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  COMPORTAMENTO 05/07/2002
Especial
 
De volta ao passado
Estudos mostram que relatos feitos durante a terapia de
vidas passadas não são pura elaboração. Mais um passo
na busca da comprovação da existência de outras vidas

Celina Côrtes e Rita Moraes

O arquivo do trauma

Ricardo Giraldez  
Pesquisa: Júlio Peres trabalhou em parceria com a Universidade da Pensilvânia  

Chico Xavier se foi, mas sua obra ainda fará pensar estudiosos e cientistas. Toda a sua vida foi pontilhada por fenômenos que a ciência não consegue explicar. Há 30 anos, se tentou conhecer o que se passava em seu cérebro durante o transe. Procurava-se entender como textos que versavam sobre assuntos complexos poderiam sair da caneta de um homem simples, que mal cursara os primeiros anos de escola. Nada de anormal foi encontrado. A mediunidade, principalmente uma tão produtiva quanto a de Chico, ainda é uma incógnita. A reencarnação, outro pilar da crença espiritualista, também provoca os céticos de laboratório. Mas o assunto bate às portas da universidade, ora pela curiosidade dos fenômenos em si ora por seus efeitos. Na medicina e na psicologia, campos de estudos se mesclam. A terapia de vidas ou vivências passadas, em especial, exige essa atenção: pela regressão, os pacientes relatam situações que não têm ligação direta com sua vida atual.

Há dois anos, ISTOÉ divulgou o primeiro mapeamento de ondas cerebrais feito durante uma sessão de regressão (ISTOÉ 1594). O estudo do psicólogo Júlio Peres, do Instituto de Terapia Regressiva Vivencial Peres, de São Paulo, mostrava que a atividade cerebral é muito lenta, mesmo quando o paciente mostra reações como suor e taquicardia. Na época, Peres anunciou uma parceria de pesquisa com a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, para monitorar o fluxo sanguíneo e as estruturas cerebrais acionadas durante a regressão. Quatro mulheres e dois homens sadios, com idades entre 28 e 39 anos, se submeteram a uma tomografia com emissão de radiofármaco (método spect), realizada no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Depois, seus exames foram analisados pelo médico Andrew Newberg, especialista em estados modificados de consciência da universidade americana. Finalizados, os estudos revelaram que as áreas do cérebro mais requisitadas neste processo são as do lobo médio temporal e as do lobo pré-frontal esquerdo, que respondem pela memória e pela emoção. É mais um passo na busca de comprovação de que essas experiências não são fruto da imaginação. “Se o paciente estivesse criando uma história, o lobo frontal seria acionado e a carga emocional não seria tão intensa”, explica Peres.

  Alex Regis
Tertuliano Pinheiro, secretário de Ação social do Rio Grande do Norte
“Sou um homem de bem com a vida, casado e pai de quatro filhos, mas tinha fobia de escuro. Só dormia de luz acesa e comecei a sofrer de depressão. Católico, não acreditava em reencarnação, mas depois de me tratar com remédios e terapia convencional, procurei a regressão. O processo foi avassalador. Vi algumas vidas, duas mais marcantes. Em uma era um homem poderoso e, em outra, um mendigo. Acredito, porque ninguém me contou, eu vi tudo, senti cheiros, frio e todos os tipos de sentimento. O coração bate forte, você sua e sofre tudo de novo. Eu temia a noite passada em becos escuros. Minha única companhia era um cão. Me livrei desse sentimento e mudei minhas convicções religiosas”

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Estudos científicos mostram que relatos de pessoas que fizeram regressões e narraram experiências de vidas passadas não são fruto da imaginação. O que você acha disso?
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