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Ciu
vi scias paroli en ci tiu lingvo?
Você sabe falar nesta língua?
É o que está escrito na frase
acima. Em esperanto, usado por dez milhões de pessoas.
Esta semana, o Brasil sedia um congresso mundial |
Camilo
Vannuchi e Alan Rodrigues (fotos) – Pato Branco (PR)
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União:
estudantes dos Estados Unidos, do Japão, Nicarágua, Brasil,
Haiti, Alemanha, Inglaterra, França e Dinamarca participaram
do encontro |
Não é português, nem italiano, nem sueco. Trata-se
do esperanto, aquele idioma que os Titãs, na música
Miséria, dizem que ninguém sabe falar. Não
é bem assim. Cerca de dez milhões de pessoas no mundo
praticam a língua, criada há 115 anos por Lázaro
Ludoviko Zamenhof, um polonês que ousou sonhar com a globalização
das palavras. Até o dia 10 de agosto, esperantistas de todo
o mundo desembarcam em Fortaleza para o 87º Congresso Mundial
de Esperanto ou, como eles preferem, Universala Kongreso
de Esperanto. Pela primeira vez, o País entra na rota oficial
do evento, normalmente realizado na Europa. Todo ano, centenas de
pessoas vindas dos quatro cantos do planeta dedicam uma semana a
colocar em prática o ideal de Zamenhof. Este ano, foi escolhida
a capital do Ceará. Aproveitando a oportunidade, a Associação
Mundial da Juventude Esperantista trouxe para o Brasil a 58ª
edição da versão jovem do congresso. Entre
21 e 26 de julho, 100 representantes de 22 países levaram
seu curioso vocabulário às ruas de Pato Branco, um
município de 60 mil habitantes no interior do Paraná.
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| Veterano:
sem saber russo, Carvalho recorreu ao esperanto ao visitar Moscou |
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Nada de torre de babel. Como se ocorresse o milagre da comunicação,
esperantistas de todo o mundo cumpriram em Pato Branco um extenso
programa de festas, cursos, gincanas e atividades culturais como
se tivessem nascido no mesmo bairro. A japonesa falava com o alemão,
que respondia para a haitiana, que se divertia com a francesa, que
fofocava com o americano, que debatia com a israelense, que abraçava
o dinamarquês, que fazia todo mundo rir. Cada um conheceu
o esperanto de um jeito. Filha de pai britânico e mãe
holandesa, a inglesa Petra Fantom, 19 anos, fala esperanto desde
o berço. Era comum meus pais conversarem entre si em
esperanto. Acho que só fui aprender inglês mais tarde,
arrisca ela. Descobri o esperanto por acaso, confessa
o nicaraguense Eddy Silva Molina, 24 anos. Entrei em uma casa
que pensava ser uma embaixada para pedir selos para minha coleção.
Sugeriram que eu aprendesse esperanto para me comunicar com o mundo
inteiro e conseguir selos dos mais diversos países. Gostei
da idéia, conta.
Quando o esperanto foi criado, em 1887, a língua inglesa
não gozava da confortável situação em
que se encontra hoje. Poliglota, Lázaro Zamenhof propôs
um idioma universal que fosse neutro e de fácil pronúncia,
batizando-o de esperanto, aquele que espera. Para isso,
recolheu os mais significativos radicais de diferentes origens.
Calcula-se que 60% deles venham do latim, enquanto 30% tenham raízes
anglo-saxãs. Isso torna o esperanto o mais democrático
dos idiomas, capaz de se disseminar pelo planeta sem conferir a
nenhum povo a égide da supremacia política ou econômica.
O esperanto é para fazer amigos, o inglês é
para fazer dinheiro. Não gosto de ver o inglês na posição
de idioma universal. Isso não torna as pessoas mais próximas
porque não é desejado, é imposto, defende
Neil Blonstein, um engajado habitante de Nova York presente ao congresso.
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