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| Livro:
Renzo, Emiliano e Clara Charf, viúva de Carlos Marighella,
na noite de autógrafos |
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De longe, tudo era festa. Muitos abraços, sorrisos
carinhosos de velhos companheiros de luta que não
perderam a esperança de ver um País mais
justo, menos desigual. De perto, uma lágrima
ou outra no rosto de alguns convidados traziam à
tona o lado mais sombrio da história brasileira:
a tortura na ditadura militar. É nesse cenário
de terror dos anos 70 que o jornalista e vereador de
Salvador Emiliano José (PT) apresenta à
sociedade brasileira aquele que foi, além do
unguento de muitas dores, peça-chave nas greves
de fome dos presos políticos, no contato com
as famílias, na luta contra a tortura e pela
anistia. No livro As asas invisíveis do padre
Renzo Rossi, lançado na quarta-feira 3, em
São Paulo, na sede da editora Casa Amarela, Emiliano
conta a história de um personagem cuja atuação
de resistência e solidariedade foi revelada por
ISTOÉ em setembro de 1999 na edição
1561. São 432 páginas sobre Renzo e seu
trabalho com os presos políticos. Pude
testemunhar o início da atividade dele nas prisões
e sua solidariedade aos presos políticos durante
sete anos (de 1974 a 1980), correndo todos os riscos.
Ele rodou 14 presídios e dez países do
mundo visitando presos e divulgando a anistia,
afirma o escritor.
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Para Maria Amélia de Almeida Telles, presa e
barbaramente torturada no Doi-Codi paulista por ser
militante do PcdoB, o padre nascido em Florença,
na Itália, mas que se diverte ao afirmar que
é baiano, foi o articulador de uma rede
invisível entre os presos. Emocionado,
o candidato do PT ao
governo de São Paulo, José Genoíno,
preso
durante a guerrilha do Araguaia, definiu Renzo
como uma espécie de elixir de esperança
e de amor para nós da cadeia. Se existe eternidade,
é esse tipo de relação.
Para esse padre que não era um
progressista em termos doutrinários correr
risco para manter a rede de informações
dos presos era uma coisa normal, que qualquer
pessoa poderia ter feito. Renzo, que deixou o
Brasil em 1997, conta que sofreu duas grandes conversões:
a primeira delas nos anos 50, quando conviveu com os
operários de uma fábrica em Florença,
a maioria atéia e ligada ao PC italiano. A segunda,
se deu ao estreitar relações com os presos
políticos no Brasil. Eu era um pouco conservador.
Mas descobri que aquele que não tem fé
é capaz de se sacrificar, enfrentar a prisão,
a tortura. Às vezes, Deus permite que alguém
perca a fé para recuperar a esperança.
Isso ajudou a entender o meu sacerdócio.
O livro será lançado na terça-feira
9, no Mosteiro de São Bento (BA) e na Igreja
de São Paulo, na periferia de Salvador, onde
Renzo começou seu trabalho religioso no Brasil,
nos anos 60.
Ana Carvalho
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