| MEDICINA
& BEM ESTAR
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18/09/2002
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| Mulher |
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Exemplo
brasileiro
Hospital em Campinas (SP) é reconhecido
pela OMS
como centro de excelência |
Juliane
Zaché
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A
instituição, fundada por Pinotti, reduziu a mortalidade por
câncer de colo de útero |
Não há
dúvidas de que a entrada da mulher no mercado de trabalho trouxe
benefícios. Mas também algumas desvantagens. Ela ficou
mais suscetível a várias doenças por causa do
stress e da má alimentação, como o infarto e
alguns tipos de tumores.
Não por acaso, nos últimos anos a medicina passou
a olhar com mais atenção para os problemas de saúde
femininos. E, felizmente, estão surgindo boas iniciativas
dirigidas à mulher. Uma delas é o Centro de Atenção
Integral à Saúde da Mulher (Caism), também
conhecido como Hospital da Mulher, ligado à Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo,
que oferece tratamento para os males do organismo feminino.
A instituição foi reconhecida pela Organização
Mundial de Saúde (OMS) como um centro de excelência
na América Latina por ter conseguido melhorar as condições
de saúde das mulheres lá atendidas. Em alguns casos,
o hospital obteve índices de sucesso até mais positivos
do que os atingidos em países de primeiro mundo.
Foi o que aconteceu, por exemplo, em relação ao
combate do câncer de colo de útero, um dos mais incidentes
no país. Na maior parte dos casos, a doença é
causada pelo HPV (papiloma vírus humano), transmitido nas
relações sexuais. O Hospital da Mulher adota um programa
de prevenção e tratamento que conseguiu fazer com
que a taxa de mortalidade pela doença chegasse a apenas 1,8
mulheres para cada 100 mil. No resto do Brasil, o índice
gira em torno de 11 mulheres para cada 100 mil, nos Estados Unidos,
2,5, e no Canadá, 2.
Como se vê, o resultado é uma vitória. Dados
do Instituto Nacional do Câncer estimam para 2002 o aparecimento
de cerca de 17 mil casos da doença e aproximadamente 4 mil
mortes provocadas por esse tipo de tumor. Na opinião do fundador
do hospital, o médico José Aristodemo Pinotti, de
São Paulo, o sucesso do programa se deve ao fato de as mulheres
atendidas pelo hospital terem acesso a uma atenção
integral, incluindo o exame Papanicolau, que detecta a presença
do vírus, para todas que mantêm vida sexual. Isso aumenta
as possibilidades de fazer um tratamento precoce da doença
em caso de confirmação de diagnóstico. “Se
isso acontecer, a paciente receberá um atendimento eficiente,
que evitará complicações”, conta Pinotti,
professor titular de Ginecologia da Universidade de São Paulo.
O Centro de Saúde da Mulher também conseguiu reduzir
em 40% a taxa de mortalidade entre pacientes portadoras de câncer
de mama por meio da detecção precoce do problema e
a aplicação de modernas técnicas cirúrgicas
para retirada do tumor. “No hospital, a mulher recebe um tratamento
completo e integral, sem burocracia. Se, por exemplo, ela está
na menopausa, será orientada a fazer ou não a reposição
hormonal e a realizar os exames de câncer de mama”,
reforça José Pinotti.
Em 1968, o médico iniciou um trabalho na Universidade Estadual
de Campinas. O projeto deu certo e, em 1985, foi fundado o Hospital
da Mulher, que hoje conta com mais de 200 leitos e atende em média
mil pacientes diariamente. Recentemente, Pinotti recebeu uma homenagem
dos próprios funcionários da entidade – um quadro
pintado por Fúlvia Gonçalves, artista responsável
pela decoração da fachada do prédio do Caism.
Na cerimônia, estiveram presentes representantes da OMS, a
prefeita de Campinas, Izalene Tiene, e professores de oito países
latino-americanos. A organização também divulgou
um documento no qual reconheceu a importância do Centro de
Atendimento Materno Infantil (Cemicamp), de Campinas, criado por
Pinotti. O centro realiza pesquisas sobre reprodução
humana e anticoncepcionais.
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