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 CIÊNCIA, TECNOLOGIA & MEIO AMBIENTE 12/12/2002
Matemática

O nó da questão
Cientistas montam equações para definir o melhor
jeito de amarrar cadarços e gravatas

Aprenda a dar o nó cruzado
Como é o nó duplo
Acompanhe como fazer o nó pequeno
Semi-Windsor: o mais usado
O estilo Windsor

Marcelo Ferroni

  Fotos: Alex Soleto/Fernando Brum
  WINDSOR: o nó clássico

A matemática é uma ferramenta essencial
para ajudar a desvendar
a origem do Universo,
a propulsão de foguetes
e mesmo o funcionamento
dos seres vivos. Alguns pesquisadores, no
entanto, a utilizam
para propósitos menos grandiosos, mas nem por
isso menos curiosos. Na semana passada, um cientista australiano mergulhou em números e equações matemáticas
para elucidar um mistério que o incomodava: descobrir
a melhor forma de passar o cadarço pelos sapatos.

Ele não só fez os cálculos, mas os publicou numa revista científica
de renome, a britânica Nature. A conclusão: depois de muitos anos
de tentativa e erro, o ser humano aprendeu a passar o cadarço
da forma mais resistente, mas não da mais econômica, em que
se utiliza um pedaço menor de cadarço para o mesmo trabalho.
Pelo menos é o que afirma Burkard Polster, matemático da
universidade australiana de Monash.

O interesse de Polster surgiu quando ele se deparava com estudos
que explicavam os melhores laços para sapatos. A partir daí, o
cientista estendeu as pesquisas para o estágio anterior, o de passar
o cadarço pelos ilhoses. “As provas somam 40 páginas e envolvem
a alguns passos matemáticos bem elegantes”, diz o pesquisador.

Fotos: Alex Soleto/Fernando Brum  
LAÇOS As formas mais comuns de se passar o cadarço no sapato (os dois primeiros, à esq.),
e a versão econômica de Polster (à dir.);
 

O cientista definiu o
número de ilhoses, o espaçamento ideal entre
eles e nomeou as diferentes formas de ligar dois pontos. As soluções mais eficazes foram justamente as mais populares (leia quadro).
“Elas parecem ser as mais fáceis. É preciso aprender
um movimento e repeti-lo
até o fim”, comenta Polster. Os outros métodos de passar o cadarço
são mais difíceis de se encontrar, a não ser em lojas de calçados.
Polster adverte: “Isso provavelmente não ocorre por sua propriedade econômica, mas sim porque os nós ficam mais bonitos.”

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