sí
señor Bond!, o herói surge dirigindo um “moderno”
e reluzente Ford Farlaine conversível do final dos anos 50.
Mas, como sempre, nem só de
garotas esculturais, carrões e dry martini – “mexido,
não sacudido”
– vive James Bond. Há os vilões. Desta vez,
Zao (Rick Yune) é a fera mortal e infalível, cujo
rosto é incrustado de diamantes. Outro vilão
é Gustav Graves (Toby Stephens), um tipinho insuportável
que luta esgrima numa cena na qual Madonna, autora da música
tema – a menos típica da série – faz sua
óbvia aparição na pele de uma lésbica-chique.
Um novo dia para morrer, claro, também tem muitas
cenas de ação. E Pierce Brosnan continua fazendo um
James Bond à altura delas. Para cumprir o protocolo bondiano
de sete filmes, ele teria mais três pela frente. No entanto,
o irlandês insiste em dizer que abandonará o personagem
depois da próxima aventura. Devia lembrar-se que, após
um hiato de 12 anos, em 1983 Sean Connery voltou a cortejar mulheres
e perigo no 007 não oficial Nunca mais outra vez –
cujo título original é Never say never again.
Ou seja, Brosnan, nunca mais diga nunca.
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