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  COMPORTAMENTO 02/08/2002
Idioma
 
Ciu vi scias paroli en ci tiu lingvo?
Você sabe falar nesta língua? É o que está escrito na frase
acima. Em esperanto, usado por dez milhões de pessoas.
Esta semana, o Brasil sedia um congresso mundial

Camilo Vannuchi e Alan Rodrigues (fotos) – Pato Branco (PR)

  Alan Rodrigues
  União: estudantes dos Estados Unidos, do Japão, Nicarágua, Brasil, Haiti, Alemanha, Inglaterra, França e Dinamarca participaram do encontro

Não é português, nem italiano, nem sueco. Trata-se do esperanto, aquele idioma que os Titãs, na música Miséria, dizem que ninguém sabe falar. Não é bem assim. Cerca de dez milhões de pessoas no mundo praticam a língua, criada há 115 anos por Lázaro Ludoviko Zamenhof, um polonês que ousou sonhar com a globalização das palavras. Até o dia 10 de agosto, esperantistas de todo o mundo desembarcam em Fortaleza para o 87º Congresso Mundial de Esperanto – ou, como eles preferem, Universala Kongreso de Esperanto. Pela primeira vez, o País entra na rota oficial do evento, normalmente realizado na Europa. Todo ano, centenas de pessoas vindas dos quatro cantos do planeta dedicam uma semana a colocar em prática o ideal de Zamenhof. Este ano, foi escolhida a capital do Ceará. Aproveitando a oportunidade, a Associação Mundial da Juventude Esperantista trouxe para o Brasil a 58ª edição da versão jovem do congresso. Entre 21 e 26 de julho, 100 representantes de 22 países levaram seu curioso vocabulário às ruas de Pato Branco, um município de 60 mil habitantes no interior do Paraná.

Alan Rodrigues  
Veterano: sem saber russo, Carvalho recorreu ao esperanto ao visitar Moscou  

Nada de torre de babel. Como se ocorresse o milagre da comunicação, esperantistas de todo o mundo cumpriram em Pato Branco um extenso programa de festas, cursos, gincanas e atividades culturais como se tivessem nascido no mesmo bairro. A japonesa falava com o alemão, que respondia para a haitiana, que se divertia com a francesa, que fofocava com o americano, que debatia com a israelense, que abraçava o dinamarquês, que fazia todo mundo rir. Cada um conheceu o esperanto de um jeito. Filha de pai britânico e mãe holandesa, a inglesa Petra Fantom, 19 anos, fala esperanto desde o berço. “Era comum meus pais conversarem entre si em esperanto. Acho que só fui aprender inglês mais tarde”, arrisca ela. “Descobri o esperanto por acaso”, confessa o nicaraguense Eddy Silva Molina, 24 anos. “Entrei em uma casa que pensava ser uma embaixada para pedir selos para minha coleção. Sugeriram que eu aprendesse esperanto para me comunicar com o mundo inteiro e conseguir selos dos mais diversos países. Gostei da idéia”, conta.

Quando o esperanto foi criado, em 1887, a língua inglesa não gozava da confortável situação em que se encontra hoje. Poliglota, Lázaro Zamenhof propôs um idioma universal que fosse neutro e de fácil pronúncia, batizando-o de esperanto, “aquele que espera”. Para isso, recolheu os mais significativos radicais de diferentes origens. Calcula-se que 60% deles venham do latim, enquanto 30% tenham raízes anglo-saxãs. Isso torna o esperanto o mais democrático dos idiomas, capaz de se disseminar pelo planeta sem conferir a nenhum povo a égide da supremacia política ou econômica. “O esperanto é para fazer amigos, o inglês é para fazer dinheiro. Não gosto de ver o inglês na posição de idioma universal. Isso não torna as pessoas mais próximas porque não é desejado, é imposto”, defende Neil Blonstein, um engajado habitante de Nova York presente ao congresso.

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